LULA PRESO POLÍTICO

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sexta-feira, 3 de junho de 2016

O cachimbo do golpe entorta as bocas: Jardim quer “compatibilidade ideológica” de auditores



Por Fernando Brito, em seu blog

A ilegitimidade do golpe que levou Michel Temer ao poder é contaminante.
Torquato Jardim, ex-ministro do TSE e advogado respeitado,  mostrou que as qualidades pessoais sucumbem diante da necessidade de legitimar, à força, o governo que deveria  se portar como provisório, mas que se pretende, agora, “dono do Brasil”.
Em vídeo, divulgado pelo Congresso em Foco, Jardim diz que os trabalhos no ministério pressupõem “compatibilidade política, filosófica e ideológica de cada qual com o governo de transição” de Temer.
Quem dizer agora que fiscalização de contas exige “compatibilidade política, filosófica e ideológica”?
O novo ministro, aliás, solicitou a quem tiver “incompatibilidades” pegue o boné e vá embora.
Aliás, até a forma de dizer foi um desastre: em lugar de apresentar-se, ter um discurso técnico, apaziguador, exercitar a paciência, Jardim mandou os funcionários para o auditório e falou a eles… por vídeo!
A ilegitimidade deste governo, assim, se transmite para todos os seus integrantes na forma de autoritarismo, soberba e incapacidade de conviver com quem quer que seja se não for pelo conchavo político.
Os servidores da extinta CGU não têm nada de “esquerdistas” ou “bolivarianos”, muito ao contrário. Apesar do status e da independência que o órgão teve durante os governos do PT, faziam sérias resistências políticas a Dilma.
A sutileza de elefante do novo ministro é apenas decorrência de um governo que, em 20 dias, já não pode sair na rua.