LULA PRESO POLÍTICO

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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Há o mercado financeiro e as agências de risco. Há a crítica a políticas de austeridade. E o governo ouve quem?


O governo segue se arrastando na discussão sobre cortes e ajustes sem conseguir sair do cerco da oposição. Mesmo o anúncio da MP que amplia a taxação sobre o lucro líquido dos bancos e da proposta de alterar a tabela do Imposto de Renda, criando uma nova faixa tributável em 35% para os que detém maior poder aquisitivo, foram feitos sem uma mensagem política clara para os trabalhadores, os movimentos sociais e os eleitores da presidenta Dilma, passando batido como medidas para contribuir com a retomada da iniciativa do governo e de sua aprovação.
O PMDB já não aceita mais compartilhar o desgaste do governo.  Em jantar oferecido pelo vice-presidente Michel Temer ontem dia 8 de setembro, reunindo seus governadores e principais lideranças na Câmara e no Senado, o partido decidiu que não vai se engajar na criação ou elevação de tributos. Estiveram no Palácio do Jaburu, residência oficial de Temer, seis dos sete governadores do PMDB: Luiz Fernando Pezão (RJ), José Ivo Sartori (RS), Paulo Hartung (ES), Renan Filho (AL), Marcelo Miranda (TO) e Confúcio Moura (RO). Foram à mesa também os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros; os líderes da legenda nas duas Casas, deputado Leonardo Picciani (RJ) e senador Eunício Oliveira (CE); o senador Romero Jucá (RR); e três ministros peemedebistas: Kátia Abreu (Agricultura), Elizeu Padilha (Aviação Civil) e Helder Barbalho (Pesca).
Para piorar o isolamento do governo, o ministro Joaquim Levy [1] cometeu o erro de declarar que o ajuste fiscal feito pelo governo conservador da Espanha, do Partido Popular, que elevou o desemprego a 25% e está desmontando o sistema público de saúde e seguridade social, é um exemplo para o Brasil. E provocou reação imediata da base do nosso projeto, que já não sabe o que faz para defender a atual gestão.
Está claro é que o governo precisa oxigenar suas ideias, escapar de soluções tecnocráticas e pôr a política, com criatividade, no comando.
Uma boa alternativa, já que o ministro Levy tem referência na Espanha e ninguém no governo o contradisse, poderiam seguir o exemplo do Podemos, novo partido de esquerda que vem crescendo e conquistando espaços importantes ante o esgotamento da polarização entre os conservadores do PP e o tradicional socialismo do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), que contratou o economista francês, Thomas Piketty, para assessorá-lo no desenvolvimento do programa econômico a ser apresentado nas eleições gerais de dezembro, junto a um comitê internacional de especialistas no tema. Como se sabe,  Piketty é autor do celebrado livro O Capital no Século XXI, que coloca no centro da discussão mundial a agenda de combate à desigualdade. Por que só devemos receber e seguir recomendações das agências de risco de investimentos, ligadas ao sistema financeiro privado internacional?
Outras boas propostas vêm do prêmio Nobel da economia, Joseph Stigliz, para quem, contra as cartilhas de austeridade, deve-se responder com maior participação cidadã. No lançamento do seu livro A grande fratura-As sociedades inigualitárias e o que podemos fazer para mudá-las, na semana passada em Paris, Stiglitz defendeu que “uma boa política econômica supõe que em caso de recessão se aumente o orçamento do Estado para estimular a atividade. Se, ao contrário,  fazem-se cortes no orçamento, a economia se deprime”. Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência. Para ele, “as opções políticas são a causa dos problemas de desigualdade e é pela política que virão as soluções”. Sem falar no sempre atual Paul Krugman, de quem este blog tem reproduzido as análises contra as políticas de austeridade como alternativa para a crise gerada por… políticas de austeridade. Enfim. Não faltam pensadores e propostas. Mas parece que o governo prefere apostar em velhas ideias.
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[1] Seria risível se não fosse trágico. Sei que um governo de Aécio e companhia séria MUITO pior, mas, é triste ver Dilma tão acovardada. O que está havendo, chantagem? Fala, abre a boca, conclama o povo para as ruas, luta! Como dizia Chacrinha: "Quem não se comunica se trumbica!"
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