LULA PRESO POLÍTICO

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segunda-feira, 14 de março de 2016

Cinco lições das Operações Lava Moro e Triplex Promotores. No vácuo deixado pela Operação Congonhas, Conserino tenta emplacar a medalha de ouro da prisão de Lula, sem provas. Mas afinal, quem se importa com isto?

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Por Flávio Aguiar, via Carta Maior

1. A Operação Congonhas, deflagrada pela Polícia Federal a partir de uma autorização exarada pelo juiz Sérgio Moro, da República de Curitiba, tinha por objetivo claro levantar voo do aeroporto paulistano em direção a capital paranaense com o ex-presidente detido. O avião partiria sob o aplauso delirante (ponhamos delirante nisto) da multidão de coxinhas que frequenta o aeroporto. No Afonso Pena e arredores, parlamentares e próceres da oposição aguardavam a chegada deste curioso “avião presidencial” para festejarem a ação. Somente razões muito fortes impediram a realização deste plano. As candidaturas a estas “fortes razões” são: 

a. A decidida ação da guarnição da Aeronáutica responsável pelo aeroporto, cujo comandante vetou o voo e cercou o avião*; 

b. Um telefonema partido do STF para o juiz Moro, impondo o cancelamento da operação; 

c. A multidão de correligionários e simpatizantes do ex-presidente que acorreu a Congonhas, onde houve um risco de confronto entre as partes, o que transformaria a festa dos coxinhas num conflito de proporções imprevisíveis; 

d. O pronto repúdio à operação da parte de personagens de quadrantes muito diferentes, até ex-ministros dos governos do PSDB, além do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo. 
 
2. Frustrada a Operação, colunistas da Globo voltaram-se sem pejo para as Forças Armadas, sugerindo “garantias da ordem”. Porta-vozes destas abortaram também esta outra operação, reiterando que quem as comanda é a presidenta. 
 
3. O juiz Sérgio Moro caiu num limbo, desacreditado tanto pela operação quanto pelas  negativas de fora ele quem ordenara de pronto a “condução coercitiva.


4. O Instituto Paraná de Pesquisas tentou levantar a sua bola, apresentando-o com o potencial de 67% de votos para presidente da República, numa pesquisa sui-generis, sem adversários. É bom lembrar que a Operação Mãos Limpas na Itália, tão citada pelos admiradores da Lava Jato, levantou a bola de Sílvio Berlusconi, que tanto dano causou à Itália. Até o momento, a Lava Jato não levantou a bola de ninguém, a não ser do juiz responsável. Aécio não cola, nem ninguém do PSDB até o momento. Marina Silva, Marta Suplicy et alii tentam pegar carona na esteira, sem muito resultado até aqui.
 
5. No vácuo deixado pela Operação Congonhas, o Triplex de promotores de S. Paulo, Cássio Conserino à frente, tenta emplacar a medalha de ouro da prisão de Lula, sem provas, afinal, quem se importa com isto? O timing do pedido é evidente: feito o pedido, há prazo até o domingo, dia 13, para que a juíza encarregada anuncie a autorização para a prisão de Lula, sob o delírio dos coxinhas ensandecidos. Será ou seria a consagração de Conserino como o verdadeiro Dr. Silvana da justiça brasileira, em detrimento de Moro e do Paraná. A ver, diante da maciça oposição despertada pela ação do trio. 
 
Aguardemos os acontecimentos.
 
* A ação da tropa da Aeronáutica em Congonhas - cada vez mais citada por diferentes fontes como acontecida - tem um ilustre precedente. No fim de agosto de 1961 os sargentos e oficiais legalistas da Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul, impediram que os jatos, obedecendo ordem dos militares golpistas que queriam silenciar a Rede da Legalidade comandada por Leonel Brizola, levantassem voo para bombardear o Palácio Piratini, em Porto Alegre, onde o governador estava entrincheirado. Assumiu o comando da base o ten. cel. aviador Alfeu Alcântara Monteiro, legalista, que seria depois assassinado na mesma base em 04 de abril de 1964.
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