LULA PRESO POLÍTICO

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

“Amo meu país, mas ele está cheio de lixo”

Stephen King. / FRANÇOIS SECHE 

Via El País

Uma entrevista com Stephen King que todo coxinha deveria ler.

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Como é a sua relação com o dinheiro?
Nunca aprendi a ser rico, não dão aulas disso e não cresci com dinheiro. Quando pequeno costumava pedir 25 centavos para ir ao cinema ou trabalhar colhendo batatas. Nunca pensei que teria muito dinheiro. Minha mãe passou seus últimos dez anos cuidando dos seus pais e em casa nunca houve liquidez. Nesses casos, se, de repente, você põe a mão numa fortuna, pode se tornar vulgar e comprar um enorme Cadillac, paletós de três peças feitos sob medida e sapatos caros. Mas eu cresci numa comunidade ianque onde a ostentação não é bem vista. Depois me casei com uma mulher muito apegada à terra que teria rido muito se eu tivesse voltado para casa com um casaco de pelo de camelo. Ela teria dito: "Quem você acha que é? Mohamed Ali?". Apesar de que eu me venderia como uma puta por sapatos ou por carros, só tenho um carro elétrico. Vivemos modestamente e damos dinheiro às livrarias das cidades pequenas, à Unicef, à Cruz Vermelha. Seguimos o lema de J.P.Morgan: o homem que morre milionário morre fracassado. O dinheiro serve para pagar as contas, fazer teu trabalho, ajudar à minha família e ao meu sogro.
Ou seja, você é um self-made man com consciência social,que pede para pagar mais impostos do que os que já paga.
Todo mundo deveria pagar impostos de acordo com sua renda. Eu gosto de pagá-los só para boas causas, e não para custear guerras no Iraque, que foi a mais estúpida do mundo. Nesse sentido, encarno o sonho americano, embora sem Cadillac.
Também faz campanhas contra a venda livre de armas. Uma causa perdida?
O problema não são as espingardas de caça. 70% dos EUA é rural, e não vejo problema em que as pessoas cacem cervos e os comam. Ter revólveres em casa também não me parece ruim, eu mesmo tenho um, descarregado e longe do alcance das crianças. O grande problema, o que me deixa fora de mim, são as armas semiautomáticas. Dão 40, 60 ou 80 tiros seguidos, como a que se usou na matança de Connecticut. É vergonhoso que se vendam, mas o lobby da Associação Nacional do Rifle trabalha para os fabricantes de armas e se baseia na fantasia de que os EUA são como há 50 ou 60 anos. Dizem que as mortes de crianças são o preço a se pagar pela segurança. A cultura pistoleira forma parte da cultura americana, mas odeio isso, me dá nojo. Depois perguntam por que nunca venho à França ou à Alemanha: porque são civilizados e eu sinto vergonha de ser norte-americano. Amo o meu país, mas ele está cheio de lixo.
Quem ganhará a guerra entre Obama e o Tea Party?
Os do Tea Party são uns idiotas e uns racistas que atacam Obama basicamente porque tem a pele escura. Quando Bush arruinou o mundo inteiro em 2008 com suas ideias ultraliberais, não disseram nada. Agora esse alienígena cresceu dentro do Partido Republicano e não vai parar até destruí-lo, o que não me parece ruim. Sua única ideia é paralisar o governo, sem se dar conta de que a situação econômica está muito melhor do que com Bush. São como uma obstrução intestinal. Espero que em 2014 os americanos decidam dar esses 30 assentos a 30 democratas. Tudo melhorará. Em todo caso, se estão incomodados com Obama, pior vão ficar em alguns anos: o próximo presidente usará saias.
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Entrevista completa AQUI
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