LULA PRESO POLÍTICO

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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Lula sob os critérios da verdade: dinheiro, poder e fama



Por Sérgio Medeiros, via Jornal GGN


Tem coisas que não resistem nem a simples observações, destituídas de paixão, apenas observações acerca de fatos que cercam o dinheiro, o poder e a fama, e o que se pretende e o que se faz com isso, bem como que, a partir destas análises pode-se verificar, por exemplo,  através de sinais exteriores (sem investigação) se alguém efetivamente roubou.
Uma destas afirmações, que cabe como uma luva na descrição acima, e que facilmente pode ser desmentida, é a de que Lula se apropriou de milhões de reais.
Pois bem.
Passemos então a análise destas acusações, com base em fatos que são de conhecimento de todos.
Lula roubou milhões??
Ora quem rouba milhões tem que ter um objetivo para isso.
Iniciaremos pelo motivo mais comum, mudar o padrão de vida para um mais luxuoso.
Neste caso, continuar a morar no mesmo apartamento num bairro em São Bernardo, passar os finais de semana num sítio sem grandes confortos em Atibaia e para ali se deslocar fim de semana livre após fim de semana livre, não se enquadra neste modelo.
Ter dinheiro e ir andar de pedalinho em um pequeno e rústico lago, ou sair num barco de lata para pescar, com um enorme isopor carregado nos ombros ou sobre a cabeça, para carregar água e latas de cerveja, ou saudosos sanduíches e galinha enfarofada, também não.
Fazer tudo isso sozinho, sem a ajuda que o dinheiro pode comprar, e pagar.
Ter tanto dinheiro (milhões) e, ano após ano, passar o Natal em meio a cooperativa de catadores e resplandecer de felicidade por isso.
Ir em cada canto pobre do mundo, e ser abraçado, abraçar, e ver de perto a miséria, a fome e a esperança nos olhos das pessoas humildes.
E, ter tanto dinheiro, ser rico e, com setenta anos, continuar em seu instituto, lutando contra a fome no mundo.
Ter tanto dinheiro e não ser visto em retratos de academias, tomando chás e brioches, em restaurantes finos, com  champanhes e vinhos caros, e comidas exóticas.
Ter tanto dinheiro e escolher dividir seu tempo com os pobres, com quem neste mundo precisa de ajuda para viver, nem mesmo, ainda, uma vida digna, mas apenas vida.
E todo este trabalho, este projeto, esta luta, tudo isso, em lugares sem perfumes, sem tecidos finos, suaves, sem lugares amplos e arejados, sem condicionadores de ar, sem aspecto de impecável limpeza.
Definitivamente se fosse este o motivo, estaria descartado.
Ah, mas dizem outros, roubou milhões pelo poder.
Mas, primeira constatação, roubar milhões para alcançar o poder, significa mais que comprar alguém pelo dinheiro.
Significa também o poder de saber, e do outro saber que foi comprado e que quem comprou detém todas as informações da compra e que esse outro (comprado) se tornou seu escravo por conta disso.
Saber é poder.
Quem tem este poder não sofre impeachment, pois este é votado por um Congresso Nacional, que seria composto pelos que teriam sido comprados por estes milhões/bilhões.
Ao contrário, depois deste primeiro resultado, agora todos sabem, ou deveriam saber (ainda que tentem esconder a verdade), quem efetivamente detêm o poder através de milhões, e não é o Lula.
Devem saber como os milhões, e a forma como são obtidos estes milhões, se torna poder.
Todos viram, o Brasil inteiro viu, Eduardo Cunha e seus cúmplices.
E agora sabe (ou deveria saber), como milhões significam poder, e como isso pode destruir um país através dos destinatários dos milhões, escravos do poder dos milhões, de quem os distribuiu.
Mas, o poder do dinheiro, não comprou  Jandira Feghalli, Jean Willis, Fontana, Benedita,  nenhum deles é acusado de ter recebido quaisquer valores, e todos votaram contra, apaixonadamente, este sim, projeto de poder (golpista), de tirar uma Presidente democraticamente eleita do governo do Brasil.
E, assim, vemos (se quisermos ver), que no final das contas os milhões/bilhões que foram roubados, e a estrutura de poder que foi comprada, o foi por Eduardo Cunha e os partidos e deputados que o apoiam.
Os milhões/bilhões, realmente podem comprar o poder, mas se o compram, é só ver quem pagou a conta e recebeu o apoio.
Assim, também neste ponto, não foi Lula quem dispôs dos milhões/bilhões, desviados da Petrobrás, de outras estatais, e do governo brasileiro.
Prosseguindo.
Não contentes, existem outros que continuam falando em milhões/bilhões com o objetivo de implantar um projeto de poder.
Novamente tal afirmação não resiste a simples considerações.
Milhões e bilhões, pelo poder, num país que tem três poderes ditos soberanos e independentes entre si.
Pergunta-se, então, porque este projeto/estrutura de poder, esqueceu de aparelhar um dos três poderes, sem o qual não há poder real, o Judiciário, através do Supremo Tribunal Federal.
Por que não teve o cuidado de colocar seus Gilmar Mendes ou Celsos de Mello, para o defenderem com ou sem razão, e assim, parirem o que poderia ser um projeto de poder e não um projeto de país.
Quanto poder, para nomear quem quisesse, e tantos ministros sem compromisso com este poder,  César Peluso, Carlos Alberto Menezes Direito, Eros grau, Joaquim Barbosa...
Escolhas de poder? Não. Equívocos nas escolhas? Talvez sim.
Mas, é possível errar, tomando como critério pensar na natureza humana como algo bom, e não em sua falhas.
Joaquim Barbosa, não foi escolhido por ser negro, mas por ser alguém que tinha sentido na pele o preconceito, por ter conhecimento para elaborar e pensar isso, explicitado em sua tese de mestrado, e por ter demonstrado capacidade intelectual para atuar de forma destacada junto a Procuradoria do Ministério Público Federal.
Foram por estes motivos, não para ele impor sua revolta, pelo fato da grande imprensa ter dito que ele não foi reconhecido pelo seu intelecto e vitória pessoal, mas sim como um escolhido de Lula por sua cor.
Joaquim Barbosa não entendeu a humanidade de sua escolha, e, tendo vivido a vertigem da meritocracia, fez a pior das escolhas, negou sua vertente humana e dirigiu seu talento para a destruição do que teria motivado sua escolha, para que assim pudesse conquistar o respeito de seus pares, pela independência, ainda que a custa do assassinato da verdade.
Ayres Brito, escolhido pela sua vivência nordestina, pelo conhecimento das necessidades do pobre e sofrido povo nordestino, pequena mostra do povo brasileiro, pobre e marginalizado, por ser alguém sabedor das necessidades destas pessoas, e dos meandros do direito, que muitas vezes impedem a vida de vicejar e que é preciso superar para que se possa integrar esta população excluída.
Mas, o ego de Ayres Brito foi mais forte, novamente o reconhecimento por pares intelectuais foi mais forte que o reconhecimento das pessoas simples, a quem conhecia e conhece, e que foram relegados a um esquecido canto da memória, em troca de holofotes, convívio e aceitação da intelectualidade liberal e rica.
Temos ainda, a escolha do brilhante César Peluso ou do técnico Carlos Alberto Menezes Direito, para que a Constituição fosse cuidada, não fosse maculada por civilistas e  processualistas, ou seja, pelo simples motivo de que deveriam ser fiéis à Constituição e defende-la de tendências dirigidas a enfraquece-la em seu caráter dirigente.
Todos esses, não foram escolhas para um projeto de poder, mas para um projeto de país.
Infelizmente, enquanto escolhas, muitos deles em vários aspectos atraiçoaram, não somente a Constituição, mas a si mesmos, tudo isso, porque entenderam que seus intelectos ou vaidades precisavam de reconhecimento, e o cargo e a possibilidade de reinterpretarem uma Constituição Cidadã, lhes deu os meios para a fama e a posteridade efêmera dos holofotes da grande mídia.
Projeto de Poder???
Que projeto de poder escolhe militantes de partidos adversários, sim, de adversários, mais precisamente do PSDB, esse mesmo.
Eros Grau, conhecido por sua lutas em prol dos direitos humanos, e que, como dito acima,  apesar de militante de partido adversário, foi escolhido por suas qualidades humanas, sua militância num campo social carente de expressão intelectual  elaborativa, e que com o seu amplo conhecimento poderia amplia-la e firma-la, fazendo-a reconhecida perante a elite formadora de opinião.
Estas escolhas,  não precisa ser nenhum estudioso, ou alguém intelectualmente brilhante, para constatar que não se conformam com um projeto de poder do partido do governo.
Após, com a nova governante, frente a derrota das escolhas pelo viés humanista, surgem as escolhas técnicas.
E, novamente, não foram escolhas para manutenção do poder.
Da mesma forma, como na escolha dos outros ministros, estas apenas obedeceram a critérios diferentes, um perfil mais técnico.
Luiz Fux, quando escolhido, era  agraciado e festejado pelos meios jurídicos como o pai do Novo Código Civil (2002), seria a mente privilegiada por trás da nova elaboração civilista.
E, eis que, novamente, vaidade das vaidades, surge o ego superdimensionado e, logo após, pode-se ver as articulações que criaram esta falsa imagem, um deslumbramento e uma capacidade de lobby, que viciaram a escolha.
A escolha de Teori Zavascki, refere um perfil ainda mais técnico, um extremado técnico, para que o direito posto, e as leis postas, tivessem sua dimensão e medidas somente perante a Constituição.
E, por fim, temos em Barroso, nova tentativa de unir a dimensão humana à competência técnica, um conhecido e brilhante constitucionalista, respeitado por suas qualidades intelectuais e por seu viés humano, utilizados na análise e defesa de questões complexas.
Estes os critérios, estas as pessoas, não meros marionetes de um projeto de poder estático.
E, a tudo isso, vemos perplexos, em cada um deles, de uma forma mais ou menos intensa, o poder se impondo a natureza, o ego e a fama transformando os homens.
Estas escolhas, não foram para manter os milhões ou o poder, foram escolhas para humanizar as leis e o país.
Para democratizar o poder, distribuir o poder, para que as pessoas simples estivessem a salvo do Estado , do poder do dinheiro, e sob o amparo da Constituição.
Pode-se constar, Lula não fez mau uso do poder neste campo.
Assim, a tese do projeto de poder, também não resiste a uma simples análise lógica.
É que, sem um dos três poderes, não há projeto de poder, pelo singelo motivo que não há poder sem que se controlem os três poderes.
Mas, ainda contrariados, dizem os mais ferrenhos adversários, as pessoas fazem qualquer coisa pela fama, e o dinheiro proporciona isso.
Pois bem, vamos a fama, este outro campo da vaidade.
De plano, anoto que não há registros de festas grandiosas, no sítio em Atibaia.
Não há registros de recepções com famosos, não há registros de almoços ou jantares excepcionais, dignos de uma nova ilha/sítio de Caras...
E, os amigos, continuaram os amigos de anos, os amigos de luta, os simplesmente amigos.
Fama, sem holofotes, sem revistas mostrando-o e a sua família cercado de celebridades, nada disso, apenas a constatação de pessoas comuns comprando em padarias e mercados da região, numa vida simples, sem milhões, e sem todas estas coisas, luxo, poder, fama, que milhões compram e pelos quais as pessoas matam morrem, se tornam corruptas e traem a si mesmas e a todas pessoas que nelas depositam suas esperanças.
Para alguém roubar milhões é preciso ter motivos, e, o cidadão Luís Inácio Lula da Silva, para viver plenamente não precisa de milhões, pois, para viver junto ao povo, e tentar melhorar sua vida, não é com dinheiro de uma pessoa ou de doadores que se consegue isso, é através de um trabalho político incessante que faça com que o Estado dê condições a estas pessoas de terem uma vida digna.
É preciso algo que o dinheiro não dispõe, que é estar junto com as pessoas, ir aonde elas vivem, estar junto delas.
Para isso é preciso cuidado, é preciso força, é preciso sobretudo amor, e, talvez seja por isso, que Luís Inácio Lula da Silva, sempre que pode, vai ficar junto aos pobres, aos catadores, aos nordestinos, às mulheres trabalhadoras, aos homens do campo, e, à todas estas pessoas , faz gestos de carinho que revelam uma imenso senso de humanidade uma solidariedade somente vista em grandes nomes da história.