LULA PRESO POLÍTICO

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quarta-feira, 15 de junho de 2016

A cena que Eduardo Cunha poderá nos proporcionar



Por Max Cavalera 

Com um atraso descomunal, o conselho de ética da Câmara dos Deputados selou o destino de um dos maiores canalhas da política brasileira. Numa votação que envergonha por não ter sido unânime pela cassação de um crápula, Eduardo Cunha, a personificação cabal da imoralidade pública, foi lançado por seus pares à própria sorte.

O responsável direto pela aceitação do pedido de impeachment da presidenta Dilma, entra agora em contagem regressiva para o momento em que sairá definitivamente da seara política rumo ao extremo oposto da vida faraônica que usufruía às custas de uma vasta folha corrida. A indecência do sistema prisional brasileiro receberá alguém realmente à sua altura.

Porém, mais importante do que a derrocada de Cunha é o efeito cascata que a sua ruína poderá provocar na excrescência que se formou à sua volta. Cunha é um rato. E como rato que é trairá todos aqueles que beberam de sua fonte. O governo ilegítimo de Michel Temer, principal beneficiário dos arroubos de Cunha na presidência da Câmara, é quem mais tem a perder.

O assombroso pântano que se transformou o putrefato sistema político do Brasil poderá nos proporcionar uma cena no mínimo curiosa. Na falta de instituições que pudessem nos garantir a ordem e o progresso encravados na nossa bandeira e cantados no nosso hino, poderão ser restabelecidos através da autofagia de dois animais que se consomem enquanto afundam na lama que eles próprios criaram.

Não é uma cena digna de se ver, mas Temer e Cunha abraçados em meio a seus próprios flagelos não deixa de ser uma justiça poética.