LULA PRESO POLÍTICO

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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Nilson Lage e a fosfoetanolamina da USP


Via Contexto Livre

Por Nilson Lage

Trata-se de picaretagem. Só não se sabe exatamente a intenção.

Um químico estuda por muitos anos a síntese de uma substância, a fosfoetanolamina, éster fosfórico encontrado em células animais e que, como outras, apresenta variações de concentração associadas a várias patologias, do Alzheimer e epilepsia a isquemia cardíaca e tumores neoplásicos.

Ele acredita que a droga pode ser usada como remédio e elege o câncer como alvo de tratamento.

Aí começa o problema.

Há todo um protocolo de segurança para avaliar se um medicamento funciona e com que finalidade, as condições em que funciona, os riscos que apresenta, as doses indicadas (a chamada janela terapêutica) etc.

Nada disso foi feito e tudo que existe é um "eu acho", com poucos exemplos de aplicação não conclusivos ou comprovados.

Tragédias têm resultado de falhas no estudo do efeito de produtos químicos — não apenas medicamentos. Há o caso da talidomida, que deformava bebês no útero materno; do DDT, cujo uso intensivo cria desastres ambientais — isso na grande indústria.

No varejo da picaretagem e da fantasia, são milhares de produtos inócuos ou levemente prejudiciais que circulam por aí, geralmente voltados para o tratamento sintomático de doenças autoimunes ou de trânsito passageiro e algumas vezes associados (espertamente?) a recomendações (dietas, comportamentos, exercícios físicos), esses sim, eficazes.

Pode-se beber a própria urina, deixar-se sangrar por sanguessugas, despir-se no inverno em montanhas geladas — tudo isso já foi proposto e praticado como terapia.

Aí entra o advogado. Homem influente, amigo do Bolsonaro, com trânsito nas Organizações Globo e força política. Mobiliza famílias desesperadas, que lutam pela vida de alguém que amam, e arranca liminares às pencas obrigando a USP a fornecer a suposta droga.

O crime está não apenas na venda de esperança, ao que tudo indica ilusória; mas, principalmente, na abertura de um atalho que, levando a nada, desvia o paciente do caminho das pedras (a cirurgia, a medicina nuclear, a radioterapia) que pode comprovadamente levar à cura.

Agora vem a Universidade de São Paulo, cujo nome foi envolvido na propaganda e declara o óbvio: jamais estudou fosfoetanolamina como remédio.