LULA PRESO POLÍTICO

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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Juristas ingleses acusam Lava Jato de ferir princípios Constitucionais: "Eliot Ness brasileiro está fora de controle"


Por Luis Nassif, em seu blog

The Sunday Times publicou reportagem de uma página sobre a Lava Jato.


Diz o jornal que Sérgio Moro é visto como um herói do povo, capa de revistas.

Na semana passada, segundo a revista, houve o maior golpe de Moro, a prisão do “banqueiro bilionário” André Esteves, do fazendeiro José Carlos Bumlai e do senador líder do governo Dilma Rousseff Delcídio do Amaral.

A operação transcendeu a Lava Jato para incluir contratos de construção para os Jogos Olímpicos do Rio, no próximo ano. A reportagem especula sobre as intenções políticas de Moro e depois entra nas suas táticas de investigação, dele e de “sua jovem equipe de procuradores”.

A reportagem ouve um advogado que diz que Moro e sua equipe são intocáveis, inclusive nos métodos utilizados. Lembra “um punhado de líderes empresariais politicamente conectados presos durante meses sem julgamento”. E menciona as denúncias “supostamente vazadas para a imprensa antes mesmo que os acusados tenham sido informados”.

A reportagem acusa os procuradores de tentar intimidar suspeitos com barganhas em troca de sua liberdade.


Menciona um parecer elaboradora pela Blackstone Chambergs, de Londres, sugerindo que o comportamento dos procuradores pode ser uma violação da Constituição do Brasil e de vários tratados internacionais.

Os advogados britânicos, especialistas em direitos humanos, ressaltaram que não estão analisando nenhum caso individual, mas levantando preocupações de que “princípios fundamentais da liberdade e da presunção de inocência foram minados pela investigação de Moro”.

Sustenta que a maioria das 75 condenações foram fruto de ofertas de barganha com réus. Lembra que “Marcelo Odebrecht, diretor da construção império Odebrecht - uma das principais empresas no centro da investigação - está na cadeia desde junho sem julgamento”.

Diz que no governo Lula a Odebrecht ganhou contratos no exterior e ele ficou amigo de Lula e que as investigações tentam saber se Lula influenciou o BNDES para conceder empréstimos baratos à Odebrecht.

Finalmente reclama que a punição está sendo mais severa para os empresários do que para os políticos.


Veja a matéria a seguir, em anexo: 

*****

Moro não engana os ingleses

Aqui é o Eliot Ness da Veja !
Colaboração desinteressada de amigo navegante:
Jornal britânico The Sunday Times questiona comportamento de juiz da Lava Jato

The Sunday Times, em artigo assinado pelo editor-executivo Ian Dey sobre o trabalho do Juiz Moro, compara o magistrado brasileiro ao agente do Tesouro dos EUA, Elliot Ness, que levou Al Capone à Justiça e cuja história deu origem ao filme “Os Intocáveis”.

Diz o título:

"Eliot Ness brasileiro está fora de controle"

Segundo o texto, na própria Inglaterra há críticas à postura de “intocável” do juiz Sérgio Moro, que vem sendo acusado por entidades internacionais de “desrespeitar a Constituição Federal brasileira e também tratados de defesa dos direitos humanos em seus mandados de prisão”.

Em alguns casos, acrescenta Dey, há dúvidas se o princípio da inocência está sendo respeitado.

Para o Times, a atitude de Moro levanta suspeitas de que ele estaria se preparando para uma candidatura à Presidência da República nas próximas eleições, “especialmente em um momento de forte pressão pela saída de Dilma Rousseff”.

Menciona, ainda, que o CEO do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, está preso desde junho sem julgamento porque não assinou acordo de delação premiada.

Esses acordos, inclusive, também são alvo de questionamento por especialistas, conclui o texto.

MAKAVELI: Todo branco é racista?


Por Jones Makaveli, em seu blog

Um sujeito de esquerda fez uma postagem afirmando que todo branco é racista. O poste me chamou atenção. Basicamente, ele vê a sociedade dividida entre brancos e negros, afirma que todo branco é privilegiado (e induz a pensar que todo branco no Brasil é rico) e por isso será racista. A certa altura do texto ele diz que "racista é aquele que oprime e/ou se beneficia da opressão direta e/ou indireta de uma raça. É todo aquele que goza de algum beneficio da estrutura social racista!", contudo, diz que o "branco racista" pode ser aliado na luta, combater o racismo, mas mesmo assim continuará sendo racista, pois "seguirá sendo racista enquanto a sociedade assim o for. Enquanto ela o beneficiar pela cor de sua pele” [1]. Esse tipo de discurso é bem na moda na majoritária do movimento negro de base culturalista - estranho é um marxista divulgar isso.

Antes de entrar no conteúdo do texto, é necessário traçar um comentário teórico-político. A produção do conhecimento nunca é neutra. Ela é constituída por determinantes de classe, institucionais, ideológicos, econômicos e geopolíticos. Determinada teoria, tema ou abordagem ser dominante ou marginalizada nunca é produto de um confronto erudito entre os membros do campo científico, como se disputando quem tem a “melhor teoria”. Logo, o foco da crítica e da análise da questão do racismo explícita – mesmo que muitas vezes as pessoas não estejam conscientes disso – a perspectiva de classe, política e teórica. Para um marxista o foco da análise deve sempre ser como as relações materiais de produção e a dinâmica política e ideológica de uma determinada formação social condiciona a produção e reprodução de terminado complexo social em sua gênese, estrutura e desenvolvimento. Ou seja, mesmo que estudemos o racismo através dos seus efeitos em microrrelações, como na escola, nunca podemos perder de vista da totalidade da dinâmica societária comandada pela lógica do capital.

Alguém pode, formalmente, se afirmar marxista, mas na prática, isto é, em debates, produção do conhecimento e militância, está mais preocupado em que fulano “x” reconheça seus privilégios, fulano “y” não use turbante porque é “apropriação cultural”, ou fulano “z” não queria militar contra o racismo porque é branco; o marxismo desse sujeito é apenas uma palavra vazia. Esse sujeito age politicamente e pensa com um misto de liberalismo e pós-estruturalismo. É lógico que não estou cobrando uma análise marxista apurada do racismo nesse post do Facebook, mas a forma como o sujeito construiu o texto e a escolha do seu foco de “análise” é sintomático. Inutilmente podemos procurar a palavra classe, capital, capitalismo ou Estado burguês nesse texto. Dito isso podemos entrar na questão central.

Karl Marx em seu célebre 18 Brumário disse que “os homens fazem sua história, mas não a fazem como querem”. Ou seja, o sujeito histórico da transformação social – que é sempre a classe social – faz a história, mas sobre condições que muitas vezes escapam ao seu controle (as famosas condições objetivas).  Antônio Gramsci avançou nessa direção e criou a categoria de política em sentido amplo, isto é, quando o sujeito histórico toma consciência das suas possibilidades históricas de atuação ditadas pelas condições objetivas, deixa de ser sujeito passivo dessas condições e atua como vetor da transformação histórica. Com esses dois exemplos quero mostrar que na tradição marxista existe uma dialética entre sujeito e estrutura. As condições materiais concretas de uma época forjam o sujeito histórico, mas esse sujeito histórico não é um mero agente passivo, um eterno dominado pela ideologia e as condições dominantes, posto que se assim fosse, a mudança histórica estaria descartada. A classe trabalhadora é dominada pela ideologia burguesa (“as ideias de uma época são as ideias da classe dominante”), explorada e dominada politicamente, mas, através da sua organização política, elevação do nível de consciência e luta pode transformar as condições materiais capitalistas – ou seja, a classe obrera é produto das estruturas, mas ao mesmo tempo pode ser sua negação histórica.

Dito isso, à luz do marxismo, é no mínimo estranho alguém dizer que enquanto existir racismo todas as pessoas brancas serão racistas. É evidente, porém, que no capitalismo dependente brasileiro o racismo é um complexo social constitutivo das relações de produção e poder, e tendencialmente a imensa maioria dos brasileiros serão racistas – afinal, a ideologia dominante é a da classe dominante. Mas negar que uma pessoa – mesmo branca – possa não reproduzir práticas racistas pressupõe a impossibilidade estrutural de o sujeito histórico produzir transformações em sua forma de consciência. Isso ignora que mesmo no capitalismo as forças anticapitalistas, como as organizações comunistas, procuram criar espaços de socialização pautados em outros elementos ideopolíticos e novas práticas sociais. Não é preciso dizer, me parece, que enquanto existir o racismo, mesmo sendo parte um projeto de transformação revolucionária, o sujeito histórico viverá em constante luta contra a ideologia dominante e a superação total da hegemonia burguesia na consciência é pouco provável enquanto não se estiver no processo de transição socialista.

Mas se a superação total das formas ideológicas de consciência burguesas é possível apenas na transição socialista, isso significa que seremos racistas enquanto existir o capitalismo dependente racista brasileiro? A resposta é não! Responder sim significaria ignorar as práticas sociais concretas. Explicando. O autor do post que estamos criticando diz que todo branco será racista mesmo que não tenha práticas sociais racistas, pois “Enquanto ela o beneficiar pela cor de sua pele” será racista. Aqui temos uma antinomia. Nesse caso o sujeito não “é” racista, ele “está racista” por causa de uma estrutura racista que independente do que ele fizer o torno racista – algo como o “suporte das estruturas” bem ao gosto do estruturalismo francês.

O que quero dizer é que mesmo existindo uma tensão constante entre a ideologia dominante e as formas de consciência emancipatórias que combatem as opressões, e que essa tensão é superada nas condições materiais e não na consciência, o sujeito a ser socializado em novas práticas e conjuntos ideopolíticos pode desenvolver uma forma de consciência que condiciona seu agir de um modo a ele não ser um reprodutor de práticas racistas, embora viva no racismo. Dando um exemplo. Todo comunista passou por um processo de níveis variados de superação da ideologia burguesa para lutar pelo socialismo. Continuamos vivendo no capitalismo. Mas, mesmo assim, o comunista age como um não reprodutor da ideologia burguesa em suas microrrelações cotidianas – eu, por exemplo, enquanto professor de História não aplico métodos avaliativos supostamente meritocráticos e formas de “controle” coercitivos em sala de aula.

Mesmo que eu não tenha superado totalmente a ideologia burguesa e que exista uma constante tensão entre a perspectiva ideopolítica comunista e a ideologia burguesa na minha consciência e prática social (o que pode, muitas vezes, produzir atos incoerentes de minha parte), eu consigo, no dia a dia, manter práticas sociais de alguém que não é dominado pela ideologia dominante – considerando todas as limitações estruturais disso, é claro (se a diretora do colégio me mandar mudar o método de avaliação, mesmo eu sabendo os impactos disso, não tem o que fazer, por exemplo).

Para resumir podemos dizer que todo branco dominado pela ideologia dominante é tendencialmente racista, mas existem possibilidades histórico-concretas da superação do seu racismo nas práticas sociais cotidianas, embora que a criação de uma subjetividade totalmente livre do racismo passe por um processo radical de transformação social (a revolução socialista).

FHC confessa pressão da Globo em 1996 para privatizar a Vale

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acabou de lançar o livro “Diários da Presidência, 1995-1996”, Volume 1, pela Companhia das Letras. Nessa obra FHC confessa que no início de seu governo, em 1995, ele não estava totalmente convencido de que privatizaria a empresa estatal Companhia Vale do Rio Doce, “não que tenha alguma reação antiprivatista, mas porque ela é um instrumento muito grande de coordenação de políticas econômicas” (p. 78).
Informa que os ex-presidentes Geisel (p. 102), Itamar Franco (p. 451 e 534) e José Sarney (p. 388 e 799) eram contrários à privatização. Sarney chegou a tentar aprovar no Senado uma norma de que o próprio Senador poderia proibir privatizações de determinadas empresas estatais (p. 801).
Confessa que toda a sua equipe econômica queria a privatização: José Serra, Pedro Malan, Banco Central e Pérsio Arida (p. 388).
Mesmo sendo algo totalmente imoral e patrimonialista, FHC diz com naturalidade que conversava e aconselhava vários grandes empresários sobre como comprar a Vale. Fez isso com Antônio Ermírio de Morais (p. 752) e outros empresários (p. 852).
Após pressão do jornal O Globo em 1996, por meio de editorial (p. 527), FHC decidiu vender a empresa estratégica.
A Vale acabou sendo privatizada em maio de 1997 por apenas R$ 3,3 bilhões para o consórcio Brasil liderado pela CSN de Benjamin Steinbruch, fundos de pensão como a Previ, Petros, Funcef e Funcesp, o banco Opportunity e o fundo Nations Bank. O dinheiro foi para o superávit primário e dar uma folga no orçamento, antes das eleições para prefeito de 1996.
Essas informações são essenciais em tempos do maior desastre ambiental de todos os tempos no Brasil, provocado pela Vale, privatizada em tempos de FHC.

A DIREITA PRIVATIZOU A LIBERDADE (E NÓS DEIXAMOS)


Por Cynara Menezes, via Caros Amigos

Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada, que você pode usar do jeito que quiser. Não usa quem não quer”, dizia o jingle de uma marca de roupa jovem nos anos 1970. É incrível a capacidade que o capitalismo tem de encampar os símbolos de contestação para lucrar com eles. Foi assim com as calças jeans, originalmente criadas como vestimenta para os trabalhadores e que caíram no gosto dos hippies e da contracultura, como forma de protesto contra a caretice geral. De olho no nicho de mercado que se abria, rapidamente o jeans foi transformado em produto rentável, embora continuasse a ser associado ao conceito de “insurreição”, de “resistência”, na publicidade — ao mesmo tempo que, assinado por estilistas famosos, passava a custar os olhos da cara.
Aconteceu igual com o rock, o punk, o movimento LGBT ou o black power. O capitalismo enxerga a tendência e, com ela, a possibilidade de reduzir as lutas ao que interessa: dinheiro. O significado por trás daquilo pouco importa. Tudo é diluído para formar um conjunto belo, colorido e atraente, perfeito para os anúncios e comerciais de TV. O sistema consegue a proeza de lucrar com uma atitude contra o sistema. Marcas de refrigerante são especialistas em vender rebeldia engarrafada.
Tudo isso faz parte, é intrínseco ao capitalismo, e só trouxa cai numa armadilha dessas. Comprar para protestar contra a sociedade de consumo, imaginem. O que me preocupa é o uso que vem sendo feito de uma palavra tão cara à esquerda como “liberdade”. Os malandros praticamente privatizaram a liberdade. Observem ao redor: tudo que a direita cria traz “liberdade” embutida. É liberal para lá, é libertário para cá... Chegou-se ao cúmulo de uma moçada a favor da volta da ditadura militar no Brasil se denominar “Movimento Brasil Livre”.
Enquanto bandeiras como “direitos humanos”, “igualdade racial”, “igualdade social” e “igualdade de gêneros” continuam a ser associadas à esquerda (e providencialmente deturpadas), a “liberdade” foi monopolizada pela direita. Como se eles se importassem e lutassem por ela, enquanto a esquerda, defendem, ecoando a mídia, pretende calar à força as vozes dissonantes e restaurar a censura.
No mundo inteiro, jovens estão sendo seduzidos pela ilusão de que a direita oferece mais liberdade do que a esquerda. Até o mercado é “livre”, gente. Mal sabem eles as prisões a que o sistema os levará: a prisão do consumo, a prisão dos padrões de beleza e comportamento, a prisão da obrigação de “vencer” na vida a qualquer custo, a prisão da competição, a prisão da desigualdade, a prisão de uma imprensa subjugada à elite e ao poder econômico. Talvez seja sofisticado demais entender que liberdade não é só um slogan em busca de ouvidos ingênuos.
Parte da culpa por este fenômeno é da própria esquerda. Infelizmente, quase todas as experiências de socialismo real (com a única exceção do Chile de Salvador Allende) descambaram para a falta de democracia. Países com um só jornal e onde opositores eram encarcerados e até fuzilados não são bem um exemplo de lugares onde se preza a liberdade de seus cidadãos. Sabemos que os Estados Unidos, ao contrário do que ignora a massa de manobra, tampouco são essa “pátria da liberdade” toda, mas o que importa é que a pecha pegou e não fomos capazes de revertê-la até hoje.
Nos apegamos demais, sinto dizer, a ídolos de outras eras. Admiro Ernesto Che Guevara, claro, quem em sã consciência não o admiraria? Mas Che morreu há 48 anos! E, aliás, até ele virou produto nas mãos dos capitalistas... Fidel Castro tem 89 anos. Quando os dois encabeçaram a revolução cubana, o mundo era outro. A esquerda acreditava em outras coisas então. Acreditava em chegar ao poder pelas armas. E que, em certas situações, se justificavam execuções de inimigos. Acreditava que, em nome da revolução, poderia ser preciso sacrificar a liberdade. Muito pouca gente ainda acredita nisso. Evoluímos.
Mas seguimos sendo cobrados pelas circunstâncias do passado e, mais grave: não estamos conseguindo transmitir que, para nós, nada vale mais do que a liberdade humana e que somos nós que a defendemos de fato e de direito — a começar que a defendemos para todos, e não apenas para alguns. Somos nós que questionamos quando alguém vai preso injustamente. Somos nós os primeiros a sair em defesa de um jovem negro quando ele é espancado pela polícia apenas por ser “suspeito”. E ainda que seja culpado, acreditamos na capacidade do ser humano de se recuperar, enquanto a direita, que tanto fala em liberdade, defende que “bandido bom é bandido morto”.
Somos nós os reais defensores da liberdade de expressão, porque pregamos que todos os grupos sociais deveriam ter direito à voz, e não apenas a elite. Acusam-nos de querer censurar, mas é a direita quem tenta intimidar jornalistas com calúnias, agressões e processos judiciais. Somos contra a pena de morte. A direita a defende. A liberdade é uma falácia na boca dos conservadores, tanto quanto é para vender jeans. O pior é que tem gente que compra.
Uma coisa é certa, porém: a esquerda precisa resgatar a liberdade. Precisa se inspirar no que Pepe Mujica, que passou quatorze anos preso, diz: “Inventamos uma montanha de consumo supérfluo. E o que estamos gastando é tempo de vida. A vida se gasta e é miserável gastar a vida para perder a liberdade.” É este tipo de discurso que deve guiar nosso futuro, com a liberdade no centro de tudo — uma liberdade genuína, que nada tem a ver com a empulhação marqueteira da direita, e muito mais difícil de colocar à venda.
* Cynara Menezes é jornalista e editora do blog Socialista Morena (socialistamorena.com.br).

Ela vai usar todo o dinheiro que ganhar com seus desenhos para ajudar refugiados no Brasil


Por Larissa Baltazar, via Brasil Post

"Um dia eu vi umas cenas terríveis dos refugiados sírios atravessando o mar mediterrâneo. Eu me emocionei com a imagem de uma menina. Ela tinha mais ou menos a minha idade e fez a travessia de barco usando uma boia de brinquedo na cintura para salvar sua vida. Foi ela que inspirou o primeiro desenho da minha exposição"


É assim que Sophia Maia, a pequena pernambucana de nove anos, explica o motivo de voltar seu talento para retratar refugiados em seus desenhos

Após ver a crise dos refugiados tomar conta dos noticiários, a pequena artista decidiu que queria ajudá-los e contou com a ajuda dos pais e "pessoas bacanas que foi encontrando no caminho" para vender seus trabalhos em uma exposição e doar o dinheiro aos refugiados no Brasil. 

Segundo o Diário de Pernambuco, todo o dinheiro arrecadado será doado à ONG Adus (Instituto de Reintegração do Refugiado - Brasil), sediada em São Paulo. 

O evento, que foi batizado como Imaginário, acontecerá nos dias 12 e 13 de dezembro na Galeria Suassuna, na zona norte do Recife. Serão 45 quadros que vão custar entre R$ 150 e R$ 200 cada. 

“Mal posso esperar para entregar a doação e, quem sabe, conhecer crianças sírias como as que me inspiraram”, disse Sophia ao jornal. Sobre o futuro, ela conta que ainda planeja ministrar cursos de desenho para crianças carentes do Recife.

Se liga em alguns trabalhos espetaculares de Sofia:










Serviço:
Galeria Suassuna, 454 - Praça de Casa Forte - Recife
11 e 12 de dezembro - 18 horas

domingo, 29 de novembro de 2015

Mais tropas alemãs e espanholas no Mali*


A presença imperialista e neocolonial na África subsariana amplia-se. A acção dos bandos terroristas fornece uma justificação imediata para esse processo, numa articulação tão evidente que dificilmente se poderá considerar acidental. E essa crescente presença militar não tem reflexos na diminuição da violência.

Por Carlos Lopes Pereira, via ODiario.info

Aumenta a presença e intervenção de tropas estrangeiras no Mali, contudo impotentes para travar a actividade dos grupos radicais islâmicos armados.

O recente ataque a um hotel em Bamako, com captura de reféns, bem como a operação de resgate e as investigações que se seguiram, evidenciam a crescente ingerência militar ocidental naquele país africano.

Há ainda dúvidas sobre o que se passou exactamente na sexta-feira, 20, no luxuoso Radisson Blu da capital maliana. O procurador que dirige o inquérito declarou que morreram 22 pessoas, incluindo dois atacantes. «Todos os testemunhos apontam para apenas dois terroristas», assegurou Boubacar Samaké. As primeiras notícias após o atentado, que envolveu 140 hóspedes de diversas nacionalidades e 30 empregados, referiam um maior número de vítimas e de assaltantes.

Segundo o inquiridor, os autores do atentado «beneficiaram de cumplicidades para entrar no hotel» e para «cometer o crime». Outras fontes, dos serviços secretos malianos, citadas pela revista Jeune Afrique, indicam que os atacantes eram «estrangeiros», de língua inglesa, e que teriam sido auxiliados por cúmplices locais, pelo menos três, procurados agora pela polícia.

A acção foi reivindicada pelo grupo Al-Murabitune, liderado pelo argelino Mokhtar Belmokhtar, com a «participação» da Al-Qaeda do Maghreb Islâmico (Aqmi). Uma outra organização, do centro do Mali, a Frente de Libertação de Macina (FLM), assumiu também a autoria do assalto, «com a colaboração do Ansar Dine», chefiado por Iyad Ag Ghaly. As autoridades não excluem uma convergência entre vários bandos mas admitem que a dupla reivindicação vise sobretudo confundir os investigadores.

O tunisino Mongi Hamdi, chefe da missão das Nações Unidas no Mali (Minusma), um contingente de 10 mil homens, reconheceu que «os terroristas estão bem implantados no Mali, apesar de todos os esforços» para os combater, desde a intervenção militar francesa, em Janeiro de 2013. Nessa altura, o Movimento Nacional de Libertação do Azawad (MNLA), de nacionalistas tuaregues, tinha proclamado a independência do Norte do Mali. Aliou-se de início a grupos de radicais islâmicos, como o Ansar Dine, o Aqmi e o Movimento para a Unidade e a Jihad na África Ocidental (Mujao), todos eles ainda activos.

Apesar da maciça presença de tropas ocidentais no Mali, as acções jihadistas multiplicaram-se nos últimos meses.

Em Março, um homem causou cinco mortos, num assalto a tiro ao bar-restaurante La Terrasse, no centro de Bamako, frequentado por expatriados e ocidentais de passagem. Em Maio, uma residência da Minusma foi alvo de tentativa de invasão. Dias depois, um comboio de tropas da ONU foi metralhado à saída do aeroporto, tendo morrido um capacete azul. Em Junho e Agosto, fora da capital, registaram-se ataques nas cidades de Misseni e Sévare, com várias baixas. Os serviços de segurança malianos afirmam ter impedido outros atentados.

Tropas especiais estado-unidenses

No inquérito sobre os acontecimentos no Radisson, participam peritos franceses e da ONU ao lado das autoridades malianas. Mas o envolvimento estrangeiro no caso é anterior e mais amplo.

Na operação de resgate dos reféns, ao longo de mais de sete horas, participaram tropas especiais do Mali, da Minusma, de França e dos Estados Unidos.

Os franceses despacharam de Paris para Bamako 40 elementos das forças antiterroristas e deslocaram tropas estacionadas no Burkina Faso. A França tem na zona um forte dispositivo militar, de três mil soldados, com quartel-general em N’Djamena, capital do Chade, para defender os seus interesses neocoloniais na zona do Sahara e do Sahel. Além disso, possui na região bases e tropas no Senegal, na Costa do Marfim, no Níger e no Gabão.

Os Estados Unidos, soube-se agora, mantinham em operações no Norte do Mali «um pequeno grupo de forças de segurança», que ajudou a resgatar cidadãos norte-americanos do hotel – a informação foi confirmada pelo general David Rodriguez, chefe do Africom, o comando militar estado-unidense para África.

Já depois dos atentados de 13 de Novembro em Paris, dirigentes da Alemanha e de Espanha disponibilizaram-se para «ajudar» a França a combater o terrorismo. Madrid ofereceu-se para substituir parcialmente as tropas francesas no Mali e na República Centro-Africana. Angela Merkel está pronta para aumentar o contingente de soldados alemães no Mali, onde a União Europeia dispõe já de uma missão de meio milhar de especialistas militares, a pretexto de formar e treinar as forças armadas malianas.

*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2191, 26.11.2015

O capitalismo de compadrio no Brasil e em outros países


Por André Araújo, via GGN

O CAPITALISMO QUE TEMOS - O prezado comentarista J.C. Pompeu, a propósito de meu post de ontem sobre a Lava Jato travando a economia, disse que eu aqui defendo o "capitalismo arcaico brasileiro". Pode ser, mas é o capitalismo que temos, não há outro na prateleira para por no lugar.
Um dos defeitos profundos do caráter brasileiro é subestimar o País, nossas coisas e nossas realizações. Tudo lá fora é melhor, segundo essa visão tão arraigada entre brasileiros, especialmente de São Paulo.
É um grave erro de avaliação. O "capitalismo de compadrio" de fato existe no Brasil. Mas existe em MUITO MAIOR escala na China, na Índia, em toda a Ásia, na Rússia, no Oriente Médio, no México, em toda a América Latina.
Existe também com outra roupagem nos Estados Unidos. A diferença lá é a clareza, a explicitude das relações entre empresas e governo, nada é escondido, tudo é a luz do dia, mas as relações do Estado com as empresas não diferem muito do que ocorre aqui. As grandes companhias de armamentos tem fantásticos lobbies em Washington para influenciar o Congresso a alocar verbas no orçamento para seus projetos de novas armas, as doações de campanha são de bilhões mas é tudo legal, usam o modelo do Political Action Committees, onde se doa para comitês pró-causas, sem vincular com candidatos, mas esse dinheiro acaba bancando campanhas que beneficiam um determinado candidato que apoia aquela causa, o valor que as empresas podem doar não tem limite.
O capitalismo só funciona em boas relações com o Poder, não há capitalismo neutro e limpinho em nenhum lugar do planeta, nós não somos tão arcaicos, talvez mais provincianos, com roupa caipira, mas os métodos não mudam muito e tem lugares onde as coisas são muito piores, como na China e na Rússia, o poder do Estado e o poder das grandes corporações se confundem, a mesma coisa na Coreia do Sul, no Japão é mais sutil mas os grupos "pesados" Mitsui, Mitsubishi, Fuji, Sumitomo, Toyota, tem relações profundas com o MITI, o Ministério do Comércio Exterior japonês, operam em conjunto.
Na França a promiscuidade entre Estado e capitalismo é total há séculos, a moda é coordenada pelo Comité Colbert, o armamento é coordenado pela DGA do Ministério da Defesa. Na Inglaterra, em um passado não tão longínquo a Royal Navy era cobradora dos bancos ingleses, os navios da esquadra apontavam canhões para resgatar dívidas, como fizeram em Alexandria em 1882 e na Venezuela no começo do Século XX. Não fazem mais isso mas o espírito é esse, o governo ajuda as empresas sempre, porque as empresas são consideradas sócias do Estado e sustentáculo da Nação.
Somos inferiores, sim, em reconhecer o interesse nacional a ponto de queimar numa fogueira da inquisição empresas brasileiras de projeção internacional e agora o maior banco de investimento dos BRICS, o BTG Pactual, que se preparava para resgatar com fundos do banco oficial japonês de fomento o programa de sondas para o pré-sal, o Brasil receberia do Japão mais de US$6 bilhões de dinheiro novo, projeto que levou um ano para preparar, liquidado com a prisão do CEO do banco, sob aplausos da Globo e do Senado brasileiro, suicidas de vocação, esquecendo que quando afunda o navio morrem os marinheiros e também o comandante. Arcaicos são os justiceiros que destroçaram ativos de valor incalculável, o maior dos quais é a imagem do País e de suas empresas no exterior, colocar a sujeira na janela não melhora a reputação da família.

Black Friday? Nem de graça...




Imagens dos Estados Unidos na black friday de 2015: seis minutos de pura selvageria, uma das melhores sínteses do estágio a que a obsessão pelas quinquilharias do consumo e pelas migalhas das liquidações atingiu no jovem século XXI. 

É a nova centralidade da cultura...

BLACK FRIDAY: IMPORTAÇÃO DA LOUCURA


Por António Santos, via Manifesto 74

Depois do 'Halloween' e dos 'baby showers' é chegada a vez da 'Black Friday': a última moda made in USA a ser bacoca e acriticamente importada para a coutada do Soares dos Santos a que alguns ainda chamam Portugal.

A Black Friday, que tem a sua origem no último quartel do séc. XIX, nas paradas de chegada da época natalícia que despediam o Dia de Acção de Graças, foi evoluindo de um simples dia de descontos para a efeméride alegórica do próprio capitalismo: nos EUA, centenas de milhares de pessoas passam a noite ao relento para, de madrugada, se atropelarem numa corrida aos bens que durante o remanescente do ano, lhes são inacessíveis. Os trabalhadores destas lojas, por outro lado, são forçados a trabalharem horários desumanos, por vezes superiores a 24 horas, amiúde sem qualquer compensação. 


Nunca como hoje, em toda a História, as sociedades humanas conheceram semelhante capacidade produtiva: somos capazes de produzir literalmente tudo em quantidade suficiente e velocidade suficiente para suprimir duas vezes todas as carências básicas da população mundial e, mais ainda, deparamo-nos com problemas contínuos de superprodução, em que fabricamos tantos bens supérfluos que o sistema capitalista não os consegue escoar no mercado. E, contudo, malgrado o inconcebível excesso de brinquedos, telemóveis, computadores, ténis, roupa e televisões nos armazéns, há pessoas que se agridem e matam para poder comprar primeiro um estúpido bem de consumo

Há poucos anos, quando vivia em Nova Iorque, recordo-me de passar, a caminho de casa, pela Macy's, uma destas enormes superfícies. Pouco passava das oito da noite. À porta, sob temperaturas glaciais, esperavam milhares de pessoas. A abertura era às cinco da manhã. Soube pelas notícias, no dia seguinte, que nessa noite morreu um trabalhador, literalmente atropelado pela manada de consumidores em fúria.


Poderão responder-me que «isso é nos EUA», mas não há qualquer razão para que o mesmo não aconteça em Portugal, ou já não nos lembramos das infames campanhas do Primeiro de Maio levadas a cabo pelo Pingo Doce? Não há nada de «americano» no que matou aquele trabalhador da Macy's. A ansiedade, insegurança e loucura geradas pelo consumismo, doença infantil do capitalismo, não têm nacionalidade.

Até porque, na raiz da Black Friday estão fenómenos económicos e não culturais: à medida que o capitalismo opta, paulatinamente e ao sabor das crises, por dinamitar salários, meios de produção e postos de trabalho como forma de contrariar a queda tendencial das taxas de lucros, a produção, mesmo que deslocalizada, continua a crescer. Eis então o velho sistema capitalista a coxear nas maleitas de há duzentos anos: demasiados produtos para um mercado incapaz de o absorver. É neste contexto que surgem os mirabolantes descontos de 50 por cento: durante um dia, o capital vende por metade do dobro do preço os produtos de que precisa, mortalmente, de conseguir escoar para, no dia seguinte, respirar fundo mais uma vez. Desta forma, à medida que se agudiza a crise estrutural do capitalismo, maiores, mais frequentes e mais absurdos serão os «descontos» publicitados.


Não faltará quem queira desculpar a morte daquele trabalhador da Macy's com a «natureza humana». Mas, curiosamente, nenhum dos sedentos consumidores agiu por instinto assassino; ninguém quis matá-lo; ninguém decidiu matá-lo. Foi a soma quantitativa de indivíduos que se transformou no trágico desfecho qualitativo: o materialismo dialéctico, aplicado à loucura.

sábado, 28 de novembro de 2015

O roteiro do suicídio político do PT, que vai custar caro à esquerda

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Um vai em 2016, o outro em seguida…

Por Luiz Carlos Azenha, em seu blog
Como escrevemos anteriormente, aqui e no Facebook, o mar de lama da Samarco teve também uma dimensão simbólica.
Explicitou que a captura das instituições públicas brasileiras pelo poder econômico é absoluta.
A Samarco disse que a lama não era tóxica, que estava “monitorando” a enxurrada, etc. etc.
A empresa e uma de suas controladoras, a Vale, assumiram papeis que cabiam ao Estado, dentre os quais distribuir água.
Das autoridades não saiu um pio, a não ser pelo anúncio de multas milionárias que afinal não serão pagas.
O governo de Minas cassou a licença para a Samarco operar em Mariana, como se ela ainda fosse capaz de fazê-lo.
Duas decisões judiciais tomadas no caso favoreceram a empresa: uma rapidíssima liminar para desbloquear a ferrovia por onde passa minério e o habeas corpus preventivo que impede a prisão do presidente da Samarco.
Toda uma bacia hidrográfica destruída, praias e oceano poluídos… uma verdadeira catástrofe.
Enquanto isso, quatro jovens foram presos por “crime ambiental”: sujaram de lama um corredor do Congresso.
É óbvio que esta múltipla falência de órgãos engloba o PT e o governo Dilma.
Um breve roteiro do suicídio político, incluindo apenas fatos recentes:
1. Ganhar uma eleição e governar com o programa econômico alheio;
2. Colocar toda a conta da austeridade nas costas dos trabalhadores;
3. Propor uma lei antiterrorista que, lá adiante, em 2018, servirá para a direita demolir os movimentos sociais, permitindo a ela aprofundar ainda mais, se necessário, a depressão econômica do Levy.
Para completar, Delcídio do Amaral, denunciado aqui e aqui como homem que articulava barbaridades contra o Brasil e os movimentos sociais, é flagrado em conluio com um banqueiro para evitar uma delação premiada.
Por mais que seja um petista de DNA tucano, é o líder do governo Dilma no Senado!
A partir dos depoimentos, a mídia fará, obviamente, o que sempre fez: criminalizar alguns e poupar os seus.
Mas o suicídio político é do PT. Por exemplo, ao sugerir que sua bancada votasse pela soltura de Delcídio.
Para todos os efeitos, 25 de novembro é o dia em que o PT se afogou em público, sob os olhares dos 300 picaretas do Congresso.
O que virá? A delação do Cerveró, possivelmente do próprio Delcídio, do banqueiro Esteves… um efeito em cascata que vai arrastar gente graúda, com o efeito prático de paralisar o governo Dilma.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, um quadro de primeira qualidade, acusou o baque numa entrevista ao Estadão:
“Quando você tem um sonho de transformar a sociedade em favor da igualdade e você se desvia para se apropriar de recursos ou para beneficiar quem quer que seja, você está cometendo dois crimes: o primeiro é colocar a mão em recurso público, o segundo, você está matando um projeto político”.
Uma delicada nota de falecimento.
Quanto à esquerda que sobreviver ao PT, tem encontro marcado com a lei antiterrorismo logo ali adiante. A não ser que, como o PT, priorize os gabinetes.

Lição de Anatomia revisitada

Nani

Pernambuco vai mal (herança maldita de Eduardo Campos): Flores para o senhor Paulo Câmara

Rindo de que, cara pálida?

Por Michel Zaidan Filho, via Blog Realpolitik

Um verdadeiro escárnio a notícia que circulou, ontem, no Blog do Jamildo, sobre um processo licitatório para comprar 90.000,00 de coroas e arranjos florais para o Gabinete do senhor Paulo Henrique Saraiva Câmara. A princípio, pensei que podia haver alguma relação entre as coroas e os arranjos florais e os “anjinhos” que morreriam em razão da Chikungunya, da Microcefalia ou das outras moléstias transmitidas pelo mosquito da Dengue. Ou para as novas vítimas de homicídio que morram na cidade do Recife, ou ainda, para serem oferecidas como pedido de desculpas às inúmeras pessoas que são vítimas de arrastões nos pontos de Ônibus ou estações de Metrô, na capital pernambucana.

Num momento de tanta dificuldade financeira, com vários prestadores de serviço da Saúde sem receberem seus salários atrasados, com hospitais fechando por falta de dinheiro, escolas sem merenda ou sem poderem pagar o aluguel de seus prédios, aumento de impostos sobre os mais pobres, perda de emprego e redução da massa salarial dos trabalhadores, o senhor governador do Estado se preocupa em ornamentar seu Gabinete com um verdadeiro jardim de coroas e arranjos florais que custará aos cofres públicos a bagatela de 90.000,00.  Será que o senhor Câmara não tem mais com que gastar o dinheiro público, confiscado de seus concidadãos que andam de cinquentinha e usam telefone celular?

Depois, vem a proposta genial: fazer um mutirão com a população do Recife para caçar o mosquito da Dengue, transmissor das moléstias (ainda sem causa determinada) que colocam em risco a vida de mais de 400 crianças em Pernambuco. E onde se encaixa a Vigilância Sanitária, a Secretaria de Saúde, a Compesa(r), a Emlurb, o serviço da coleta de lixo, os médicos da família? – Só na propaganda cara e enganosa da televisão? – A Saúde Pública é dever e competência do senhor governador do Estado. Se ele não oferece adequadamente os serviços de limpeza pública, coleta de lixo, tratamento de esgoto, água tratada, vias públicas em perfeito estado de conservação, para que pagar impostos ou a conta da água (que não chega)? – Transferir a responsabilidade da limpeza e Saúde Pública para a população é um descaramento sem limites! (Nenhum população será educada o suficiente, se seus governantes não dão exemplo de austeridade e eficiência no trato do dinheiro público).

Pior é ver a cara(lisa) dos seus secretários e ajudantes: o distinto secretário de saúde, que administra o seu próprio negócio (o IMIP) no exercício do cargo. O que este cidadão tem a dizer sobre a Saúde Pública de Pernambuco? – Já a do IMIP vai bem muito obrigado! Será que não resta um pingo de interesse público nessa administração, para além das falácias da propaganda institucional da educação boa, da saúde boa, do voluntariado bom e do governo maravilhoso que nós temos? 

P.S.: Pelo menos, lembre-se de enviar algumas dessas coroas para as famílias enlutadas com as doenças transmitidas pelo mosquito impatriótico da Dengue e das vítimas de homicídios e assaltos no estado de Pernambuco.


* filósofo, historiador, cientista político, professor titular da Universidade Federal de Pernambuco e coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia - NEEPED-UFPE