LULA PRESO POLÍTICO

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terça-feira, 8 de março de 2016

O sentido do que não parece ter sentido

sisifcolet1

Por Fernando Brito, em seu blog

O jornalista e editor Luiz Fernando Emediato publica em seu Facebook um artigo que toca numa questão que, volta e meia, abordo aqui.

Não tem sentido, não tem lógica que um homem que, durante oito anos, dirigiu um governo e teve poder sobre as estatais da sétima economia do mundo seja acusado de ter operado, no governo, para obter vantagens nas obras de um sítio, ou de um apartamento de menos de 200 metros quadrados – ambos, aliás, nem mesmo de sua propriedade.

Num esquema de corrupção onde diretores de estatal recebiam dezenas de milhões de dólares, onde um simples gerente da Petrobras, como Pedro Barusco, acumulou R$ 100 milhões, vai-se acusar o homem que detinha poder sobre toda a máquina do Estado por pedalinhos, bote de lata e a conta de um guarda-móveis, aliás tudo ocorrido após o seu mandato?

Quando algo não parece fazer sentido, procure um. Porque nada, mesmo o que parece sem sentido, acontece sem ter um.

E, neste caso, o sentido real é pior do que o imaginário, nonsense.

Lula: rico, corrupto e ladrão

Por Luiz Fernando Emediato

O título acima reproduz o que ignorantes, irresponsáveis, pobres diabos principalmente de classe média alta – aqueles que têm inveja dos ricos e raiva dos pobres – vivem dizendo por aí, manipulados pelas porcarias que leem de vez em quando.

Vejamos: Lula recebeu 104 salários ao longo de seu mandato, algo em torno de R$ 3 milhões de reais, que não precisou gastar, pois vivia à custa do Estado. Portanto, aplicou. Em oito anos, esses R$ 3 milhões viraram algo em torno de R$ 6 milhões. Ao sair da presidência – como Fernando Henrique Cardoso e Bill Clinton – andou pelo Brasil e o mundo fazendo palestras regiamente pagas por construtoras multinacionais (sim), bancos, instituições diversas e até pelas Organizações Globo. Cobrou caro, mais que Fernando Henrique, no que fez muito bem. Palestra de Lula vale mais, pois são mais divertidas e nem um pouco pedantes.

Essas palestras – palestras verdadeiras, documentadas felizmente pelo escritor Fernando Morais, que está escrevendo um livro sobre Lula – renderam, para nosso ex-presidente, algo em torno de R$ 30 milhões, que ele pode ter usado comprando a cobertura onde mora, os pedalinhos dos netos, a canoa de lata de Dona Marisa, engradados de cerveja e toneladas de picanha.

Parece que doou uma pequena parte para filhos, e fez bem em não doar mais, pois filhos precisam trabalhar e ganhar o seu próprio dinheiro, até mesmo – se um dia tiverem competência – para comprar o Friboi. Se os donos do Friboi quiserem vender, do que duvido.

Não usou para comprar o tal triplex no Guarujá (uma porcaria, na verdade, apesar do puxa-saquismo da Construtora, que nela colocou até elevador, ansiosa para agradar e vender). Nem para comprar o tal sítio em Atibaia, que lhe foi oferecido por amigos e filho. (Vi umas fotos aéreas do sítio e fiquei abismado com a má conservação do piso ao redor do lago, cuja água me pareceu bem suja).

Agora vamos falar de corrupção.

Consideremos que Lula tivesse se corrompido de verdade, como aquele presidente africano que não sai da cadeira há quase 30 anos e cuja filha é a mulher mais rica da África.

Suponhamos que tivesse se corrompido como algum ex-agente da KGB ou general soviético, que hoje possui algo em torno de US$ 10 bilhões. Ou como algum anônimo militar chinês, que enriqueceu a família inteira, na casa dos bilhões de yuans, claro que arriscando ser executado de joelhos, com uma bala na nuca.

Mas suponhamos que ele não tivesse desmedida ambição. Que quisesse enriquecer apenas como enriqueceram – como o uso de informação privilegiada, claro, pois jamais pegariam “propina” – os antigos economistas de José Sarney, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, que se contentaram em ser “modestos” banqueiros e em terem apenas uns R$ 5 bilhões de patrimônio. Cada um deles, é claro.

Se Lula – presidente da sexta, ou sétima, vá lá, economia do mundo – se corrompeu, e restou com apenas R$ 30 milhões em caixa, ele seria, me perdoem, um perfeito incompetente. E isso ele não é.

Tudo bem que ele, do ponto de vista da classe média, “enriqueceu”. Mas convenhamos: andar pelo Brasil e o mundo fazendo palestra de graça para grandes empresas e grandes instituições seria o cúmulo da burrice. Nesse caso, melhor seria ele se internar num mosteiro franciscano.

Tenham dó.
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