LULA PRESO POLÍTICO

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Carta aberta ao medíocre Fábio Júnior



Como ultimamente no Brasil voltou à moda o envio de cartas, vou deixar “vazar” a minha também, endereçada ao “músico e ator” Fábio Corrêa Ayrosa Galvão, o popular Fábio Júnior.


Caro Fábio;

Nesta semana percebi um outdoor na cidade em que moro anunciando uma apresentação sua, em um evento com apoio do Ministério da Cultura. Reagi com muita tristeza e certa indignação.

Como pode um artista, depois dos xingamentos proferidos com palavras de baixíssimo calão, dirigidas à maior chefe de estado do seu país em uma apresentação na cidade de Miami, ser convidado para participar novamente de um evento apoiado pelo Governo Federal?

Em relação à sua atitude, na ocasião, me causou repulsa, nojo, mas de forma alguma surpresa, uma vez que a sua atitude é exatamente o que se espera de um artista absolutamente medíocre, que criou fama a partir de uma imagem fabricada e vendida pela televisão, tanto é verdade que agora que a grande mídia percebeu que sua imagem não atende mais aos pobres parâmetros criados por eles, criaram um artista a partir da imagem do seu filho, também músico, com as mesmas características fabricadas em ti há muitos anos. Aliás, a criatividade e evolução da nossa grande mídia chega a ser comovente.

Um artista de verdade sabe de sua responsabilidade e de sua influência nas pessoas, e pode sem problemas usar isso para criticar figuras públicas, mas o xingamento e agressões gratuitas só demonstram falta de educação, falta de respeito, ignorância ou simplesmente falta de caráter. Um artista de verdade deve, especialmente no exterior, exaltar as coisas boas de seu país, aumentando a estima de nosso povo, carimbando ainda mais nossa identidade cultural, nunca deveria prejudicar propositalmente a nossa imagem e incentivar o velho e estúpido complexo de vira-latas que assola parte da nossa população.

Mas você sabe que certamente nunca chegará aos pés de artistas como Tom Zé, Chico Science, Zeca Baleiro, Chico César, Fred Zero Quatro, Gilberto Gil, Luís Gonzaga, enfim, poderia citar muitos e muitos outros, mas fiz questão de citar apenas alguns artistas da região nordeste brasileira, para fazer uma pequena analogia:

O Nordeste do Brasil é a região mais ignorada pela nossa grande mídia. É lembrada por 3 dias no ano nos jornais durante o Carnaval e esquecida ou depreciada nos outros 362 dias. Em contrapartida, é a região do Brasil onde se encontra grande parte da nossa diversidade social, dos nossos valores humanos, da nossa arte, do nosso ritmo, das nossas belezas naturais, da nossa história, da riquíssima cultura brasileira. Infelizmente, nossa grande mídia sempre teve vocação entreguista e colonialista, por isso se esforça diariamente para esconder do nosso povo toda a beleza do Brasil, para enterrar qualquer espírito nacionalista que possa haver em nossas pessoas e para depreciar o nosso país, por isso a cada dia ouvimos que no Brasil nada funciona, que se isso fosse na Europa funcionaria... que se fosse nos Estados Unidos seria diferente... mas aqui é o Brasil..., enfim, os poucos donos da nossa grande mídia odeiam o Brasil, e por isso escondem o Brasil dos brasileiros, por isso que enterram qualquer menção às milhares de coisas boas que temos no Brasil, qualquer coisa genuinamente brasileira que funcione, seja pública ou não.

Imagino que tua sensação e tuas motivações devam ser parecidas com as da nossa grande mídia, com a qual sua história é intimamente ligada. Se as pessoas realmente conhecerem o Brasil e os nossos excepcionais artistas, podem perceber que a imagem que receberam da televisão a seu respeito desde que você começou a cantar na década de 70 (músicas em inglês, logicamente) não é exatamente correta. Podem perceber o quanto medíocre você é como cantor e como compositor, e nesse caso obviamente sua carreira não se sustentaria.

Gostaria, de coração, que sua apresentação aqui estivesse completamente vazia, mas infelizmente sei que isso não acontecerá, porque o poder da nossa grande mídia na criação de ídolos é muito grande, porque só dessa forma seria possível que um músico absolutamente comum e que nunca acrescentou nada na riquíssima música popular brasileira, pudesse ter a fama que você teve.

Respeitosamente;


Daniel Rech
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