LULA PRESO POLÍTICO

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quinta-feira, 30 de junho de 2016

O poder da síntese

Bob Fernandes / Cerco a jornalista, grampo, vazamentos: vale tudo em nome da lei?

Quem advoga pra eles: a Janaína ou o zé Cardozo?

Tribunal dos EUA condena ex-militar chileno pelo assassinato do cantor Víctor Jara em 1973

Víctor Jara, cantor, teatrólogo e professor universitário chileno, 
foi executado em 1973 durante ditadura militar no país



Veredito abre caminho para extradição de Pedro Pablo Barrientos Nuñez ao Chile; viúva e filhas do artista devem receber indenização de US$ 28 milhões

A Corte Federal de Orlando, na Flórida (EUA), condenou nesta segunda-feira (27/06) o ex-oficial do Exército chileno Pedro Pablo Barrientos Nuñez pela tortura e execução do cantor Víctor Jara em 1973, durante a ditadura militar no país sul-americano.

Segundo a decisão, a viúva e a filha de Jara deverão receber uma indenização de US$ 28 milhões, cerca de R$ 92 milhões.

O veredito contra Nuñez, de 67 anos, foi divulgado após um julgamento que durou duas semanas.

A decisão abre caminho para a extradição do ex-militar ao Chile, onde ele enfrenta acusações de assassinato relacionadas à sua atuação no regime ditatorial (1973-1990) imposto por Augusto Pinochet.

De acordo com a acusação, Nuñez assassinou Jara a tiros em 16 de setembro de 1973 no Estádio Chile, em Santiago, que serviu como um centro de detenção em massa e de tortura no início do regime de Pinochet.

Nuñez fugiu do Chile em 1989 para os Estados Unidos, onde conseguiu a cidadania após se casar com uma mulher norte-americana.

Em 2012, uma ordem de captura internacional foi emitida para o ex-oficial e outros oito militares acusados pela morte de Jara. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, porém, não respondeu a um pedido chileno sobre a extradição de Nuñez ao país.

Segundo Kathy Roberts, diretora legal do CJA (Centro de Justiça de Responsabilidade), uma organização baseada na Califórnia e que representa a família de Jara, a condenação de Nuñez é um "passo no caminho à justiça".

“[A decisão] é um passo no caminho à justiça para nossos clientes e para Víctor, e também para muitas outras famílias que perderam alguém no Estádio Chile tantos anos atrás”, disse.

“Apresentamos evidências que começaram a jogar luz no que aconteceu lá [no estádio], e esperamos que o processo continue no Chile e esperamos que os Estados Unidos extraditem Nuñez para enfrentar a justiça no país onde ele cometeu aqueles crimes”, complementou a representante do CJA.

De acordo com a viúva de Jara, Joan Jara Turner, a condenação “é o começo de justiça para todas aquelas pessoas, aqueles familiares no Chile que estão esperando para saber o destino dos seus amados, que estão esperando por anos e anos, como nós, buscando justiça [e] conhecimento”.

"Ele fugiu. Ele tem se escondido por tanto tempo, é hora de ele enfrentar aquilo [crimes] no Chile", disse a filha do cantor, Amanda Turner Jara.

Nuñez não fez nenhum comentário após o julgamento. Segundo seu advogado, Luis Calderon, o veredito deixou seu cliente “desapontado”.

“Vamos explorar todas as opções a respeito de apelação”, disse o advogado, que alegou ao júri que Nuñez vive uma situação financeira precária.

Além de cantor, Víctor Jara era diretor de teatro e professor na UTE (Universidade Técnica do Estado), a atual Universidade de Santiago. Ele tinha 40 anos quando foi preso em 12 de setembro, um dia após o golpe que destituiu o então presidente Salvador Allende. Ele foi torturado e morto nas dependências do Estádio Chile. Seu corpo foi encontrado nos arredores do estádio, mutilado e com 44 tiros.

Centenas de alunos, trabalhadores e professores da UTE foram presos no estádio, que em 2003 foi renomeado Estádio Víctor Jara em homenagem ao artista. Estima-se que três mil pessoas morreram e pelo menos 28 mil foram torturadas durante os 17 anos de ditadura chilena.

Joan Jara (centro), viúva de Víctor Jara, e suas filhas Amanda Jara e Manuela Bunster comemoram com equipe legal após veredito

terça-feira, 28 de junho de 2016

Lei Rouanet: picaretagem é de coxinhas, não de “barbudinhos do PT”

coxinhacasa

Por Jari da Rocha, via Tijolaço 
A operação deflagrada hoje para investigar desvios em projetos de captação via Lei Rouanet poderá trazer um pouco de luz às tolices replicadas diariamente nas redes sociais como símbolo de barganha petista em favor de artistas de ‘esquerda’.
A investigação partiu da Controladoria Geral da União, criada no governo Lula e extinta pelo de Temer, que enviou documentos à Polícia Federal sobre irregularidades no uso da lei.
O governo anterior vinha tentando, além disso, mudar a própria lei, cheia de frestas para a roubalheira.
Para Juca Ferreira, a Lei Rouanet é uma “injustiça federativa”, por beneficiar segmentos que não são os que mais precisam de apoio público. Segundo ele, 80% dos projetos liberados para captação pela Comissão Nacional de Investimento Cultura (CNIC) são dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, com o agravante de estarem centralizados em poucas empresas.
O mapa (do Brasil) de captações é escandaloso, a maioria dos projetos que conseguem ser executados partem de dois bairros do país. Jardins (SP) e Leblon (RJ). A lista dos maiores beneficiados frustra qualquer tentativa de atribuir, o uso da lei, como forma de ‘cooptar’ apoiadores de Lula ou Dilma. Muito pelo contrário.
Folha publicou os nomes dos envolvidos, além de gráficos que auxiliam aos interessados em informações (e não ilações) sobre a necessidade de mudanças na Lei.
Os envolvidos em fraude no valor de R$ 180 milhões não são, essencialmente, artistas.
São os que os utilizam, senhores muito bem postados no mundo dos negócios: a Bellini Eventos Culturais (principal operador do esquema, dirigida por um ex-diretor do Itaú Cultural)  e  escritório de advocacia Demarest, o segundo maior do país. Além deles, as empresas Scania, Kpmg, Roldão, intermédica, Laboratório Cristalia, Lojas Cem, Cecil e Nycomed Produtos Farmacêuticos. 
Como se vê, não são os “barbudinhos do PT”.
O casamento (entre Felipe Amorim e e Carolina) bancado com recursos de isenções fiscais num “beach club” de Florianópolis não poderia ser mais coxinha, inclusive com um show  de Leo Rodriguez e sua “Viatura da Paixão”.
Colocar a cultura brasileira no mesmo saco que isso é a mais completa burrice. Achar que investimento em Cultura é gasto, ao contrário, traz retorno financeiro, distribuição de renda, gera economia e nos afirma como nação.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

ANTES DA CHEGADA DOS CRISTÃOS EUROPEUS, NATIVOS NORTE-AMERICANOS RECONHECIAM 5 GÊNEROS

Nativos norte-americanos reconheciam 5 gêneros antes da chegada dos europeus Hoje, ativistas retomam o termo "two-spirit". 
Por Francine Oliveira, via blastingnews
Com a conversão forçada ao cristianismo, foi imposto também o sistema que só reconhece os gêneros masculino e feminino.
Muitos conservadores continuam a insistir em uma "ideologia de gênero" que negaria a "natureza" humana ao afirmar que os gêneros são culturalmente construídos. Para eles, só existiriam dois gêneros, correspondentes aos sexos "masculino" e "feminino", algo que já estaria determinado por "Deus" antes do nascimento.
No entanto, a ideia restrita dos papéis de gênero como a conhecemos hoje, baseada no binário homem/mulher, apenas foi incorporada pelas tribos norte-americanas após a chegada dos europeus, com a imposição das crenças cristãs.
A visão diferenciada dos gêneros, que existia em muitas comunidades indígenas, não apenas na América do Norte, mostra como a cultura de um povo influencia os papéis de gênero e a maneira como enxergamos as expressões e sexualidades de acordo com nossas crenças.
Para os nativos norte-americanos, havia um grupo de regras específicas que tanto homens quanto mulheres deveriam obedecer para que fossem considerados "normais" dentro de uma tribo. As pessoas que reuniam em si características femininas e masculinas eram vistas com reverência, pois se acreditava que tinham grande poder.
Segundo o site Indian Country Today, especializado em notícias sobre povos indígenas, entre os norte-americanos eram reconhecidos 5 gêneros diferentes: masculino, feminino, dois-espíritos masculino, dois-espíritos feminino e o que hoje chamaríamos de transgênero. As nomenclaturas são diferentes para cada tribo, de acordo com os dialetos, mas referem-se a identidades de gênero semelhantes.
A crença dos indígenas norte-americanos era a de que algumas pessoas nasciam com um espírito feminino e outro masculino que se expressavam perfeitamente em um mesmo corpo. Não havia questões morais associadas nem aos gêneros nem à sexualidade; uma pessoa era julgada pela sociedade conforme seu caráter e de acordo com o que contribuía para a tribo.
Desde 1989, nativo-americanos que militavam pela diversidade sexual e de gêneros resgataram o termo "dois-espíritos" (em inglês, two-spirit) para reafirmar sua identidade trans. Assim, "dois-espíritos" passou a ser uma expressão universal para identificar nativos e seus descendentes, que se considerassem transgênero, entre as tribos norte-americanas. 
Quando chegaram ao território norte-americano, exploradores que testemunharam a presença desses indivíduos que não se encaixavam no padrão binário do masculino e feminino consideraram aquilo um pecado, uma espécie de maldição que recaiu sobre aquelas comunidades por não se dedicarem ao cristianismo.
A extinção das crenças nativas também aconteceu por todo o continente americano. Colonizadores espanhóis também se empenharam em destruir códices (manuscritos gravados em madeira) aztecas que mencionavam dois-espíritos e seus poderes mágicos. No Brasil, portugueses igualmente se esforçaram para erradicar as identidades de gêneros e comportamentos sexuais que hoje seriam considerados como transgeneridade e homossexualidade.

Antes de prender o Lula, tem que olhar para o exterior

Morte de “laranja” do jatinho de Campos não teve perícia. Cadê o Janot?

pericia

Por Fernando Brito, em seu blog
O caso é federal, porque versa sobre desvio de verbas de obras federais para, supostamente, abastecer a campanha da chapa Eduardo Campos-Marina Silva.
Portanto, é obrigação da Procuradoria Geral da República zelar para que não haja obstrução das investigações.
É gravíssima a denúncia do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, no Estadão, de que pode haver “interferência política” nas investigações da morte do empresário Paulo César Morato, que foi encontrado morto em um motel em Olinda, região metropolitana do Recife, um dia após a deflagração da Operação Turbulência.  Morato, que estava foragido,  seria um dos empresários envolvido no esquema de desvio de recursos para alimentar campanhas do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e a perícia da cena do encontro de seu corpo não teria sido devidamente periciada.
“A diretoria do Sinpol tomou conhecimento que peritos papiloscopistas (…) foram impedidos de realizar perícia no quarto do motel Tititi, onde foi encontrado o corpo do empresário Paulo César de Barros Morato”, diz o sindicato em nota. A tentativa de perícia aconteceu na última quinta-feira, 23. “São muitas questões graves que envolvem o episódio, sobretudo por se tratar de uma testemunha que aparece misteriosamente morta, pouco depois de ter sua prisão preventiva decretada”, pontua o comunicado.
O texto diz ainda que “beiramos o fascismo ou qualquer outro regime ditatorial quando o Estado se ‘autossabota’ para atender interesses políticos e particulares, favorecendo a corrupção e a ocultação de graves crimes”.
A polícia estadual, recorde-se, está sob o comando do governo do PSB campista, com Paulo Câmara, que tem também um representante no Governo Temer, o deputado Fernando Filho, filho de Fernando Bezerra Coelho, apontado também como beneficiário dos desvios de recursos que teria sido patrocinado pelo ex-governador.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

12 anos sem Brizola. Mas há coisas que nem a morte nos tira mais

briza

Por Fernando Brito, em seu blog

Não é fácil deixar para trás um convívio diário de mais de 20 anos. Ainda que se tente, porque a vida exige que se caminhe para ter caminhos, as coisas vão conosco.
Ou como fardo, ou como asas.
Hoje, 12° aniversário da morte de Leonel Brizola, só tenho a agradecer o que ele me deu.
Não foi emprego público, não foi carreira política, não foram bens, exceto um agora velho casaco de brim que, um dia, ele esqueceu num estúdio de televisão, numa das últimas vezes que fez uma gravação em que eu o torturei a falar em exatos oito segundos – uma frase, só, coitado – para já nem me lembro qual chamada de TV do PDT.
Claro que avisei a ele, mas também avisei que não ia devolver, porque queria ter algo dele e até as fotos eram raríssimas, por eu ter completa alergia à papagaiagem de pirata.
Mentira minha, ele me deu algo muito maior: o privilégio de viver, no centro dos acontecimentos, duas décadas decisivas da história de meu país.
Não vou aborrecer o leitor e a leitora com minhas saudades de alguém que nunca entendi completamente e que, tenho certeza, também nunca me entendeu por inteiro, o que jamais impediu, porém, de termos confiança absoluta um no outro, pela identidade de sentimentos e sonhos.
Pedindo desculpa pela falta de qualidade das imagens, do texto e do locutor improvisado que este blogueiro teve de tentar ser, coloco aí embaixo o vídeo que fiz, muitos anos atrás, para um dia como o de hoje, aniversário da morte do velho Briza, com quem aprendi que política não se faz sem honra, sem paixão e sem teimosia.

STF vira chacota: Sérgio Machado xinga 5 ministros do STF e diz ainda que Janot é tarado

O ex-presidente da Transpetro Sergio Machado fez ofensas verbais aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) durante as conversas gravadas com integrantes da cúpula do PMDB.
De acordo com a Folha de S. Paulo, os áudios repassados à PGR (Procuradoria-Geral da República) durante seu acordo de delação premiada revelam que Machado fez críticas e xingamentos a cinco dos 11 ministros do tribunal. Os ministros xingados por Sérgio são: Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Rosa Weber, Luiz Fux e Edson Fachin.
A reportagem tentou entrar em contato com os juízes mas eles não se manifestaram e Machado também não comentou. Leia abaixo os xingamentos de Machado:
O ex-presidente da Transpetro atacou os ministros especialmente quando foi abordado o tema de que o entendimento fixado pelo Supremo de que a prisão de condenados deve ocorrer depois que a sentença for confirmada em um julgamento de segunda instância, ou seja, antes de se esgotarem todos os recursos possíveis da defesa.
Os procuradores da Lava Jato entendem que uma das ações planejadas pelos peemedebistas para frear as investigações do esquema de corrupção seria alterar a prisão em segunda instância, uma vez que ela poderia se tornar um instrumento para pressionar por delações.
Durante conversa com o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), Machado criticou as indicações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente afastada Dilma Rousseff para o Supremo.
“Aquela reunião do Supremo […] rasgaram a Constituição no que diz respeito a transitado e julgado [não há chance de recurso]. O Gilmar que foi […] o Gilmar e o Toffoli foram os grandes, os dois filhos da p… porque se tivessem votado tinha dado seis a quatro”, afirmou.
“O presidente Lula e a presidente Dilma nomeou oito ministros do Supremo e não tem nenhum?”, completou.
Na opinião de Machado, o STF agiu a reboque do juiz Sergio Moro, que tinha defendido a medida. “Esse homem tomou conta do Brasil. Inclusive o Supremo fez porque é pedido dele. Agora, como é que o Toffoli e o Gilmar faz uma p… dessa? Se esses dois tivessem votado contra, não dava? […] Nomeia uns ministros de m…, como aquele do Rio [Fux].”
Sarney respondeu: “Todos.” Segundo os investigadores, no entanto, Sarney teria feito um elogio a Fachin ou a Luís Roberto Barroso. “M… nenhuma. Aquele do Paraná [Fachin] também”, disse Machado.
Sarney discorda. “Esse até não é ruim. Ele votou errado.”
De acordo com as gravações, Machado também afirmou que a mídia está “parcial” no caso. Na conversa com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), ele atacou o tema da prisão na segunda instância. “A Constituição é clara, só pode ser […] depois de transitado em julgado, julgado em última instância. Quem sacaneou ali foi o Toffoli e o Gilmar.”
Além disso, Sérgio criticou o fato de Rosa Weber não ter atendido a um pedido da defesa de Lula para que investigações não ficassem sob cuidados de Sergio Moro.
“Como é que a Dilma nomeia oito ministros e não controla p… nenhuma. Aquela p… daquela mulher, aquela b… do trabalhista não deu o negócio para o Lula”, disse.
Machadou também concordou que o Ministério Público Federal estaria “desesperado” para oferecer denúncia na Operação Lava Jato e, em um dos áudios, o ex-presidente da Transpetro chega a chamar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de “tarado”.
Leia mais:

Crime organizado no Brasil

terça-feira, 21 de junho de 2016

Moro não sumiu: foi sumido.

Procura-se
Procura-se

Por Paulo Nogueira, via DCM
Moro sumiu.
Ou melhor: foi sumido.
Como as pesquisas do Datafolha e do Ibope, tão frequentes na desestabilização do segundo mandato de Dilma, Moro saiu do ar.
Ou, de novo: foi saído.
Você tira duas conclusões daí:
1) Moro, sem o circo da mídia, não é nada. A mesma coisa aconteceu com Joaquim Barbosa, hoje reduzido a um tuiteiro que tenta ganhar a vida com palestras.
2) Para despertar interesse da imprensa, a Lava Jato tem que mirar em Lula, Dilma e no PT em geral. Delações como as de Sérgio Machado são tratadas como assunto de segunda ou terceira classe pelos coronéis da mídia e seus fâmulos.
Moro e a Lava Jato têm apenas um propósito, para a plutocracia e sua voz, a imprensa: minar o PT. Se possível, exterminar.
Por circunstâncias que escaparam ao controle dos golpistas, as delações — sobretudo as de Machado — fugiram dos suspeitos de sempre, os petistas. Coisas infinitamente menos pueris que pedalinhos apareceram no caminho, mas foram previsivelmente subestimadas ou mesmo ignoradas por jornais e revistas.
Está claro que, fora do mundo de fantasia criado pelos plutocratas, o partido menos corrupto entre os grandes que estão aí é exatamente o PT.
Os demais, a começar pelo PSDB, puderam roubar com a voluptuosidade típica dos ladrões que sabem que não sofrerão castigo.
Mas não foi para demonstrar isso que a imprensa inflou Moro e a Lava Jato.
A não ser que forneçam novos panelinhos para os Marinhos e congêneres, Moro e os delegados da PF receberão o mesmo tratamento dispensado a Joaquim Barbosa: o esquecimento glacial.
(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

“Roubação premiada”: a estranha “ética” de fazer do delator o herói da Justiça

delatorzinho

Por Fernando Brito, em seu blog
Reportagem de Cristiane Lucchesi, Sabrina Valle e Blake Schmidt, da Bloomberg, publicada ontem pela Exame traz uma indagação que deixaria qualquer investigação séria interessadíssima.
É que Sérgio Firmeza Machado, avalista de parte do pagamento da tal multa de R$ 70 milhões imposta ao pai, Sérgio Machado, pelas roubalheiras confessadas na Petrobras, ganhou, ano passado como remuneração – legal e declarada – do Banco Credit Suisse, onde era diretor, R$ 48,4 milhões (US$ 14 milhões).
É quase o dobro do mais bem pago executivo do banco em todo o mundo.
Não é a única informação intrigante: em 2013, o Credit Suisse  fez um empréstimo ao Governo Antonio Anastasia, em Minas, no valor de US$ 1,27 bilhão e um mês depois vendeu o crédito a investidores com um lucro de US$ 116 milhões.
“Serginho”, claro, diz que seus negócio no banco nada tinham a ver com as falcatruas do pai, que, inclusive, seriam o motivo do afastamento entre ambos.
Edificante, não?
Hoje, na Folha, Bernardo de Mello Franco narra a vida confortável do “Sérgio Pai” em sua mansão na Praia do Futuro e a de outros “heróis da Lava Jato”, cujas delações são a base de todo o processo que Curitiba, com alguns pedaços no STF:
Não passou um único dia na cadeia e foi autorizado a se recolher ao conforto do lar, onde poderá matar o tempo entre a piscina, a quadra poliesportiva e a churrasqueira. Ele ainda terá autorização para sair de casa em ao menos oito datas até 2018, quando se livrará da tornozeleira eletrônica.

(…)Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras, habita um condomínio exclusivo em Itaipava, na região serrana do Rio. É vizinho de altos executivos e de um ministro do Supremo, que acumulou patrimônio como advogado de renome.

Pedro Barusco, o ex-gerente da estatal que organizava planilhas de propina, aproveita o mar em Angra dos Reis. No ano passado, foi fotografado à vontade numa cadeira de praia, dando baforadas num charuto e tomando cerveja. Ele cumpre pena em regime aberto, que dispensa a companhia da tornozeleira.

Estranhos valores morais da “moralização” em curso no Brasil.

Roubar é pecado não apenas perdoado, mas premiado, quando seguido da “deduragem” dos cúmplices, ou de supostos cúmplices.

Verdade que os denunciados foram, em geral, cúmplices ou mandantes da roubalheira. Em geral, mas todos são tratados como se fossem, exceto aqueles que, a critério da Polícia Federal, do MP e do Judiciário, “não vêm ao caso”.

E o corolário deste triunfo da moralização, que justifica jogar no lixo a vontade eleitoral do povo brasileiro,  será a imolação pública de uma mulher contra a qual, nem mesmo com dezenas de delações e todos os prêmios oferecidos, não se arranjou sequer um ato em benefício próprio.

Bob Fernandes / A Lava Jato, suas escolhas, efeitos e defeitos, e o Sistema corrupto

sábado, 18 de junho de 2016

Aragão, procurador e ex-ministro: falar mal dos abusos da Lava Jato é sacrilégio?

eugenio

Por Fernando Brito, em seu blog
Marcelo Auler gravou e transcreveu trechos da palestra feita por Eugênio Aragão,  procurador da república e ministro da Justiça por breves dias antes da interrupção do mandato de Dilma Rousseff, a alunos e professores da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, esta semana.
E as palavras são inteiras, corajosas, simples, como para nos mostrar que a instituição a que ele pertence, sem as deformações que a ela impuseram, é de enorme valor para a democracia.
Um trecho basta para que se avalie como isso é verdadeiro:
Aí vem aquela coisa de publicarem escutas que não têm sequer pertinência com o processo: Dona Marisa (mulher de Lula) falando palavrões com seu filho…Pelo amor de Deus, o que isso tem a ver? Isso é pura estratégia de desconstrução de reputação. Não tem nada… As pessoas falam, dentro das suas quatro paredes o que quiserem.  Se ela falar palavrão, é um direito dela, falar palavrão… Se ela está debochando de coxinha, ela tem o direito de debochar de coxinha. Qual é o problema, é a liberdade dela. Não, isso é colocado a público, quando a lei é muito clara: ela diz que as gravações que não dizem respeito ao processo devem ser destruídas, não divulgadas….
Mas está ali: divulgam aquilo que devia ser destruído. Isso é criminoso. Isso é para destruir reputações. Cadê o procurador-geral da República? Cadê o Supremo Tribunal Federal? Cadê os órgãos jurisdicionais se opondo a este abuso? Não, todo mundo fica paradinho. Do Moro não se pode falar mal. Se você falar mal da Lava Jato será um sacrilégio. E aí, pronto, você está sujeito a levar uma chapuletada.
O que diz este procurador da República deveria ser a voz de toda a Procuradoria, os fiscais da lei jamais deveriam se esquecer que direitos também são leis e, como tal, merecem a sua guarda.
Lei a toda a reportagem e veja alguns trechos da palestra de Aragão em vídeo no Blog do Marcelo Auler.

Greenwald: Enquanto a corrupção assombra Temer, caem as máscaras dos movimentos pró-impeachment

protesto

Por Glenn Greenwald, via Intercept

O impeachment da presidente do Brasil democraticamente eleita, Dilma Rousseff, foi inicialmente conduzido por grandes protestos de cidadãos que demandavam seu afastamento. Embora a mídia dominante do país glorificasse incessantemente (e incitasse) estes protestos de figurino verde-e-amarelo como um movimento orgânico de cidadania, surgiram, recentemente, evidências de que os líderes dos protestos foram secretamente pagos e financiados por partidos da oposição. Ainda assim, não há dúvidas de que milhões de brasileiros participaram nas marchas que reivindicavam a saída de Dilma, afirmando que eram motivados pela indignação com a presidente e com a corrupção de seu partido.

Mas desde o início, havia inúmeras razões para duvidar desta história e perceber que estes manifestantes, na verdade, não eram (em sua maioria) opositores da corrupção, mas simplesmente dedicados a retirar do poder o partido de centro-esquerda que ganhou quatro eleições consecutivas. Como reportado pelos meios de mídia internacionais, pesquisas mostraram que os manifestantes não eram representativos da sociedade brasileira mas, ao invés disso, eram desproporcionalmente brancos e ricos: em outras palavras, as mesmas pessoas que sempre odiaram e votaram contra o PT. Como dito pelo The Guardian, sobre o maior protesto no Rio: “a multidão era predominantemente branca, de classe média e predisposta a apoiar a oposição”. Certamente, muitos dos antigos apoiadores do PT se viraram contra Dilma – com boas razões – e o próprio PT tem estado, de fato, cheio de corrupção. Mas os protestos eram majoritariamente compostos pelos mesmos grupos que sempre se opuseram ao PT.

É esse o motivo pelo qual uma foto – de uma família rica e branca num protesto anti-Dilma seguida por sua babá de fim de semana negra, vestida com o uniforme branco que muitos ricos  no Brasil fazem seus empregados usarem – se tornou viral: porque ela captura o que foram estes protestos. E enquanto esses manifestantes corretamente denunciavam os escândalos de corrupção no interior do PT – e há muitos deles – ignoravam amplamente os políticos de direita que se afogavam em escândalos muitos piores que as acusações contra Dilma. 


Claramente, essas marchas não eram contra a corrupção, mas contra a democracia: conduzidas por pessoas cujas visões políticas são minoritárias e cujos políticos preferidos perdem quando as eleições determinam quem comanda o Brasil. E, como pretendido, o novo governo tenta agora impor uma agenda de austeridade e privatização que jamais seria ratificado se a população tivesse sua voz ouvida (a própria Dilma impôs medidas de austeridade depois de sua reeleição em 2014, após ter concorrido contra eles).

Depois das enormes notícias de ontem sobre o Brasil, as evidências de que estes protestos foram uma farsa são agora irrefutáveis. Um executivo do petróleo e ex-senador do partido conservador de oposição, o PSDB, Sérgio Machado, declarou em seu acordo de delação premiada que Michel Temer – presidente interino do Brasil que conspirou para remover Dilma – exigiu R$1,5 milhões em propinas para a campanha do candidato de seu partido à prefeitura de São Paulo (Temer nega a informação). Isso vem se somar a vários outros escândalos de corrupção nos quais Temer está envolvido, bem como sua inelegibilidade se candidatar a qualquer cargo (incluindo o que por ora ocupa) por 8 anos, imposta pelo TRE por conta de violações da lei sobre os gastos de campanha.

E tudo isso independentemente de como dois dos novos ministros de Temer foram forçados a renunciar depois que gravações revelaram que eles estavam conspirando para barrar a investigação na qual eram alvos, incluindo o que era seu ministro anticorrupção e outro – Romero Jucá, um de seus aliados mais próximos em Brasília – que agora foi acusado por Machado de receber milhões em subornos. Em suma, a pessoa cujas elites brasileiras – em nome da “anticorrupção” – instalaram para substituir a presidente democraticamente eleita está sufocando entre diversos e esmagadores escândalos de corrupção.

Mas os efeitos da notícia bombástica de ontem foram muito além de Temer, envolvendo inúmeros outros políticos que estiveram liderando a luta pelo impeachment contra Dilma. Talvez o mais significante seja Aécio Neves, o candidato de centro-direita do PSDB derrotado por Dilma em 2014 e quem, como Senador, é um dos líderes entre os defensores do impeachment. Machado alegou que Aécio – que também já havia estado envolvido em escândalos de corrupção – recebeu e controlou R$ 1 milhão em doações ilegais de campanha. Descrever Aécio como figura central para a visão política dos manifestantes é subestimar sua importância. Por cerca de um ano, eles popularizaram a frase “Não é minha culpa: eu votei no Aécio”; chegaram a fazer camisetas e adesivos que orgulhosamente proclamavam isso: 


Evidências de corrupção generalizada entre a classe política brasileira – não só no PT mas muito além dele – continuam a surgir, agora envolvendo aqueles que antidemocraticamente tomaram o poder em nome do combate a ela. Mas desde o impeachment de Dilma, o movimento de protestos desapareceu. Por alguma razão, o pessoal do “Vem Pra Rua” não está mais nas ruas exigindo o impeachment de Temer, ou a remoção de Aécio, ou a prisão de Jucá. Porque será? Para onde eles foram?
Podemos procurar, em vão, em seu website e sua página no Facebook por qualquer denúncia, ou ainda organização de protestos, voltados para a profunda e generalizada corrupção do governo “interino” ou qualquer dos inúmeros políticos que não sejam da esquerda. Eles ainda estão promovendo o que esperam que seja uma marcha massiva no dia 31 de julho, mas que é focada no impeachment de Dilma, e não no de Temer ou de qualquer líder da oposição cuja profunda corrupção já tenha sido provada. Sua suposta indignação com a corrupção parece começar – e terminar – com a Dilma e o PT.

Neste sentido, esse movimento é de fato representativo do próprio impeachment: usou a corrupção como pretexto para os fins antidemocráticos que logrou atingir. Para além de outras questões, qualquer processo que resulte no empoderamento de alguém como Michel Temer, Romero Jucá e Aécio Neves tem muitos objetivos: a luta contra a corrupção nunca foi um deles.