LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Quinta Coluna de Washington dentro da Rússia e da China

alt


Por Paul Craig Roberts, no El espia digital

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Levou duas décadas para que a Rússia e a China  entendessem que as organizações “pró-democráticas” e de “direitos humanos” que operam dentro de seus países são organizações subversivas financiadas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e por uma coleção de fundações privadas norte-americanas organizadas por Washington. O verdadeiro propósito dessas organizações não governamentais (ONGs) é manter a hegemonia de Washington através da desestabilização desses dois países capazes de manter resistência diante da hegemonia dos EUA.

As Quintas Colunas de Washington iniciaram “revoluções coloridas” nas antigas províncias russas, tais como a Geórgia, local de nascimento de Joseph Stalin, e a Ucrânia, província russa durante séculos.

Quando Putin foi eleito pela última vez, Washington foi capaz de utilizar seus quintas colunas para levar milhares de manifestantes às ruas da Rússia, afirmando que Putin “tinha roubado as eleições”. Essa propaganda estadunidense não teve resultados na Rússia, onde 89% dos cidadãos respaldam seu presidente. Os outros 11% se compõem em sua quase totalidade de russos que acreditam que Putin é demasiadamente suave com a agressão do Ocidente. Essa minoria apóia Putin também: eles somente querem que ele seja mais duro. O percentual real da população que Washington tem sido capaz de converter em agentes traidores é de somente 2 ou 3% da população. Esses traidores são os “ocidentais”, os “integracionistas atlânticos”, que estão dispostos a que seu país seja um estado vassalo dos EUA em troca de dinheiro, pago a eles, evidentemente.

Contudo, a capacidade de Washington de colocar seus quintas-colunas nas ruas de Moscou teve mais efeito sobre os incautos estadunidenses  e europeus. Hoje em dia,  muitos ocidentais acreditam que Putin roubou as eleições e tem a intenção de usar sua posição para reconstruir o império soviético  e esmagar o Ocidente.  Não que esmagar o Ocidente seja algo  difícil de concretizar. O Ocidente já praticamente esmagou a si mesmo.     

A China, obcecada em tornar-se rica, tem sido um alvo fácil para Washington. A Fundação Rockefeller está apoiando professores chineses pró-norte americanos  nas universidades. As corporações estadunidenses que operam na China criam “juntas” supérfluas nas quais são incluídos os familiares da classe política governante e lhes pagam altos honorários como diretores.  Isso compromete a lealdade da classe dirigente chinesa.

Com a esperança de ter comprometido a classe dirigente chinesa com dinheiro, Washington então lançou suas ONGs em Hong Kong para protestar, com a esperança de que os protestos se estendessem até a China e que essa classe dirigente comprada com dinheiro norte-americano fosse lenta em reagir diante do perigo.

A Rússia e a China finalmente perceberam. É surpreendente que os governos dos dois países que Washington relaciona como “ameaças” fossem tão tolerantes com as ONGs com financiamento externo durante tanto tempo. A tolerância da Rússia e da China com os quintas-colunas de Washington deve ter incentivado em grande medida aos neoconservadores estadunidenses, empurrando assim o mundo para mais perto de um conflito. 

Mas, como dizem, tudo o que é bom acaba. The Saker  reporta que a China finalmente tomou medidas para proteger-se da subversão de Washington. A Rússia também tem atuado em sua defesa, expulsando a “Fundação Nacional para a Democracia” (NED, por sua sigla em inglês), norte-americana. 

Nós, os norte-americanos, precisamos ser mais humildes, não arrogantes. Temos  que reconhecer  que o nível de vida nos EUA, com a exceção dos 1%, está já numa longa decadência, e isso tem sido assim durante as duas últimas décadas.  Para que a vida na Terra possa continuar, os estadunidenses precisam entender  que não são a Rússia ou a China, mais do que foram Saddam Hussein, Kadhaffi, Assad, Yemen, Paquistão e Somália, as ameaças para os EUA. A ameaça para os EUA reside inteiramente na demente ideologia  neoconservadora da hegemonia de Washington sobre o planeta e sobre a população estadunidense. 

Esse objetivo arrogante compromete os EUA e seus estados-vassalos com uma guerra nuclear.

Se os norte-americanos acordassem, seriam capazes de fazer alguma coisa a respeito de seu governo fora de controle? Serão os europeus, depois de terem experimentado os resultados devastadores da Primeira e Segunda Guerras Mundiais, capazes de entender que o incrível dano causado à Europa nessas duas guerras é minúsculo em comparação com os danos causados por uma guerra nuclear?

Se na União Européia houvesse algum governo inteligente e independente, ela proibiria absolutamente que qualquer país-membro acolhesse mísseis anti-balísticos norte-americanos ou qualquer outra base militar perto das fronteiras com a Rússia. 

Os grupos de pressão da Europa do Leste em Washington querem vingar-se da União Soviética, uma entidade que já não está mais entre nós. O ódio é transmitido para a Rússia. Ela não tem feito nada, exceto deixar de ler a Doutrina Wolfowitz e ter se dado conta que Washington tem a intenção de governar o mundo,  mas para isso precisa prevalecer sobre a Rússia e a China.
Postar um comentário