LULA PRESO POLÍTICO

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Pondé precisa entender que as feministas não são culpadas por suas frustrações sexuais

Que este senhor entende de feminismo?
Que este senhor entende de feminismo?

Por Nathalí Macedo, via DCM
Eis o grande problema da geração das redes sociais: qualquer pessoa acha que pode opinar sobre absolutamente qualquer coisa.
Luíz Felipe Pondé, por exemplo – “filósofo” direitista, “pensador” reacionário e rei das gafes na internet – resolveu, recentemente, usar a sua conta no Twitter para falar sobre feminismo. É um tema que não domina, não vivencia e sobre o qual – aposto – não leu uma linha sequer.
Acaso fosse mais bem informado, evitaria a vergonha alheia que seus últimos tweets têm causado. A impressão que se tem – a julgar pela febre vertiginosa de postagens aleatórias sobre o tema – é de que Pondé foi enxotado por alguma feminista e resolveu, pateticamente e sem nenhum embasamento, pôr a culpa no feminismo.
A última pérola do “filósofo” é de doer os olhos: “Uma coisa é combater crime sexual, salário discriminatório, outra coisa é se meter na forma com que os outros gozam.”
Parece que o nosso Sartre dos panelaços acha que homens podem ditar pelo que o feminismo pode ou não lutar. Ele ainda não entendeu que um homem não pode dizer o que as feministas devem fazer porque não vivencia a nossa luta. Se esse homem for direitista e reacionário, pode menos ainda.
Mas ele continua. O show de absurdos parece nunca acabar:
“Ao se meter embaixo do lençóis, essas feministas azedas atrapalham a já difícil vida sexual cotidiana.” “Quando vamos perceber o fato óbvio de que o feminismo é a nova forma de repressão social do sexo?” “A liberdade sexual acabou e em seu lugar nasce a heterofobia.” “Antes eram as freiras que odiavam o sexo, hoje são as feministas mais chatas: para elas nada de ficar de quatro ou de “engolir”
Temos aqui, ao que me parece, o retrato do fracasso sexual de um senhor de meia idade que tira fotos engraçadas segurando cachimbos e brada no twitter para amenizar o azedume de sua “já difícil vida sexual cotidiana.” Pondé precisa compreender que as feministas não são as culpadas por suas frustrações sexuais.
Há inúmeras outras explicações mais simples e mais prováveis: papo desinteressante e ejaculação precoce, por exemplo.
Digo porque a ideia de que “feministas azedas” odeiam sexo é, para mim, novíssima. Nós gostamos tanto de sexo que lutamos pelo direito de fazê-lo sem julgamentos, sem opressão e sem objetificação.
Não é à toa que gritamos a plenos pulmões em todas as marchas das vadias do Brasil: “ei, machista, meu orgasmo é uma delícia!” Nós transamos, gozamos, ficamos de quatro e engolimos, sim – mas só quando nós queremos e com quem nós queremos. As feministas não odeiam sexo: elas odeiam sexo com homens como Pondé.
Nós escolhemos – porque nós podemos escolher – aqueles que compreendem a nossa liberdade e sabem que não se faz sexo só com o pênis – faz-se com o corpo inteiro e com uma boa dose de consciência. Se Pondé não se adequa a esse perfil, lamento: a culpa não é do feminismo.
O grande problema dos homens machistas – em se tratando especificamente de sexo – é que uma mulher empoderada sabe que sua sexualidade deve, antes de tudo, servir a ela mesma; ela não volta a sair com um homem que goza e ronca em alguns minutos.
Ela não se contenta com o feijão com arroz com que homens como Pondé, provavelmente, estão acostumados “quando se metem entre os lençóis.” Ela sabe que sexo não é moeda de troca e que nenhuma mulher precisa fazer, na cama, nada além do que dê prazer a ela mesma e ao seu parceiro.
O grande “filósofo” ainda não entendeu, mas sexo é também um ato político. E quando uma mulher se empodera – dentro e fora da cama – ela passa a fazê-lo com mais liberdade, intensidade e respeito ao próprio prazer.
E para um homem inteligente, ver sua parceira mais empoderada e, portanto, mais livre, é positivo. Comemora-se que uma mulher perca os pudores, conheça a si mesma e aprenda a sentir prazer em vez de servir como mero objeto para o prazer alheio.
Para um homem medíocre, ao contrário, é incômodo: e incomoda porque tira-o da zona de conforto, obriga-o a ir além do papai e mamãe – o que homens como Pondé provavelmente não querem fazer.
Os homens medíocres preferem que suas parceiras permaneçam sonsas, pudicas, desinformadas, omissas, quase mortas. Isso lhes facilita a “já difícil vida sexual cotidiana.”
Não posso culpá-lo, entretanto: ele é apenas o retrato patético de uma direita que demoniza e deturpa toda evolução social porque, por mediocridade, não consegue acompanha-la. “Quem não sabe rezar xinga a deus”, diria a minha avó.

A direita brasileira é uma piada (sem graça).
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