LULA PRESO POLÍTICO

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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

“O único lugar que a travesti tinha era a esquina. Agora tem a escola”

Graças ao Transcidadania, Amanda saiu da maginalidade e agora quer ser conselheira tutelar. (Foto: Caio Costa)

Conheça Amanda Marfree, a jovem que, depois de uma vida de marginalização e preconceito, tornou-se a primeira transexual de São Paulo a se candidatar a um Conselho Tutelar
Por Ivan Longo, via Fórum
Esta é uma matéria da Fórum Semanal. Confira o conteúdo especial da edição 213 clicando aqui
“Linda, vai lá! Arrasa!”. “Você é ótima. Nos representa!”. “Que demais. Eu também quero!”. Os elogios e frases acolhedoras ditas por colegas transexuais e cisgêneros de Amanda pouco antes da conversa que teve com a Fórum são graças às mudanças que teve em sua vida ao longo deste ano, bem mais recorrentes que as ofensas que tinha que ouvir no passado.
“Você é homem!”; “Tiazinha!”; “Mulher é o caralho” e ofensas ainda piores faziam parte do dia a dia da transexual que, por conta da violência e do preconceito, abandonou os estudos aos 17 anos para se aventurar no mundo da prostituição. “Era o único caminho que nós, travestis, tínhamos para seguir”, conta.
Amanda Marfree tem 30 anos e nasceu no corpo de um menino em São Gonçalo (RJ), cidade em que começou a se prostituir para bancar os hormônios que tomava e outras modificações necessárias para ficar mais parecida com o que ela realmente é e se sente: uma mulher.
Depois de sofrer todo o preconceito, marginalização e opressão a que travestis e transexuais estão expostas, depois de se prostituir no Rio de Janeiro, na Itália por meio da cafetinagem e de ter sido deportada para São Paulo, Amanda vive um ano diferente de todos os outros: ela encontrou, na capital paulista, o programa Transcidadania [saiba mais sobre o programa aqui], da prefeitura, se tornou a primeira beneficiária a concluir o ensino médio e está prestes a ser a primeira transexual conselheira tutelar da história do município.
Considerada a melhor aluna da sala –  que era, inclusive, uma turma mista que contava com homens e mulheres cisgêneros, jovens e adultos -, a transexual foi incentivada a se candidatar à vaga de conselheira tutelar em Itaquera, bairro em que vive em São Paulo, por sua empatia e sua sensibilidade para com os mais desamparados.
“Me falaram que tinha essa oportunidade. Eu me interessei porque crianças e adolescentes que recorrem ao conselho tutelar são crianças desamparadas, que não têm proteção. Pessoas que já sofreram na vida e que foram desamparadas, como eu, entendem essa situação. Você tem que sentir na pele pra saber o que é”, diz.
Concluindo o curso de Direitos Humanos e prestes a começar um curso profissionalizante – ambos pelo Transcidadania -, Amanda hoje se considera uma pessoa politizada, uma mulher empoderada e ciente de seus direitos. O Conselho Tutelar, para ela, é só um primeiro passo para uma vida de dedicação aos mais oprimidos.
No futuro, quer se formar em Assistência Social para ajudar as pessoas e, principalmente, transexuais e travestis que viveram as mesmas mazelas que viveu e que, até hoje, não tiveram como ela o privilégio de encontrar um espaço e um apoio para poder expressar sua identidade sem a condição de marginalização. “Eu acho que no termo ‘LGBT’ a parte mais vulnerável é o ‘T’. Estamos sempre militando por isso, porque é a parte mais fraca e agredida”, avalia.
Confira na íntegra a conversa com Amanda no site da Revista Forum AQUI
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