LULA PRESO POLÍTICO

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terça-feira, 3 de maio de 2016

Rodrigo Janot é um narciso, por Ruben Buaer


Por Ruben Bauer Naveira, via GGN

Rodrigo Janot é um Narciso, embevecido com a sua própria idealização do que seria um Brasil perfeito.

O Brasil perfeito de Janot seria como um Estados Unidos tropical – melhor dizendo, seria como a propaganda que os Estados Unidos apregoam quanto a si próprios (por mais discrepantes disso que de fato sejam): economia aberta, livre mercado, empreendedorismo, meritocracia, compliance, accountability.

No seu delírio de onipotência, Janot se viu investido de poderes para operar a erradicação do Mal no Brasil. Não, não é a corrupção, é a esquerda – embora na cabeça preconceituosa de Janot estas sejam sinônimos. Assim, o combate à corrupção foi a roupagem perfeita para o verdadeiro combate, visto como combate ao atraso.

Janot agora pode se permitir ferrar Aécio Neves – não porque quisesse fazê-lo, mas para salvar as aparências. Isso porque a tarefa principal já está praticamente concluída: a derrocada do governo Dilma, com a destruição da imagem de Lula e do PT.

Até parece que, eliminando-se Lula, Dilma e o PT, se elimina todo o pensamento de esquerda do país...

Não, Janot, você não tem poderes para eliminar o sonho que habita dentro de milhões de brasileiros de que esse país vai ser um dia um país justo e cidadão para todos os seus filhos.

Você até acredita que um país assim, justo e cidadão para todos, possa ser construído por meio de coisas como compliance e accountability.

Não, Janot, não pode.

Isso pode até ter funcionado (mais ou menos...) para os Estados Unidos lá a partir do longínquo ano de 1776, mas no século XXI claramente não pode.

Milhões de brasileiros compreendem que justiça social e cidadania são construções sociais, ou seja, coletivas, nunca somatório de individualismos. E que a forma dessa construção social se chama Estado.

E muitos mais milhões de brasileiros, que carregam no seu sangue o sangue de milhões de escravos (negros e índios) e de explorados e espoliados (brancos também), ao longo de cinco séculos, sabem isso a um nível genético. Sentem isso.

Rodrigo Janot, você chutou a tampa da caixa de Pandora que guardava todos os males históricos do país. Desde 1988, estávamos todos tentando avançar, ainda que aos trancos e barrancos, pelo caminho do diálogo e do entendimento mútuo, vulgarmente conhecido como democracia.

Agora é tarde, Janot, para tentar colocar essa tampa de volta. Processar ou deixar de processar Aécio Neves não vai mais fazer a menor diferença.

Quanta soberba a sua, Janot. E quanto sangue vai passar a ser derramado por causa dela.

Que pena, Janot. Que lástima.