LULA PRESO POLÍTICO

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quinta-feira, 2 de junho de 2016

O que o juiz Barroso estava fazendo num evento da Veja?

Esta foto não deveria existir
Esta foto não deveria existir

Por Paulo Nogueira, via DCM

O que o ministro Luís Roberto Barroso estava fazendo num evento promovido por uma revista que fez horrores para derrubar Dilma?

A presença de Barroso num fórum da Veja é uma demonstração fabulosa da falta de sensibilidade dos ministros do STF diante da fumegante crise política que tragou o país.
Não é conveniente nunca juízes se misturarem à mídia, e ainda menos quando pairam suspeitas de que a imprensa e a Justiça se conluiaram no golpe.
Que Gilmar esqueça regras básicas de decência e viva pegando microfones para fazer propaganda política, é uma desgraça contra a civilização à qual estamos já acostumados, lamentavelmente.
Mas Barroso não deve seguir seus passos.
Barroso tinha algo de importante a dizer para prestigiar a Veja? Aparentemente, não. Ele repetiu um clichê que é frequente em pessoas que ficam em cima do muro. Falou do “Fla-Flu” nacional.
Ora, ora, ora.
Não existe “Fla-Flu”. Há um pequeno grupo — a plutocracia — empenhada em dar um golpe de estado para desalojar uma administração progressista que chegou ao poder e nele se manteve pelas urnas.
É um absurdo igualar os dois lados que se opõem como se fossem um mero Fla-Flu.
Chamaram a atenção também os elogios feitos por Barroso a Joaquim Barbosa e a Sérgio Moro. Ora, os dois simbolizam a partidarização da Justiça iniciada com o Mensalão. Não à toa, JB e Moro foram alçados à condição de herois pela mídia. Porque perseguiram freneticamente Lula e Dilma e outras lideranças petistas, e contribuíram, cada qual a seu tempo, para dar ao PT a aura que a imprensa tanto queria construir: a de o partido que inventou a corrupção.
Quando li que Dilma indicara Barroso, fiquei apreensivo. Sabia que ele trabalhara para a Globo. Era advogado da associação que faz o lobby das empresas de tevê, a ABERT.
Neste tempo, publicou no Globo um artigo patético em que defendia a reserva de mercado para as companhias jornalísticas.
Um de seus argumentos era que, se os chineses comprassem uma emissora no Brasil, poderiam fazer livremente a propaganda do comunismo maoista entre os brasileiros. Isto depois, muito depois de o comunismo desaparecer e a China dar uma virada radical para a economia de mercado. Uma tolice da Guerra Fria foi usada décadas depois por Barroso na defesa das mamatas da Globo.
Por que Dilma o escolheu? Não tenho a menor ideia. Trabalhar para a Globo deveria ser um impeditivo para Dilma, num mundo menos irracional.
Meus anos de executivo me ensinaram a fazer perguntas chave na hora de recrutar pessoas para posições chave. Dilma deveria ter perguntado a Barroso: qual sua opinião sobre o STF no Mensalão? E sobre Barbosa?
Os americanos entendem que a escolha de um juiz da Suprema Corte é uma das tarefas mais importantes na vida de um presidente. Roosevelt só conseguiu por em marcha seu New Deal depois que, com o tempo, montou um Supremo com maioria progressista. Os juízes conservadores que dominavam a Suprema Corte vinham sistematicamente derrubando as medidas que Roosevelt tentava adotar em benefício dos americanos mais pobres.
Nem Lula e nem Dilma fizeram o que Roosevelt fez. Pagaram um preço enorme por isso.
A ida de Barroso a um evento da Veja é uma pequena amostra disso.
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Lula, apesar da sua genialidade política, e da sua identificação com os anseios dos menos favorecidos, demonstra uma dificuldade intransponível - característica também exacerbada em Dilma - de nomear pessoas para os postos chaves da República. A baboseira de indicar o PGR entre os mais votados pela categoria; de indicar ministros do STF sem que os mesmos tenham compromisso com o programa do PT - como terá sido no STJ? - e a indicação de Dilma como sua sucessora, foram escolhas que contribuíram - junto com a falta da regulação da mídia - para a queda do projeto de um Brasil mais justo e independente dos EUA. Muito triste.

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Sobre Barroso e os demais ministros do STF, me desculpem os termos, mas, eles estão cagando e andando, sem se preocupar em cumprir o papel constitucional que lhes foi reservado. O que vale mais do que servir ao povo e ao país - pausa para gargalhar - é a vaidade, o dinheiro, ser chamado de excelência, fazer citações em latim e alemão. O papel de golpistas que a história lhes reserva, não lhes tira o sono nem o cinismo. A saúde, a educação e a responsabilidade com os detentos do sistema penitenciário são temas irrelevantes. A ausência do auxílio moradia, este sim, podem trazer preocupações.