LULA PRESO POLÍTICO

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terça-feira, 10 de maio de 2016

Na terra de Zumbi, professor que criticar escravidão e miséria será punido

Memorial Zumbi dos Palmares, em Alagoas – Foto Beto Macário/UOL

Por Mário Magalhães, em seu blog
Se a lei que entrou em vigor nesta segunda-feira for cumprida, professores de Alagoas podem ser demitidos, suspensos ou advertidos se manifestarem opinião em sala de aula.
Caso critiquem, por exemplo:
* a escravidão;
* o nazismo;
* o tráfico de seres humanos;
* os responsáveis pelo aquecimento global;
* os destruidores da floresta amazônica;
* os exterminadores dos povos indígenas;
* ditaduras de todas as colorações;
* o técnico Dunga;
* o filme “Guerra Civil'', com o Capitão América e companhia.
Ou se elogiarem a bola redonda que o Ganso vem jogando.
A lei medieval aprovada pela Assembleia e publicada no “Diário Oficial'' do Estado leva o número 7.800/16.
Na melhor (ou pior) tradição nacional de não chamar as coisas pelo nome, institui o Programa Escola Livre, que na verdade impede a liberdade de expressão nas escolas.
Em nome de uma suposta neutralidade, os professores da rede estadual estão proibidos de opinar nas aulas.
A lei não se pronuncia sobre os tópicos assinalados lá no alto pelo blog, mas permite que assim seja interpretada.
Ela determina: “Ao tratar de questões políticas, sócio-culturais e econômicas, o Professor apresentará aos alunos, de forma justa, com a mesma profundidade e seriedade, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito''.
O que significa isso, por exemplo, ao abordar a tortura? Igualar argumentos contra e pró, quando o direito internacional declara tal prática violação dos direitos humanos?
Na terra do Quilombo dos Palmares, de Zumbi e de Ganga Zumba, o professor não pode condenar a escravidão.
Num dos Estados mais desiguais e miseráveis do Brasil, agora é risco professor classificar desigualdade e miséria como males.
Outra norma da lei:  “O Professor deverá abster-se de introduzir, em disciplina ou atividade obrigatória, conteúdos que possam estar em conflito com as convicções morais, religiosas ou ideológicas dos estudantes ou de seus pais ou responsáveis''.
Quer dizer que, se os “responsáveis'' de um estudante são favoráveis ao “direito'' (sic) ao estupro, o professor não pode dizer não?
E se são praticantes de violência doméstica?
Ou, por motivos religiosos, impedem a transfusão de sangue que pode salvar vidas?
É pau, é pedra, é o fim do caminho.
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