LULA PRESO POLÍTICO

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sábado, 30 de abril de 2016

Elites controlam o sistema judicial, mostra pesquisa da USP. Tese conclui que elites jurídicas provêm das mesmas famílias, universidades e classe social.


Via RBA
Há, no sistema jurídico nacional, uma política entre grupos de juristas influentes para formar alianças e disputar espaço, cargos ou poder dentro da administração do sistema. Esta é a conclusão de um estudo do cientista político Frederico Normanha Ribeiro de Almeida sobre o judiciário brasileiro. O trabalho é considerado inovador porque constata um jogo político “difícil de entender em uma área em que as pessoas não são eleitas e, sim, sobem na carreira, a princípio, por mérito”.
Para sua tese de doutorado "A nobreza togada: as elites jurídicas e a política da Justiça no Brasil", orientada pela professora Maria Tereza Aina Sadek, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Almeida fez entrevistas, analisou currículos e biografias e fez uma análise documental da Reforma do Judiciário, avaliando as elites institucionais, profissionais e intelectuais.

Segundo ele, as elites institucionais são compostas por juristas que ocupam cargos chave das instituições da administração da Justiça estatal, como o Supremo Tribunal Federal (STF), Superior Tribunal de Justiça, tribunais estaduais, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
as elites profissionais são caracterizadas por lideranças corporativas dos grupos de profissionais do Direito que atuam na administração da Justiça estatal, como a Associação dos Magistrados Brasileiros, OAB e a Confederação Nacional do Ministério Público.
O último grupo, das elites intelectuais, é formado por especialistas em temas relacionados à administração da Justiça estatal. Este grupo, apesar de não possuir uma posição formal de poder, tem influência nas discussões sobre o setor e em reformas políticas, como no caso dos especialistas em direito público e em direito processual.
No estudo, verificou-se que as três elites políticas identificadas têm em comum a origem social, as universidades e as trajetórias profissionais. Segundo Almeida, “todos os juristas que formam esses três grupos provêm da elite ou da classe média em ascensão e de faculdades de Direito tradicionais, como o Faculdade de Direito (FD) da USP, a Universidade Federal de Pernambuco e, em segundo plano, as Pontifícias Universidades Católicas (PUC’s) e as Universidades Federais e Estaduais da década de 60”.
Em relação às trajetórias profissionais dos juristas que pertencem a essa elite, Almeida aponta que a maioria já exerceu a advocacia, o que revela que a passagem por essa etapa "tende a ser mais relevante do que a magistratura”. Exemplo disso é a maior parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), indicados pelo Presidente da República, ser ou ter exercido advocacia em algum momento de sua carreira.
O cientista político também aponta que apesar de a carreira de um jurista ser definida com base no mérito, ou seja, via concursos, há um série de elementos que influenciam os resultados desta forma de avaliação. Segundo ele, critérios como porte e oratória favorecem indivíduos provenientes da classe média e da elite socioeconômica, enquanto a militância estudantil e a presença em nichos de poder são fatores diretamente ligados às relações construídas nas faculdades.
“No caso dos Tribunais Superiores, não há concursos. É exigido como requisito de seleção ‘notório saber jurídico’, o que, em outras palavras, significa ter cursado as mesmas faculdades tradicionais que as atuais elites políticas do Judiciário cursaram”, afirma o pesquisador.
Por fim, outro fator relevante constatado no levantamento é o que Almeida chama de “dinastias jurídicas”. Isto é, famílias presentes por várias gerações no cenário jurídico. “Notamos que o peso do sobrenome de famílias de juristas é outro fator que conta na escolha de um cargo-chave do STJ, por exemplo. Fatores como estes demonstram a existência de uma disputa política pelo controle da administração do sistema Judiciário brasileiro”, conclui Almeida.
Com informações da Agência USP

Zeca Afonso - "Grândola, Vila Morena"

42 anos da Revolução dos Cravos, os militares pela democracia


Por Jari da Rocha, via Tijolaço

A história portuguesa, ou a história de suas navegações, mostra que a sucessão de conflitos e dos dirigentes de um país altera as fronteiras como se fosse um desenho abstrato em movimento, animado pelos homens históricos e seus feitos.
A expansão marítima foi o fruto da necessidade de se encontrar uma forma de driblar o monopólio árabe-veneziano no comércio de produtos do oriente, sobretudo as especiarias.
Com esse monopólio, as especiarias chegavam mais caras ao mercado europeu, ficando os lucros deste comércio em maior parte com árabes e venezianos.
Além disso, o escoamento de grande quantidade de metais preciosos da Europa em direção do Oriente, para pagar as caríssimas especiarias, vinha desvalorizando o metal europeu, devido à sua baixa circulação.
Outro fator que colaborou com o ideal expansionista foi à crise do século X, que envolveu peste, fome e guerras, comprometendo a produção de alimentos na Europa.
A crise também punha em risco o comércio pelas rotas continentais, forçando os mercadores a optarem por rotas marítimas via mediterrâneo, passando pelo estreito de Gibraltar em direção ao norte da Europa.
Essa opção por mar favoreceu a economia portuguesa, que passou a ser um entreposto comercial, fortalecendo ainda mais a burguesia lusa.
Lançar caravelas ao mar em busca de um novo caminho para as regiões fornecedoras de especiarias, como as Índias, ou em busca de metais preciosos, não era uma tarefa fácil e de baixos custos.
Os grupos mercantis não pensavam em assumir sozinhos os riscos desses empreendimentos. Era fundamental, para um empreendimento dessa dimensão, a participação de um Estado forte e centralizado que tivesse recursos financeiros para investir na empresa ultramarina.
Portugal era a única região com esse status e por isso foi o pioneiro na expansão ultramarina.
A monarquia portuguesa manteve-se da maneira que pôde até o início do século XX. Em 1910 uma revolução instaura o regime republicano parlamentar.
É quando começa um período ainda mais conturbado da vida política portuguesa, que vai culminar com a revolta militar de 1926.
O protagonista do golpe militar é o ex-seminarista Antônio de Oliveira Salazar.
Seu regime havia acentuado ainda mais o atraso econômico, científico e cultural em que o país já se encontrava no início da república.
O mesmo regime viria a estimular o conflito com as colônias africanas, que mergulharia Portugal num mar de dívidas.
Durante o governo Salazar, ao contrário do que era informado para a população, houve um empobrecimento de tal ordem que, nas reuniões clandestinas do Partido Comunista Português, pobreza e as consequências da ditadura no país eram pautas permanentes.
Na África, tanto Angola, Moçambique como Guiné-Bissau, a situação era muito pior. No embalo das várias independências que vinham ocorrendo no continente africano, à elite intelectual dessas colônias, formada na Europa principalmente, iniciava o processo de descolonização, que seria árduo, lento, porém irreversível.
A guerra nas colônias africanas durou treze anos. Com início no norte de Angola, em fevereiro de 1961. Depois na Guiné, em 1963 e, a partir de 1964, em Moçambique.
O exército português formaria três frentes de combate, que chegou a recorrer ao uso de armas químicas, como o napalm, servindo-se de todos os meios militares ao seu dispor para combater a guerrilha.
Ao longo da luta, Portugal enviou para África centenas de milhares de soldados, com um número oficial de mortos de cerca de nove mil homens e dezenas de milhares de feridos, isso sem mencionar um número ainda superior de baixas entre guerrilheiros e civis guineenses, angolanos e moçambicanos.
Em nenhum momento da guerra o regime português quis discutir o problema das colônias.
O Estado Novo manteve com grande rigidez o essencial da política colonial, fechando todas as portas a uma solução aceitável para o problema de qualquer dos territórios.
A guerra acabou, aliás, por conduzir a maior dureza dos sistemas repressivos do regime, impedindo qualquer discussão ou abordagem do problema.
Quando Salazar caiu da cadeira e bateu a cabeça, em 1968, deixou ao sucessor um regime desacreditado, com mais de cem mil homens armados em três frentes de combates e mais de um terço dos gastos do Estado direcionado às despesas militares.
A guerra colonial acabaria sendo o algoz da ditadura, empunhando o próprio braço armado do regime: a instituição militar.
A difícil implantação do regime democrático num país vítima de quase meio século de ditadura, que de repente se encontra de braços dados com uma descolonização tardia, a que se juntavam os efeitos da crise econômica internacional, que acontecia, principalmente, durante o ano de 1973, explicam as peculiares características da transição de um regime totalitário para a democracia.
O colonialismo impediu uma transição sem sobressaltos revolucionários radicais para uma democracia parlamentar.
Em fevereiro de 1974 foi publicado o livro do general Spínola, Portugal e o futuro. Através desta publicação, fica demonstrado publicamente o conflito existente no seio do regime no que se refere à solução política final para o problema ultramarino.
A essas alturas, a revolução era somente uma questão de dias.
O Movimento dos Capitães conseguiu transformar um protesto de natureza corporativa numa mudança completa de regime.
A incapacidade do governo de Marcelo Caetano em encontrar uma solução política para a guerra colonial, que se alastrava por treze longos anos, foi o fator determinante na mobilização dos oficiais.
Na madrugada do 25 de abril, daquele ano de 1974, ao som da canção de José Afonso "Grândola, Vila Morena", pela primeira vez, em quase meio século, a população toda pôde participar livremente de toda e qualquer informação.
Alto-falantes anunciavam a boa nova.
No Terreiro do Paço, as floristas distribuíam cravos aos soldados, que não precisaram disparar um tiro sequer.
Foi  bonita a festa, pá.

CIENTISTA POLÍTICO NORTE-AMERICANO AFIRMOU: CORRUPÇÃO NOS EUA É LEGALIZADA

 


O cientista político norte-americano Augustus Bonner Cochran palestrou sobre Crise Financeira Internacional e Democracia nos Estados Unidos no Centro Sócio Econômico da Universidade Federal de Santa Catarina, na tarde da terça-feira (16/06/2015). Augustus é professor do Agnes Scott College, em Atlanta, e foi convidado a palestrar pelo Programa de Pós-Graduação em Relacões Internacionais da UFSC.

Bem humorado e com um inglês carregado pelo sotaque do Sul dos EUA, ele comentou sobre as fronteiras entre a economia e a política do país para o auditório lotado.

Para o cientista, “hoje em dia, os EUA superou o pior da crise de 2008, mas a economia ainda não funciona muito bem. Funciona bem para os acionistas, investidores e corporações. Porém, para o cidadão comum, os tempos econômicos ainda são duros. Ainda temos três problemas: a recuperação tem sido lenta, o que é evidenciado pela alta no nível de desemprego, os postos de trabalho criados são precários e a renda ainda não foi recuperada”. Além disso, em decorrência do endividamento dos agentes microeconômicos, a correção da demanda enfrenta dificuldades.

A crise de 2008, que começa com as hipotecas e se estende aos bancos, instituições financeiras, dívida pública e atinge a economia mundial, é encaixada por Augustus no chamado ciclo de crise-reforma-estabilidade da Teoria da Regulamentação. “A economia requer várias instituições políticas e sociais para apoiar seu funcionamento. Nesse sentido é que surgem regras de propriedade, políticas monetárias e fiscais, direito do trabalho e regulamentação de mídia”, afirma.

Em oposição à estabilidade proposta pela teoria ortodoxa capitalista ou a ruptura do socialismo clássico, a teoria propõe reformas para contornar a crise. “Apesar de reformista, a Teoria da Regulamentação enfatiza a continuidade. Tenho problema em imaginar uma ruptura total”. Neste sentido, o cientista político vê a crise enfrentada atualmente como tempos de reformas estruturais na economia política e nas instituições políticas dos EUA. “Trata-se de um problema estrutural. Como um carro: o problema não é quem pode dirigir, mas qual tipo vamos ter e onde nós vamos”.

A respeito das reformas, o financiamento privado de campanhas políticas, também em discussão no Congresso brasileiro, foi problematizado na palestra. Há, na concepção do cientista, um esvaziamento da democracia pelo poder do capital, o que é nocivo para a democracia política e econômica. “Desde 1966, temos apenas uma eleição que não tem um Bush ou Clinton, exceto 2012. É mais aristocracia que democracia. O problema é que, nas eleições de 2015, se você vota para os republicanos ou para os democratas, está ciente de que votará em políticos corruptos. A corrupção nos EUA é legalizada”, pondera.

Fonte: Pravda.ru

'Instituições ensinam as pessoas a odiar', diz Marcia Tiburi

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Marcia Tiburi afirma que as pessoas fascistas 
estão criando um 'mal-estar profundo na sociedade'


Filósofa diz que intolerância política é fomentada pelos meios de comunicação hegemônicos e pelo Judiciário: "Estão apodrecidos"



A filósofa Marcia Tiburi vê a intolerância política crescente no país como "uma estranha autorização das pessoas que não refletem, não raciocinam, sem um pensamento voltado à questão social, que se manifestam contra aqueles que se posicionam contra o golpe, ou seja, daqueles que tem uma visão da sociedade mais ampliada."

"Acho que estamos vivendo uma espécie de escândalo fascista. Há um momento de avanço da espetacularização fascista no dia a dia. O que está estarrecendo todo mundo é essa autorização pessoal que vemos nas ruas, o medo por estar com uma roupa vermelha ou por ter uma posição crítica da sociedade. O que chama a atenção dessas figuras que têm se jogado numa forma de pressão fascista, preconceituosa, agressiva e, sobretudo, autorizada para expressar a intolerância", afirmou Tiburi, em entrevista à repórter Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual.

A filósofa usa o termo "fascistizado" para denominar o Congresso Nacional, onde ela vê raras exceções, como os parlamentares de esquerda mais críticos, mas que são minorias. Ela alerta que o cidadão comum, que não tem poderes, também expressa o fascismo. "Tem uma coisa que é interessante. O fascista não escuta, é uma personalidade autoritária. Ele não está aberto ao outro, pois possui um pré-julgamento do outro. Ele o trata como 'um petista' e vai xingá-lo. Esse ódio é fomentado e manipulado pelos meios de comunicação, a pessoa apenas repete o discurso de certas mídias, hegemônico, como a televisão e jornais de grande circulação. O fascista apenas repete o discurso pronto, ele se apodera de uma espécie de capital de conhecimento e consegue calar os outros."

Para ela, seria importante avaliar o cotidiano dessas pessoas que não param para pensar. "Essa é uma figura que é preciso ter uma atenção, estudar, porque há muitos problemas subjetivos, políticos, psíquicos e até psicanalíticos envolvidos. Tudo isso é feito do vazio do pensamento", explica a filósofa. "O pensamento está em baixa, muitas pessoas se negam a refletir, questionar, perguntar o que está acontecendo."

Ela acredita que a amplitude da conjuntura atual está criando um mal-estar profundo na sociedade. "Existe um arranjo sistêmico. Um golpe do Judiciário, que está apodrecido, além da mídia apodrecida, que faz existir o braço midiático no golpe. Há também o golpe cotidiano, que o mero cidadão que pratica o golpe de si mesmo, que se aliena através de um reality show, onde aprendeu um ritual de sacrifício, acha que pode praticar o pequeno golpe definindo que o presidente tem que sair."

Autora do livro "Como conversar com um fascista", Marcia acredita que aqueles que defendem a democracia devem apelar para a lei. Ela afirma que, sem legalidade, não há direitos, e sugere a análise do cidadão comum nesse momento. "Analisar a si mesmo levaria o cidadão a cair em um processo de profunda vergonha e mal-estar. Esse indivíduo acaba se lançando em um processo de julgar o outro, vide o caso da corrupção no Brasil. Aliás, essa história de golpe, esse senso do impeachment, se alicerça em uma propaganda contra a corrupção e é para convencer o cidadão mediano de que ele é melhor do que aquele que o governa."

"Muitos não sabem diferenciar o processo de impeachment da Operação Lava Jato. Existe muita confusão conceitual típica de um país que não teve educação política, onde muitos são manipulados pelos meios de comunicação hegemônicos", acrescenta.

"Desculpa falar assim, mas quando a gente quer que o cachorro entre em uma briga devemos incitar muito esse cão para que fique irritado. Talvez as pessoas estejam sendo maltratadas pelos próprios organizadores do golpe. Eu acho que todos os fascistas e golpistas que estão se manifestando de maneira agressiva, precisam de ajuda psiquiátrica e pedagógica. Ali não há gente normal que sabe o que está acontecendo com a política brasileira."
Marcia Tiburi diz que os fascistas são resultados de uma produção, já que o fascismo não é natural das pessoas, mas fomentado, principalmente pela tevê, num processo de vários anos. "Para implantar o fascismo, a gente não pode criar um cenário simples e tranquilo, mas um cenário furioso com o discurso do ódio, incitando as pessoas a odiarem os diferentes. Hoje, o cidadão comum, quando encontra alguém que ele não gosta, nós devemos perguntar de onde vem esse ódio, porque não é algo das pessoas. Quem ensina as pessoas a odiar são as instituições."

O preço da condescendência do STF com a farra grotesca em torno do impeachment

Os eminentes Gilmar e Mello
Os eminentes Gilmar e Mello

Por Carlos Fernandes, via DCM
Não existe almoço grátis.
O Nobel de economia, Milton Friedman, utilizou essa expressão para mostrar que são os impostos cobrados da população que financiam os gastos e investimentos públicos de um governo.
A política brasileira que possui a impressionante habilidade de inverter e subverter toda e qualquer lógica dos mais sólidos fundamentos econômicos, jurídicos e sociais nos mostra que por aqui esse termo tem uma aplicação bem mais abrangente e bem menos republicano, digamos assim.
Vejamos. Do ponto de vista jurídico, não há qualquer argumento plausível que explique o fato do STF ainda não haver, no mínimo, afastado Eduardo Cunha de suas funções enquanto presidente da Câmara dos Deputados.
O estoque de manobras, abusos, afrontas, desrespeitos e intimidações que EC vem promovendo a cada novo dia parece não ter limites. Mesmo assim, a Suprema Corte do país continua na mais inquietante inépcia diante todo um Parlamento afundado em denúncias enquanto conduz mais um golpe na democracia brasileira.
Mas lembremos que não existe almoço grátis. A condescendência do STF com a farra grotesca em torno do impeachment tem o seu preço. Entre os gritos de “sim” justificados por “Deus”, pela “esposa” e pelos “filhos”, formou-se também a maioria necessária na Câmara para aprovar o reajuste salarial do judiciário.
Trata-se de uma das famosas pautas-bomba lançadas pelo nosso bom e velho Cunha para desestabilizar ainda mais as contas públicas. A medida prevê um aumento de 53% a 78% nos vencimentos dos servidores do judiciário e magistrados. Ministros do STF incluídos, naturalmente.
Quanto à responsabilidade fiscal tão defendida oportunamente pelos arautos da ética e da moralidade, nesse caso não vem ao caso. Segundo as previsões do Ministério do Planejamento, o acordo dos cavalheiros, se de fato aprovada, custará aos cofres públicos R$ 5,3 bilhões ainda em 2016 e chegará a R$ 36,2 bilhões até 2019.
Pois é! Poderes independentes e soberanos auxiliados por instituições isentas, técnicas e imparciais são para nações que não admitem que uma quadrilha de ladrões hipócritas subjuguem a Carta Magna e a vontade expressa das urnas. Parece não ser o caso do Brasil.
O pior, porque sempre pode ser pior, é que a conta para a deposição de uma presidente democrática e legitimamente eleita não está sendo cobrada apenas pelo poder judiciário. A digníssima bancada BBB -boi, bala e bíblia – também já apresentam as suas faturas.
Por terem votado em peso a favor do impeachment, a romaria em encontro à Temer já começou. O pastor Silas Malafaia e afins estiveram com o vice-presidente no palácio do Jaburu para orar e abençoar o “eleito” por 1% dos votos. Não sem cobrar o seu dízimo como de costume.
Exigiram a aprovação do Estatuto da Família, o fim do Estatuto do desarmamento com o livre comércio, posse e utilização de armas e como não poderia deixar de faltar, mudanças nas regras de demarcações de terras indígenas. Retrocessos e nada mais.
Já a cúpula do PSDB e DEM também não deixou barato. Para um apoio irrestrito ao governo Temer, exigem que a pauta neoliberal que fez o país se ajoelhar três vezes ao FMI seja seguida à risca. Até o ex-presidente Collor já entregou um “Plano de Reconstrução” ao principal beneficiário do golpe. É realmente um filme de horror.
O preço que todos nós teremos que pagar se Michel Temer assumir realmente a presidência da república será assombroso. Soma-se aos retrocessos econômicos e sociais, o desmantelamento das operações de combate à corrupção. Afinal de contas, estamos falando do PMDB.
Retirar Dilma do lugar que a democracia lhe reservou sob o estupro da Constituição Federal custará um valor que ninguém deveria estar disposto a pagar. Porque, definitivamente, não existe almoço grátis.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Professora Liana Cirne Lins: Entendendo a ilegalidade do impeachment: vídeo em 5 passos

Michel Temer: "As tarefas difíceis eu entrego à fé de Eduardo Cunha"

A indústria farmacêutica está a bloquear medicamentos que curam, porque não são rentáveis


Via Octopus

O Prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts denuncia a forma como funcionam as grandes Farmacêuticas dentro do sistema capitalista, preferindo os benefícios económicos à Saúde, e detendo o progresso científico na cura de doenças, porque a cura não é tão rentável quanto a cronicidade. 

Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas Farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos.  

Para complementar, reproduzimos esta entrevista com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que diz que os medicamentos que curam não são rentáveis e, portanto, não são desenvolvidos por empresas 

Farmacêuticas que, em troca, desenvolvem medicamentos cronificadores que sejam consumidos de forma serializada. Isto, dizRoberts, faz também com que alguns medicamentos que poderiam curar uma doença não sejam investigados.  

E pergunta-se até que ponto é válido e ético que a indústria da Saúde se reja pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, que chega a assemelhar-se ao da máfia.

A investigação pode ser planejada?

Se eu fosse Ministro da Saúde ou o responsável pela Ciência e Tecnologia, iria procurar pessoas entusiastas com projectos interessantes; dar-lhes-ia dinheiro para que não tivessem de fazer outra coisa que não fosse investigar e deixá-los-ia trabalhar dez anos para que nos pudessem surpreender 

Parece uma boa política.

Acredita-se que, para ir muito longe, temos de apoiar a pesquisa básica, mas se quisermos resultados mais imediatos e lucrativos, devemos apostar na aplicada… 

E não é assim?

Muitas vezes as descobertas mais rentáveis foram feitas a partir de perguntas muito básicas. Assim nasceu a gigantesca e bilionária indústria de biotecnologia dos EUA, para a qual eu trabalho. 

Como nasceu?

A biotecnologia surgiu quando pessoas apaixonadas começaram a perguntar-se se poderiam clonar genes e começaram a estudá-los e a tentar purificá-los. 

Uma aventura.

Sim, mas ninguém esperava ficar rico com essas questões. Foi difícil conseguir financiamento para investigar as respostas, até que Nixon lançou a guerra contra o cancro em 1971. 

Foi cientificamente produtivo?

Permitiu, com uma enorme quantidade de fundos públicos, muita investigação, como a minha, que não trabalha directamente contra o cancro, mas que foi útil para compreender os mecanismos que permitem a vida. 

O que descobriu?

Eu e o Phillip Allen Sharp fomos recompensados pela descoberta de intrões no DNA eucariótico e o mecanismo de gen splicing (manipulação genética). 

Para que serviu?

Essa descoberta ajudou a entender como funciona o DNA e, no entanto, tem apenas uma relação indirecta com o cancro. 

Que modelo de investigação lhe parece mais eficaz, o norte-americano ou o europeu?

É óbvio que o dos EUA, em que o capital privado é activo, é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espectacular da indústria informática, em que o dinheiro privado financia a investigação básica e aplicada. Mas quanto à indústria de Saúde… Eu tenho as minhas reservas. 

Entendo.

A investigação sobre a Saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas. 

Explique.

A indústria farmacêutica quer servir os mercados de capitais…

Como qualquer outra indústria.

É que não é qualquer outra indústria: nós estamos a falar sobre a nossa Saúde e as nossas vidas e as dos nossos filhos e as de milhões de seres humanos. 

Mas se eles são rentáveis investigarão melhor.

Se só pensar em lucros, deixa de se preocupar com servir os seres humanos. 

Por exemplo…

Eu verifiquei a forma como, em alguns casos, os investigadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes que teriam acabado completamente com uma doença… 

E por que pararam de investigar?

Porque as empresas Farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas como em sacar-lhes dinheiro e, por isso, a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação. 

É uma acusação grave.

Mas é habitual que as Farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos cronificadores muito mais rentáveis que os que curam de uma vez por todas. E não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o que eu digo. 

Há dividendos que matam.

É por isso que lhe dizia que a Saúde não pode ser um mercado nem pode ser vista apenas como um meio para ganhar dinheiro. E, por isso, acho que o modelo europeu misto de capitais públicos e privados dificulta esse tipo de abusos. 

Um exemplo de tais abusos?

Deixou de se investigar antibióticos por serem demasiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada na minha infância, está a surgir novamente e, no ano passado, matou um milhão de pessoas. 

Não fala sobre o Terceiro Mundo?

Esse é outro capítulo triste: quase não se investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Primeiro Mundo: o medicamento que cura tudo não é rentável e, portanto, não é investigado. 

Os políticos não intervêm?

Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos. 

Há de tudo.

Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais Farmacêuticas que financiam as campanhas deles. O resto são palavras…


Fonte : Paradigmatrix 

Como o Supremo virou um poltrão e continuará a ser, faça o que fizer

stfpoltrao

Por Fernando Brito, em seu blog
A coragem e a dignidade de um ser humano não se medem apenas por seus atos, mas por quando os pratica.
O cidadão que vê alguém ser agredido e só grita “covarde!” quando o agressor já vira a esquina, talvez o esteja gritando para si mesmo.
O “pega-ladrão” dito quando o gatuno já some na poeira, levando o roubo, torna quem o diz cúmplice da perda que já não pode ser recuperada.
Ao Supremo Tribunal Federal, a esta altura, tanto faz condenar ou absolver Eduardo Cunha.
O que são os R$ 52 milhões de reais que, na denúncia feita hoje na folha pelo seu ex-cúmplice Fábio Cleto (sairá livre o rapaz bem apessoado?) perto dos 54 milhões de votos que ele furtou, domingo passado, ao povo brasileiro?
Se o Supremo o condena, ficará em todos a impressão que executa, como nas quadrilhas, a mão que fez o serviço sujo. Queima o arquivo, como se diz no dialeto policial.
Se o absolve, soará como paga ao trabalho imundo que realizou.
O resto, as alegações, o rito, os prazos, os artigos, alíneas, incisos, precedentes, arestos, assentadas e outras terminologias afetadas serão apenas, para seguir no Direito, lana caprina.
Lã de cabra, coisa sem valor, sem influência, inútil, que deve ser desprezada por sem serventia prática.
Bernardo de Mello Franco, na Folha de hoje, recorda que o afastamento de Cunha da Presidência da Câmara foi pedido em dezembro passado, em nome  “dignidade do Parlamento”, que estava sendo usado “”em benefício próprio e de seu grupo criminoso”. E, dizia Rodrigo Janot,  o “regular funcionamento das instituições (…) somente será possível se (…) adotada a medida de afastamento do deputado Eduardo Cunha”.
Se, agora, depois destes 135 dias e de quantos mais se passarem até que o Supremo examine o pedido, concluir-se que são procedentes aquelas razões, não se poderá dizer, então, que neste interregno o Parlamento foi indigno, que beneficiou um criminoso e seu grupo e que a instituição não funcionou de forma regular?
Um período em que, simplesmente, propôs-se e consumou-se um processo de impedimento de uma presidente eleita pelo sufrágio universal, notória vítima dos instintos mais primitivos de Cunha.
A discussão sobre a dignidade do Supremo, em termos jurídicos, “perdeu o objeto”.
Não pode mais ser restaurada.
Que vá discutir direitos autoriais, como fez ontem, ou se é possível entrar no cinema com a pipoca comprada no carroceiro; cada um tem a estatura que se dá.
PS. Para quem não sabe, poltrão diz-se de quem é medroso ou covarde. Ou do animal que engorda e se torna preguiçoso, o que não vem ao caso, não é?