LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Golpe militar: Erdogan agradece.


Por Luiz Eça, em seu blog

Não é à toa que o presidente Recep Erdogan é chamado de “Sultão”.
Ninguém duvida que ele almeja restaurar parte das passadas glórias do império turco-otomano e parte dos poderes absolutos dos seus governantes, os sultões.
Primeiro-ministro de um país parlamentarista, ele se candidatou e foi eleito presidente, função bem menos importante no regime turco.
Mas, não foi por modéstia.
A ideia do Sultão é ampliar substancialmente as funções presidenciais, coisa que, aliás, já vem acontecendo.
Líder carismático de grande força, Erdogan almeja algo como a invejável posição de sultões de outrora que tinham, além do poder executivo, também a justiça e o legislativo às suas ordens.
Até agora, a Turquia era uma democracia, não das mais puras, é verdade.
Os planos de Erdogan eram mal vistos por muitos setores. Sempre prontos a criticar o sultão.
Para que não atrapalhassem muito, ele vinha intervindo na imprensa- estatizando ou tomando o controle de jornais e emissoras de rádio e TV, prendendo e demitindo jornalistas incômodos, que insistiam em atacar suas ações.
A um ponto tal que a Turquia, no quesito liberdade de imprensa, ocupa hoje a posição 151 entre 180 países.
Erdogan não se preocupa com as críticas dos parlamentares, pois o AKP, seu partido, detém sólida maioria.
A principal oposição civil vinha do pregador muçulmano Gulen e seu movimento, espalhado por toda a Turquia, que defendia a democracia verdadeira, não exatamente a praticada por Erdogan.
Depois de sofrer algumas ameaças vindas do alto, Gulen fugiu para os EUA onde se asilou, continuando, porém, a orientar sua grei.
Sua voz percorria a Turquia, pois tinha o maior jornal do país em suas mãos. Recentemente, Erdogan calou essa voz, trocando a diretoria e os principais jornalistas por gente dele.
O movimento Gulen e a guerra contra os  curdos  representavam ameaças aos planos do Sultão.
Mas o perigo real vestia farda.
Desde a criação da República Turca, juntando os restos do império Otomano, os militares assumiram papel preponderante no governo do país.
Sob Kemal Ataturk, seu chefe e primeiro presidente, foi imposta uma política de ocidentalização, modernização e, especialmente, secularização- que implicava na extinção da influência do islamismo nas várias esferas da administração pública.
Desde Ataturk, diversas intervenções militares derrubaram governos sob acusação a de estarem islamizando o país.
Embora sendo um islamita convicto, Erdogan, longe de se submeter aos dignatários religiosos, os tem usado a seu serviço.
Ele sabe que isso não é bem visto em muitos setores das forças armadas. Sempre temeu que, um dia, os militares se voltassem contra ele e o alijassem do poder sob acusação de islamização e ameaça à democracia.
O golpe, mal planejado, lhe deu uma oportunidade de ouro para liquidar a latente oposição militar.
Chamou o povo às ruas para defende-lo. E o povo atendeu seu apelo pois desconfiava por experiência própria que golpes militares soi disant democráticos concretizavam-se em ditaduras.
Por sua vez, o islamismo costumeiramente perseguido nos regimes de exceção implantados pelas forças armadas, colocou nas suas 85 mil mesquitas clérigos rogando aos fiéis apoio ao sultão.
Vencedor, Erdogan tratou de se livrar de inimigos e suspeitos. Nada menos de 80 mil pessoas, já foram presos ou demitidos. Entre eles, quase 3 mil juízes, milhares de diretores de escolas e professores, área onde Gulen é forte. Nada menos do que 85 generais e almirantes foram presos e serão submetidos a julgamento.
Estes últimos podem até serem condenados à morte pois o presidente declarou que o povo estava pedindo a pena capital e se o parlamento aprovasse, ele não vetaria.
A União Europeia, que já criticava os ataques à imprensa, ameaçou negar-se a admitir a Turquia na sua organização caso a pena de morte voltasse à Turquia.
John Kerry, secretário de Estado dos EUA, disse que com a repressão, o país poderia ser desligado da OTAN.
Mas o sultão não baixou a cabeça.
Respondeu aos EUA, exigindo a repatriação de Gulen, apontado por ele como a cabeça do golpe. E, segundo Pepe Escobar, em Information Clearing House, indicou que, caso negassem, a Turquia deixaria de ceder a base de Induclik, usada para missões dos bombardeiros dos EUA e outros países da coalisão anti-ISIS.
Em resposta, os EUA pediram provas.
Algo semelhante, aconteceu após o 11 de setembro, em 2001.
Os EUA exigiram que o governo Talibã do Afeganistão lhes entregasse Bin Laden, suposto responsável pelo ataque às Torres Gêmeas.
O Talibã respondeu exatamente o que os EUA responderam a Erdogan. Disse que se os americanos enviassem evidências, atenderiam suas exigências. Caso contrário, forget it!
Bush declarou que nesse caso evidências não eram necessárias. Dois meses depois, o Afeganistão estava sob bombardeio e invasão.
Segundo o precedente americano, Erdogan teria agora todo direito de mandar bombardear e invadir os EUA.
Claro, não tem os recursos militares necessários.
Mas pode retaliar de outros modos:
–  saindo da guerra da Síria, mediante acordo com Assad para juntos atacarem os curdos;
–  sair da OTAN, entrando na OSC, integrada por China, Rússia (os dois maiores rivais de Washington) e ainda Índia, Paquistão, Irã (em breve) e países da Ásia Central. Aliás, em junho, Erdogan já insinuou ser uma possibilidade ao declarar que a “OSC é muito melhor do que a União Europeia. “ ;
–  fornecer à Rússia produtos sancionados pelos EUA e União Europeia, em função das ações de Putin na Ucrânia.
Dois dias depois das advertências de Kerry sobre a repressão dos rebeldes, os EUA caíram na real.
Numa reunião com jornalistas, Josh Earnest, secretário de Imprensa, recusou-se a criticar os expurgos turcos. Disse que foi uma situação extraordinária, pedindo “moderação ao governo turco já que os EUA não se sentem confortáveis em criticar qualquer coisa que os turcos fizeram. ”
Duvido que Erdogan deixe ficar nisso.
Também acho difícil que os americanos entreguem Gulen às feras.
Mais provável é que sejam obrigados a fazer concessões.
Coisa que não estão acostumados.
A verdade é que Erdogan está com tudo. Sem nenhuma força capaz de impedir seus planos de expansão de poderes.
Ele já ensaiou projetar a Turquia como ator de realce no cenário internacional. Lembro o plano que ele e Lula apresentaram de paz nuclear no Irã, rejeitado por Obama.
Mais recentemente, o acordo com Israel que permitirá a entrada de bens de todo o tipo em Gaza, via navios turcos, particularmente de material de construção essencial para a reconstrução da faixa. Que poderá o colocar como um possível “salvador de Gaza”.
No plano interno, o parlamento obediente acaba de aprovar estado de emergência, com limitação ou suspensão total dos direitos de individuais. Erdogan poderá revogar quais quiser, quando bem entender.
Poder absoluto, semelhante ao dos sultões do império turco-otomano.
Parece um sonho de mil e uma noites para o autoritário presidente da Turquia.
Para o povo talvez venha a ser um pesadelo.

terça-feira, 26 de julho de 2016

O evento-encenação da "célula amadora" dos terroristas de paintball


Por Wilson Roberto Vieira Ferreira, via Cinegnose

(...)

Como sabemos, um Estado autoritário deve sempre contar com um inimigo externo para criar legitimidade pelo medo e terror. O atual governo interino de Michel Temer sabe que a sua missão é amarga e ingrata: enfiar goela abaixo do populacho todas as medidas neoliberais antipopulares, antissociais e anti-trabalhistas – Estado mínimo e financismo máximo.


Bolivarianos e comunistas perderam a força de apelo que levou milhares de camisas amarelas às ruas. Agora é o momento de criar um novo inimigo: o poder do Estado Islâmico arregimentar brasileiros através da Internet. Terroristas e homens-bombas estariam entre nós. Muito embora eles já estejam há anos aqui com o crime organizado (PCC) que explode caixas eletrônicos e corrompe a Polícia Militar.

(...)

Artigo completo AQUI

Lula aposenta Barbosas, Janôs e Moros

Um país que prende Suplicy e deixa solto Cunha está doente

O crime dele é defender os oprimidos
O crime dele é defender os oprimidos

Por Paulo Nogueira, via DCM
Não poderia haver nada mais simbólico que a prisão de Suplicy hoje em São Paulo num de seus melhores papeis, o de ativista social.
Criou-se uma situação que ilustra o Brasil destes tempos.
Um país que prende Suplicy e deixa solto Eduardo Cunha é um país doente.
Não me venham com sofismas. Não me venham dizer que são situações diferentes. Tudo isso é nada diante da simbologia do caso.
Suplicy vai preso porque defende os oprimidos. Cunha está solto porque defende os plutocratas.
Somos uma sociedade que pune quem se coloca ao lado dos excluídos e protege os fâmulos da plutocracia. Por isso somos um dos países mais brutalmente desiguais do mundo.
Veja Cunha.
Ele roubou, mentiu, ameaçou, mudou projetos de lei para beneficiar empresas que patrocinaram sua eleição a deputado federal.
Chamou os brasileiros de débeis mentais ao negar contas milionárias na Suíça provadas pelas autoridades locais. Escarneceu de todos ao fabricar lágrimas e se fazer de coitadinho depois de agir como gangster a carreira toda.
Inventou uma palavra, usufrutário, para trapacear sobre a propriedade das contas. Depois se saiu com um golpe semântico de bandido ao dizer que não eram contas, mas trusts — como se isso mudasse qualquer coisa relativa ao dinheiro escondido na Suíça.
Fez um pau mandado seu na Caixa assinar antecipadamente uma carta de demissão para a eventualidade de ele não praticar as roubalheiras ordenadas.
Eduardo Cunha fez tudo isso, e muito mais. E está aí, sem ao menos sequer uma tornozeleira que preservasse parcialmente a indignidade que é ele permanecer livre.
Bastou a Suplicy agir pelos oprimidos que foi carregado por policiais de Alckmin como se fosse um saco de lixo rumo à detenção. Aos 75 anos.
E no entanto, brutalizado por agentes da plutocracia, mesmo sem pisar no chão, Suplicy protagonizou uma marcha gloriosa.
Ele escancarou o que é o Brasil real, a terra selvagem em que um homem puro como ele é preso enquanto um canalha corrupto como Eduardo Cunha é recebido pelo presidente interino num palácio.
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sábado, 23 de julho de 2016

O formidável acerto de Lula em denunciar Moro como um juiz desqualificado

Juiz sem isenção
Juiz sem isenção

Por Paulo Nogueira, via DCM
Com formidável atraso, Lula fez uma coisa vital: denunciou Sérgio Moro.
Já era mais de hora de acabar com a hipocrisia, com o cinismo, com o jogo de cena.
Moro, este o ponto, não tem a menor condição de julgar Lula porque lhe falta o essencial: imparcialidade.
Tecnicamente, Moro é juiz. Mas, no mundo das coisas reais, ele é parte importante de um mecanismo destinado a acabar com Lula.
Isso tem que ficar claro.
Seria o mesmo se coubesse aos irmãos Marinhos, por exemplo, julgar Lula. Ou à família Civita. Ou a Otávio Frias. Ou a FHC, Aécio ou Serra.
Lula seria condenado a despeito de qualquer circunstância.
Lula demorou uma eternidade para reagir aos abusos de Moro e da Lava Jato. Mas deve ser aplaudido por, enfim, ter-se erguido.
Faz parte da farsa da Lava Jato fingir que um juiz é alguém insuspeito de comandar um julgamento desonesto.
Para os analfabetos políticos, é um tremendo argumento: foi a Justiça que condenou, e então a condenação é induscutível.
Mas no Brasil a Justiça é um circo sob o comando da plutocracia, e isto tem que ser dito por quem não se conforma com tamanha aberração.
Os advogados de Lula citaram fatos incontestáveis. Moro, se fosse imparcial, não poderia em hipótese nenhuma comparecer ao lançamento de um livro sobre a Lava Jato que o louva e chacina Lula. Pior ainda, o livro é de um jornalista da Globo, foco central do golpe.
Moro, também foi dito pelos advogados, não poderia jamais comparecer a eventos promovidos por um cacique do PSDB como João Dória e, pior ainda, se deixar fotografar como se estivesse numa festa de casamento.
É o despudor levado ao extremo.
Várias vezes me perguntei se Moro não tinha noção de como é absurdo este tipo de comportamento num pretenso juiz.
Como ninguém o criticou, ele foi adiante. Nem um só editorial da mídia fez reparos a Moro.
E então ele foi adiante.
O mesmo se aplica a Gilmar Mendes. Ele deixou há tempos de ser juiz para se converter em ativista político de direita porque jamais expuseram o horror que isso representa.
Isso tem que acabar — se quisermos avançar como sociedade.
Mesmo que tardiamente, Lula disse o que tinha de ser dito sobre Moro.
É muito bom, e isso deve ser aplaudido. De pé.
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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Desigualdade: estudos sobre as famílias ricas mostram que os pobres são os mesmos de sempre. Por Donato

desigualdade

Por Mauro Donato, via DCM
No ano de 1427, a então pequena província de Florença elaborou um censo entre seus habitantes com a finalidade de cobrar impostos. Ali ficou registrado, além do nome, o que faziam, quanto ganhavam e qual o patrimônio dos moradores da cidade que já tinha dado ao mundo Dante Alighieri e ainda nos presentearia com Leonardo Da Vinci.
Recentemente aquele levantamento foi digitalizado e disponibilizado na internet. Foi então que dois economistas da Banca D’Italia (o Banco Central italiano), realizaram um estudo com base nas informações disponíveis cruzando-as com as declarações de renda de famílias remanescentes na cidade até 2011. Guglielmo Barone e Sauro Mocetti ficaram espantados. Num arco de seis séculos, mais precisamente após 584 anos, as famílias mais ricas em 1427 eram as mesmas em 2011. E ainda: os sobrenomes dos contribuintes mais pobres também não haviam mudado.
A tecnologia da digitalização permitiu não apenas fazer um comparativo sobre uma linha temporal longa, como colocou em dúvida alguns mitos sobre o capitalismo. No geral esses estudos cobrem 2 ou 3 gerações contíguas e podem dar uma sensação de alternância ou de migração de riqueza para outras mãos. Por vezes, um filho playboy mais rebelde e inconsequente termina mal e isso indicaria, numa medição precipitada, que haveria uma anulação na transmissão de bens e nas vantagens sociais e econômicas. Errado. A hereditariedade e os mecanismos de proteção das elites, quando analisados numa linha de tempo maior, comprovam uma estabilidade assombrosa.
Nas estatísticas, desde então a renda per capita em Florença foi multiplicada por doze, a população aumentou dez vezes e a cidade cresceu. É a maior cidade e também capital da Toscana. Em números frios, tudo melhorou, certo? Porém os mais ricos continuam sendo os mais ricos e os mais pobres permanecem ralando dia e noite para chegar lá, sem sucesso. Onde está a mobilidade social?
Os italianos não foram os únicos a constatarem essa realidade. Pesquisadores ingleses também já tinham feito um outro levantamento no qual ficou demonstrado que famílias da Inglaterra são ricas e poderosas há 28 gerações. Uma prova de que o 1% está no alto do pódio há mais de 800 anos.
O trabalho dos pesquisadores da terra da rainha abrangeu o período entre os anos de 1170 e 2012 e, além de analisarem os dados priorizando os sobrenomes das famílias, utilizaram informações sobre grau de escolaridade e instituições de ensino frequentadas. Daí vemos aquela confirmação daquilo que todos intuímos.
Gregory Clark e Neil Cummins revelaram que as famosas Oxford e Cambridge despontam entre as classes mais ricas e evidenciam uma seletividade obscena mesmo com o acesso livre durante um período. Os pesquisadores acreditavam que o apoio do Estado com o fornecimento de bolsas para o ingresso nas universidades iria ser traduzido em uma maior variedade de sobrenomes entre aqueles que nelas se formavam. “Não há nenhuma evidência disso. Os nomes da elite persistiram tão tenazmente a partir de 1950 como antes do incentivo. O status social é fortemente herdado”, afirmaram. Ou seja, de nada resolve abrir as portas do ensino universitário sem ter oferecido uma boa base.
“Essa correlação é inalterada ao longo dos séculos. Ainda mais notável é a falta de um sinal de qualquer declínio na persistência de status social durante os períodos de mudanças institucionais como a Revolução Industrial do século XVIII, a disseminação da escolarização universal no final do século XIX, ou a ascensão do estado social-democrata no século XX. A mobilidade social na Inglaterra em 2012 foi pouco maior do que no tempo pré-industrial”, cravou Neil Cummins, da London School of Economics.
Thomas Piketty, em seu “O capital no século XXI”, sustenta que a concentração de renda vem aumentando os índices de desigualdade. Os estudos dos economistas italianos e ingleses não afirmam isso mas ratificam o livro do francês. Se o topo da sociedade é habitado pelos mesmos há séculos, se a correlação entre sobrenomes e status social não se altera nunca, é lógico supor que a propensão é por um maior distanciamento entre as camadas.
O que esses estudos dizem com todas as letras (e números) é que os ricos se mantém ricos ao longo de séculos sem muitas dificuldades. E que o capitalismo que sugere ser dinâmico, meritocrático, justo, etc e tal, não passa de propaganda enganosa. No longo prazo, pouca coisa muda. É culpa exclusiva do sistema então? Não, até porque concentração de renda é ruim para o próprio capitalismo. O dinheiro não circula, está sempre as mãos dos mesmos. Mas sem uma preocupação social de base, que realmente dê oportunidades iguais a todos, teremos que continuar a responder à pergunta “Qual a possibilidade de um jovem mudar seu destino em relação a suas origens?” com um desanimador “Praticamente nenhuma”.
O Brasil tem uma história recente (italianos e ingleses fizeram levantamentos desde um período em que Cabral nem haviam chegado por aqui), não temos portanto nenhum estudo que passe perto disso. Mas se puxarmos as listas da publicação Forbes, é possível constatar que não fugiremos da regra. O primeiro ranking da revista, feito em 1987, contava com apenas três brasileiros: Roberto Marinho, Sebastião Camargo e Antonio Ermírio de Moraes. Vinte e sete anos depois, em 2014, já eram 65 os bilionários brasileiros na lista e lá continuavam os Marinho, os Camargo e os Moraes. Com um detalhe que confirma as pesquisas de Mocetti, Barone, Clark e Cummins: dos 65 brasileiros, 25 eram parentes.
Este ano, a Forbes aponta uma redução do número de bilionários verdes-e-amarelos. São 31 mas… tcharam! Lá estão nosso amigos de sempre em companhia de nomes que sabemos irão se perpetuar e facilmente identificados em levantamentos recentes: Safra, Moreira Salles e por aí vai.
O filho de Michel Temer já possui um patrimônio de R$ 2 milhões em imóveis. Michelzinho tem 7 anos de idade. O que ele fez para isso? Nada, nasceu. Essa é a forma mais eficiente de ficar rico.

Bob Fernandes / A eleição - bordel na Câmara não é obra apenas de partidos e políticos

terça-feira, 12 de julho de 2016

Por que o brasileiro odeia tanto o Brasil?


crise política e econômica atual atacou a autoestima do brasileiro e fez ressurgir um dos seus hábitos preferidos: falar mal do país e de si mesmo. Basta uma simples olhada nas conversas de rua, de botequins ou de qualquer lugar onde o assunto seja o Brasil, e uma enxurrada de falácias surgirá na ponta das línguas. E o pior, com aquele balanço de cabeça e aquela risada de concordância dos ouvintes. Falar mal do país é quase um esporte nacional, assunto preferido junto com enredos de novelas e campeonatos de futebol. Mas por que temos esse costume de colocar pra baixo a nós mesmos, e que consequências isso acarreta em nossas vidas?
Pra entender essa questão, precisamos recorrer a alguns ilustres pensadores. O primeiro deles, o alemão Karl Marx, que dedicou uma parte de sua brilhante carreira no desvendar da ideologia em sua obra A Ideologia Alemã (1846), ou seja, procurou entender os meandros da produção de ideias, de representações e da consciência. Segundo ele, o pensamento da classe dominante é, em todas as épocas, o pensamento dominante. Com base nesta afirmação, já temos uma pista de onde procurar a fonte daquelas afirmações abjetas que escutamos por aí através do senso comum. Mas o que é o senso comum?
Quem nos responde essa é o sociólogo brasileiro Jessé Souza, em seu livro A Tolice da Inteligência Brasileira (2015). Neste livro ele afirma que o senso comum, aquilo que as pessoas repetem como verdades nos botecos, nas filas do banco, em conversas informais ou em qualquer lugar, são versões simplificadas daquilo que é produzido nos altos estudos acadêmicos, nas redações de jornalismo, nas salas de aula e nas palestras de grandes pensadores, a maioria ligada a algum tipo de interesse comum com as mesmas classes dominantes, que financiam estas instituições.
Desta forma temos espalhadas por aí ideias preconceituosas sobre o brasileiro trabalhador, negro, pobre, a mulher, coisas como “nesse país ninguém gosta de trabalhar, só sabem ficar bebendo cerveja”, apesar do brasileiro trabalhar 44 horas semanais, em comparação com as 38 horas da Alemanha e 35 da França. Será que alemães e franceses são mais preguiçosos que nós então?
Nem no ranking de maiores bebedores de cerveja somos os maiorais. Somos apenas o décimo-sétimo em consumo por litro de cerveja, apesar de sermos o quinto país mais populoso.
Consumo de cerveja no mundo
Outros chegam a afirmar que o Brasil não possui uma verdadeira cultura nacional (?!!), que a nossa cultura é inferior ou emprestada dos outros. Simples assim.
O que dizer? Este pobre infeliz simplesmente não sabe o que é cultura, ou não conhece o Brasil. Ignorar tantas contribuições tipicamente brasileiras, transformações da cultura original indígena com influência da cultura negra e europeia para coisas absolutamente originais na nossa música, na nossa língua, na nossa culinária, nas artes e costumes, tantas que seria impossível de enumerar, chega a ser incrível.
Mas, lembram da nossa investigação sobre as raízes dessas ideias? Sim, as elites brasileiras, elas que são as culpadas por estes ataques à nossa autoestima. Logo elas, que devem considerar verdadeira cultura a cultura de massas pasteurizada dos Estados Unidos e seus fast-foods, seus super heróis, suas músicas comerciais e roupas padronizadas até quando se dizem fora dos padrões.
É claro que as elites brasileiras e as classes médias cooptadas odeiam o Brasil. Apesar de seu patriotismo tosco, representado pelo tríade conservadora “deus, pátria e família”, que quer dizer o cristianismo como base de uma sociedade desigual e injusta acobertada sob um manto de “brasilidade” e da família tradicional burguesa, branca, cristã, onde o “chefe-de-família exerce sua autoridade descendo hierarquicamente da mulher até os filhos. Esse é o Brasil e o brasileiro dessa gente. Nesse modelo, ficam de fora as comunidades pobres, os brancos despossuídos, as mulheres das classes baixas, mães solteiras, os negros, e toda a “ralé” que é vítima dos preconceitos levantados aqui como exemplo. E como a ideologia da classe dominante é a ideologia dominante, logo vemos as próprias vítimas desses ataques fazendo coro contra si mesmos, muitas vezes sem nem perceber.
Poderíamos ligar a TV e ver um pouco dessa ideia negativa contrabalançada com as grandes realizações desse país e de seus membros. Pois acreditem, são muitas em áreas mais diversas como ciência, tecnologia e cultura. Mas a TV também reforça a ideia de um país que não dá certo, com violências e mais violências em programas policialescos especializados em violências.  Reforçam a ideia de que o brasileiro é violento por natureza, e tome mais preconceito. Para as classes dominantes, estes programas prestam um serviço maravilhoso. Pois quando se discute a solução para a violência, o que estes privilegiados propõem e que se reflete nas opiniões dos apresentadores é mais repressão, mais prisão, mais mortes, redução da maioridade, ou seja, um conjunto de fatores que só tentam remediar há pelo menos 30 anos a violência. As pessoas assistem na TV tanta violência que certamente se tornam propensas a aceitar que só mais violência acaba com a violência. Porque discutir o problema a fundo, ou seja, o fato de sermos violentos porque a distribuição de riquezas no Brasil é altamente desigual, seria prejudicial aos interesses das classes dominantes. Então de quem é a culpa da violência mesmo?
Esse post tem a única pretensão de fazer você repensar a ideia de que deu azar de nascer no Brasil. Pesquise outros países, veja se são mesmo tão melhores que nós, ou se apenas temos um conhecimento distorcido da verdade. Nos induzem a pensar que os países lá fora não existem problemas, são maravilhosos e civilizados, e que nós somos tudo o que há de ruim na Terra.
Pensa bem, alguém pode estar querendo tirar proveito do seu desânimo.
Almir Albuquerque é carioca, professor de História, músico e blogueiro. Alinhado com os ideais socialistas, humanitários e seculares, apoia os Direitos Humanos e a luta das minorias.

Como funciona a democracia no capitalismo - por Pawel Kuczynski

Original illustration by Pawel Kuczynski

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Lavanderia - por Duke

Intimação - por Kayser

O problema do “general da Funai” não é ser militar. É ser estranho aos índios e intolerante

rondon

Por Fernando Brito, em seu blog 
O maior símbolo da defesa dos povos indígenas deste país é um militar: Cândido Rondon, ele próprio descendente de índios terena e bororo, que conduziu com métodos bem diferentes dos da cavalaria americana a nossa versão da “marcha para o Oeste”.
Com toda a crueldade que hoje se percebe na ocupação dos territórios tradicionais dos povos indígenas, todos os que olham a história percebem as virtudes de um militar – e nos tempos em que um civil não poderia fazê-lo – tomar a si esta tarefa.  A maior delas, sua melhor qualidade: o exercício da tolerância, que se expressa na frase que lhe ficou de mais típica: “morrer, se preciso for; matar, nunca”.
Não é, portanto, ser militar o que ofende na indicação do general da reserva do Exército Sebastião Roberto Peternelli Júnior para a presidência da Funai.
É o fato de não ter a menor ligação com a questão indígena, o que ele próprio admite, assumindo nem mesmo ter servido em regiões com presença destes povos e que, como piloto militar, “voou pela Amazônia”.
É o fato de ser indicado por uma cúpula de pastores evangélicos do PSC, com evidentes preocupações de expansão religiosa dentro destas comunidades. Algo tão delicado que só depois de séculos passou a ser encarado com respeito pela Igreja Católica, que abandonou, ao menos em grande parte, a postura “catequética” em relação aos índios.
E é, sobretudo, o fato de demonstrar, pelo que se noticia, ser uma pessoa intolerante, porque 50 anos depois, ainda enaltece as barbaridades que fez o golpe de 1964;
Mostra que não há, nele, o espírito da frase célebre de Rondon.
Deveria ser o primeiro a dizer, diante da notícia, que, humildemente, defendia que nossos índios merecem que, no mínimo, possam ser cuidados por quem tem uma vida dedicada defesa de suas vidas, de sua cultura, de suas terras.
Como foi, em outros tempos, o marechal do Exército Brasileiro Cândido Mariano da Silva Rondon.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Cunha continua a levar vida de marajá enquanto Dirceu apodrece na cadeia: que Justiça é essa?

A vida não é justa
A vida não é justa

Por Paulo Nogueira, via DCM
Nada mostra tão dramaticamente bem a qualidade da Justiça brasileira quanto os casos comparados de Eduardo Cunha e José Dirceu.
Eduardo Cunha janta nos melhores restaurantes e é recebido pelo interino num palácio enquanto Dirceu apodrece na cadeia.
E no entanto olhe para a biografia de ambos.
Cunha é a mais espetacular vocação de corrupto que já apareceu na política brasileira. As histórias que os delatores contam dele impressionam mesmo pelo padrão nacional de roubalheira.
Nestes dias, soubemos que um operador de Cunha ameaçou incendiar a casa de um delator com os filhos dentro para que ele fechasse a boca.
Repito: incendiar a casa com os filhos dentro.
Onde estamos? Na Chicago dos anos 20?
Soubemos também que Cunha forçou um homem seu na Caixa a assinar uma carta de demissão com a qual o mantinha refém. Este homem informou que Cunha ficava com 80% do dinheiro achacado de empresas que faziam negociatas com a Caixa.
Repito: 80%.
As contas preliminares indicam que Cunha roubou assim 30 milhões de reais. Isso apenas na Caixa.
Tão empenhada em pedalinhos, a Polícia Federal parece absurdamente incapaz de localizar o dinheiro desviado por Cunha. Para isso também Moro, o sabe-tudo, não tem informação nenhuma.
Como Cunha roubou livremente durante décadas, a quanto chegará sua fortuna subterrânea hoje? Tudo que temos de concreto, neste terreno, derivou dos suíços, que mostraram documentos sobre as contas secretas milionárias de Cunha na Suíça.
Cunha é uma aberração porque a Justiça brasileira é uma aberração.
Informações recentes dão conta de que num culto evangélico em Brasília ele disse confiar na “justiça divina”.
Ora, ora, ora.
Se existe Deus, e se há qualquer coisa parecida com justiça divina, Cunha está simplesmente frito. Ele tem é que confiar, sim, na justiça dos homens que compõem o Judiciário nacional.
Sua liberdade é um insulto aos brasileiros. A posteridade cobrará das autoridades de hoje a pusilanimidade, a omissão e a injustiça com que um meliante desta natureza é tratado.
O que será dito do STF, por exemplo? Como os historiadores explicarão que o ministro Teori Zavascki esperou Cunha encerrar o processo de afastamento de Dilma na Câmara, com seus métodos imundos, para só então tomar alguma providência contra ele?
Caro Teori: a vingança da história é terrível. Seus netos e bisnetos não gostarão nem um pouco de saber de seu papel num episódio de tamanha importância na política nacional.
Às vezes me pergunto o que Cunha teria que fazer para ser preso. Matar a sogra? Abrir fogo contra os fieis de uma igreja? Roubar um banco?
Ele parece invulnerável.
É evidente que ele conhece muita coisa indecente sobre muita gente. Ele não roubou sozinho. Teve sempre cúmplices, como seu homem na Caixa.
Imagine o medo de seus comparsas se ele, desesperado, contar o que fez e com quem fez.
Seus sócios nas delinquências são reféns dele. Mas não é possível que todo o Brasil também seja.
Moro, por exemplo: veja o cuidado extremo com que ele cuida do caso da mulher de Cunha. A PF não conseguiu sequer intimá-la a dar esclarecimentos em duas tentativas.
Isso se chama medo. Covardia. Porque Cunha tem poder enorme de retaliação. Cunha sabe muito sobre muita gente poderosa.
E então somos obrigados a vê-lo na vida luxuosa de sempre, falando em justiça divina e outras barbaridades, uma monstruosidade que nos insulta e nos desmoraliza a todos como uma sociedade séria.
Enquanto isso, sob acusações infinitamente mais brandas do que as que pesam contra Cunha, e a maior parte delas sequer provadas, Dirceu vai morrendo na prisão.
A plutocracia forçou isso, e os líderes petistas jamais defenderam Dirceu como deveriamum dos capítulos mais sombrios, mais repulsivos da história do PT.
Dirceu preso e Cunha solto: nada ilustra mais a ausência absoluta de Justiça no Brasil do que isso.
Nada mostra tão dramaticamente bem a qualidade da Justiça brasileira quanto os casos comparados de Eduardo Cunha e José Dirceu.
Eduardo Cunha janta nos melhores restaurantes e é recebido pelo interino num palácio enquanto Dirceu apodrece na cadeia.
E no entanto olhe para a biografia de ambos.
Cunha é a mais espetacular vocação de corrupto que já apareceu na política brasileira. As histórias que os delatores contam dele impressionam mesmo pelo padrão nacional de roubalheira.