LULA PRESO POLÍTICO

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sexta-feira, 30 de março de 2018

Como Sérgio Moro virou juiz com erros básicos de gramática e interpretação de texto?


Uma das coisas que o Brasil talvez precisaria fazer é uma auditoria nos concursos públicos para juiz.
O concurso para juiz é talvez um dos mais difíceis, se não o mais difícil que existe. No entanto, há atualmente coisas estranhas que podem indicar indícios de fraude.
Uma das coisas estranhas é a quantidade de parentes entre os juízes aprovados em concursos. Em concursos extremamente concorridos, seria muito difícil a filha, tio, sobrinha, esposa, marido etc passarem com tanta facilidade. Até ministros do Supremo têm parentes aprovados em concurso. Isso sem contar com o nepotismo nos tribunais.

No entanto, nos últimos temos visto muitos juízes expressando preconceito, arrogância, além de mau caratismo que não condiz com um sujeito preparado e de grande capacidade intelectual, muito menos com um guardião da Lei.
O caso do juiz Sérgio Moro é enigmático. Além de todas as confusões que Sérgio Moro aprontou no processo contra Lula, inclusive reconhecendo que não há ligação entre a corrupção da Petrobras e as acusações contra o ex-presidente, o que inviabiliza a sua própria competência para julgá-lo, Moro também foi contra um projeto de lei que punia juízes que interpretassem a lei à revelia do que está escrito. Moro foi contra e defendeu interpretação do juiz acima da lei.


Mas na última segunda-feira, 26, ele se superou. Ele cometeu erros primários de português. Muitos brasileiros até podem cometer esses erros. Não há problema algum. Mas é difícil (impossível?) de acreditar que um juiz, que teria estudado anos a fio para passar em um concurso, cometesse um deslize primário sobre o verbo haver.

Não fosse isso, o professor de física,  Marcos César Danhoni Neves, que tem mais de 30 anos de docência em universidade do Paraná também já levantou suspeitas sobre a agilidade com que o juiz Sérgio Moro conseguiu alguns títulos acadêmicos.
“Moro tem um currículo péssimo: uma página no sistema Lattes (do CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico ligado ao extinto MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia). Lista somente 4 livros e 5 artigos publicados. Mesmo sua formação acadêmica é estranha: mestrado e doutorado obtidos em três anos. Isso precisaria ser investigado, pois a formação mínima regulada pela CAPES-MEC (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Ministério da Educação) é de 24 meses para Mestrado e 48 meses para o Doutorado. Significa que “algo” ocorreu nessa formação apressada. Que “algo” é esse, é necessário apurar com rigor jurídico”, escreveu Danhoni Neves em artigo.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Relatório mostra que universidade particular no Brasil não produz conhecimento


Via Carta Campinas

O relatório Research in Brazildisponibilizado pela Clarivate Analytics à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e divulgado no último dia 17 de janeiro, mostra que as universidades particulares não produzem absolutamente nada de conhecimento relevante no Brasil.

A produção científica no país é dependente exclusivamente das universidades públicas. Recente relatório do Banco Mundial não levou em conta essa produção. A destruição das universidades públicas no Brasil, como está acontecendo com a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), pode ser a destruição de todo o conhecimento científico que o país produz.



O relatório traz também um ranking das universidades públicas que mais produzem conhecimento científico relevante. A Unicamp ficou em terceiro lugar, atrás apenas da USP e da Unesp. A UERJ, por sinal, é a décima universidade que mais produz conhecimento científico. (Veja quadro.) A preocupação com o investimento e qualidade da pesquisa foi relatada notícia e em boletim da ADunicamp (Associação dos Docentes da Unicamp), em Campinas.

Um outro fator relevante é que os grandes empresários brasileiros não investem em pesquisa. Nas parcerias de pesquisa com empresas, a única grande empresa que investe de forma relevante em desenvolvimento tecnológico no Brasil é uma estatal, a Petrobras. Exceto o setor farmacêutico, que é o único setor apontado com investimento em ciência e tecnologia, a iniciativa privada no Brasil não produz conhecimento.
O documento traz o desempenho da pesquisa brasileira em um contexto global entre os anos 2011 e 2016. Os dados foram obtidos do InCites, plataforma baseada nos documentos (artigos, trabalhos de eventos, livros, patentes, sites e estruturas químicas, compostos e reações) indexados na base de dados multidisciplinar Web of Science – editada pela Clarivate Analytics (anteriormente produzida pela Thomson Reuters).

O relatório mostra que as as universidades públicas produzem artigos científicos altamente citados e alcançou boas taxas entre 1% dos papers mais citados do mundo.  Os critérios analisados foram: a quantidade de documentos produzidos, o impacto da citação, artigos no top 1% e 10% dos mais citados do mundo, colaboração com a indústria e colaborações internacionais.
O número de citações que uma publicação de pesquisa recebe reflete o impacto que teve em pesquisas posteriores. As publicações científicas citam documentos anteriores para validar uma contribuição intelectual. Portanto, pode-se dizer que uma publicação (ou uma coleção de publicações) com uma contagem de citações mais elevada teve um impacto maior no campo de conhecimento ao qual se relacionou. (Carta Campinas com informações de divulgação)

terça-feira, 27 de março de 2018

A vida dos estudantes americanos com dívidas acima dos R$ 500 mil

A dívida estudantil nos Estados Unidos alcançou US$ 1,3 trilhão neste ano, 
o equivalente a 70% do PIB brasileiro em 2015

quinta-feira, 22 de março de 2018

Ahed Tamimi ficará 8 meses na cadeia por dar estalo a militar israelita

Fotografia de Abir Sultan / EPA

Via esquerda.net

Após acusação em tribunal, palestiniana aceitou um acordo com as autoridades militares que implica que fique mais quatro meses na cadeia, diz o diário Ha’aretz.

O acordo firmado implica que Ahed Tamimi se declare culpada de quatro crimes de agressão e incitamento, incluindo o filmado estalo que deu a um soldado israelita. No início, estavam previstos doze.
Ahed foi detida após as divulgações das imagens do estalo que deu a um soldado israelita, e não após o ocorrido. Esta divulgação levou-a a ser acusada de incitamento à violência pela autoridade militar (que é exercida sobre os palestinianos que residem na Cisjordânia).
Devido à divulgação das imagens e à idade de Ahed, o caso chamou a atenção para o número de menores nas prisões israelitas, motivando uma onda de solidariedade e protesto à escala internacional. O vídeo, que se tornou viral também à escala internacional, mostra Ahed a tentar acertar na cara de dois soldados. Os golpes vão sendo evitados pelos soldados, mas Ahed consegue dar um estalo a um. A impassibilidade dos militares foi defendida pelo exército.
A pena deste caso não é particularmente leve ou pesada para um caso deste tipo, mas seria conveniente ao exército israelita que o processo se fechasse com celeridade, devido ao dano que foi feito à reputação dos militares israelitas e às ondas de protestos.
Ahed já era uma conhecida ativista e o seu pai, Bassem Tamimi, organiza manifestações contra a ocupação e os colonatos em Nabi Saleh, Cisjordânia ocupada, desde 2009.
Estes protestos vêm frequentemente a público porque são filmados por ativistas que querem divulgar a causa palestiniana e a violência de que é vítima por parte do Estado de Israel.

Somos um simulacro de nação, uma fraude à Civilização



Esta manhã, ao assistir num noticiário matutino na TV a destruição causada pelas chuvas de ontem em São Paulo, levei um “tapa de realidade”.

Muitos entre nós, os privilegiados sociais, até temos consciência da terrível realidade social que nos cerca, mas, ao ficarmos presos, no dia-a-dia, em nosso mundinho de conforto, acabamos por ficar parestésicos com relação a ela. É algo que “está lá”, no fundinho da nossa mente, mas que não nos incomoda tanto no cotidiano. É algo que coça mas nem sempre dói.

Então, em determinados eventos, levamos uma trombada dessa realidade. O que me chamou de volta à realidade, nas cenas que vi, não foi propriamente a destruição causada pelas águas (algo terrível, sem dúvida), mas as próprias condições de “habitação” que passaram em frente aos meus olhos. Numa das cenas, um córrego, imundo e fétido, com barracos construídos praticamente sobre as “águas”. Uma espécie de palafita urbana, deprimente. Eu nem sequer admitiria que animais vivessem sob aquelas condições, mas ali vivem seres humanos: adultos, velhos, crianças. Crianças!!!

“Tá, Reinaldo, então o que você sugere?”

É difícil. Ainda que eventualmente tentemos ajudar um pouco, por meio de doações ou do trabalho de Sísifo que é a tentativa de conscientização social de membros das camadas privilegiadas abduzidos pela lógica do capitalismo liberal (“se está bom para a minha família, então basta”, “quem não tem méritos e é vagabundo tem mais é que sofrer mesmo”, etc.), que geralmente estão ocupados reclamando “duzimposto”, “dutrânzitu” ou “dagazolina”, nosso raio de ação é bem restrito.

E, para piorar, após ver aquelas cenas deprimentes, não pude deixar de me lembrar da paralisação realizada por vossas excelências em defesa do sacrossanto direito ao auxílio moradia de quase cinco mil reais. Este é apenas mais um dos episódios que fazem com que eu já tenha perdido qualquer esperança nas “instituições republicanas”.

Esse tapão de realidade me mostrou, mais uma vez, que a defesa da dignidade das pessoas (atenção: DIGNIDADE!) precisa ser intransigente, diária, radical. Ocorre que no Brasil a defesa da dignidade das pessoas é traduzida como “baderna”, “comunismo” ou outras platitudes.

Somos um simulacro de nação. Somos uma fraude à Civilização. Somos um país controlado ou tolerado por uma minoria de privilegiados que vira as costas a milhões de seres humanos que, da forma precária que conseguem, apenas tentam sobreviver.

terça-feira, 13 de março de 2018

Hollywood escondeu que Churchill foi um assassino em massa, diz autor indiano

Gary Oldman no papel de Winston Churchill.

Por
 Davi Nogueira, via DCM

Shashi Tharoor escreveu um artigo para o Washington Post no qual desconstrói a imagem que se tem de Winston Churchill no Ocidente. Shashi é autor do livro “Inglorious Empire: What the British Did to India” (“Império Inglório: O que os ingleses fizeram com a Índia”). Ele preside o Comitê de Relações Exteriores do Parlamento indiano.
“A História”, disse Winston Churchill, “será gentil comigo, pois pretendo escrevê-la sozinho.” Ele não precisa se preocupar. Churchill foi um dos grandes assassinos em massa do século 20, mas é o único, ao contrário de Hitler e Stalin, a ter escapado do ódio histórico no Ocidente. Ele foi coroado com um Prêmio Nobel (de literatura, não menos) e na última semana, um ator que o retrata (Gary Oldman) recebeu um Oscar.
Como Hollywood confirma, a reputação de Churchill (como o que Harold Evans chamou de “o coração de leão britânico nas muralhas da civilização”) se baseia quase inteiramente em sua reviravolta e seu talento por conta de uma frase dita durante a Segunda Guerra Mundial. “Não devemos marcar nem falhar. Vamos continuar até o fim. (…) Devemos lutar nas praias, lutaremos nas terras do desembarque, vamos lutar nos campos e nas ruas. (…) Nunca devemos nos render” (O historiador britânico revisionista John Charmley destituiu isso como um “absurdo sublime”).
As palavras, no final, são tudo o que os admiradores de Churchill podem contemplar. Suas ações já são outra história.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o então primeiro-ministro do Reino Unido declarou-se a favor do “bombardeio terrorista”. Ele escreveu que queria executar “ataques absolutamente devastadores com bombas pesadas”. Terrores como o bombardeamento de Dresden, na Alemanha, foram o resultado.
Na luta pela independência irlandesa, Churchill, no cargo de secretário de Estado da guerra e da força aérea, foi uma das poucas autoridades britânicas a favor do bombardeio de manifestantes, sugerindo em 1920 que os aviões usassem “metralhadoras ou bombas” para dispersá-los.
A caminho de um conflito na Mesopotâmia, em 1921, como secretário de estado das colônias, Churchill atuou como um criminoso de guerra: “Sou fortemente a favor do uso de gás venenoso contra as tribos incivilizadas; Isso transmitiria um terror vivo entre a população”. Ele ordenou bombardeios no lugar, destruindo uma aldeia inteira em 45 minutos.
No Afeganistão, Churchill declarou que os pastós “precisavam reconhecer a superioridade da raça [britânica]” e que “todos os que resistem serão mortos sem piedade”. Ele escreveu: “Procedemos sistematicamente, aldeia por aldeia, e destruímos as casas, derrubamos as torres, cortamos as grandes árvores frondosas, queimamos as colheitas e quebramos os reservatórios em devastação punitiva. (…) Todo chefe de tribo foi ferido ou mutilado de uma só vez”.
No Quênia, Churchill dirigiu atividades que envolviam a deslocação forçada de povos locais das terras montanhosas, a fim de abrir espaço para os colonos brancos e enviar mais de 150.000 pessoas para campos de concentração. Violação sexual, castração, cigarros acesos em cortes profundos e choques elétricos foram usados ​​pelas autoridades britânicas para torturar os quenianos sob o seu governo.
Mas as principais vítimas de Winston Churchill foram os indianos – “um povo bestial com uma religião bestial”, como ele os chamou agradavelmente. Ele queria usar armas químicas na Índia, mas foi retido por seus colegas do gabinete, a quem ele criticou por sua “escrupulosidade”, declarando que “as objeções do Escritório da Índia para o uso de gás contra os nativos não são razoáveis”.
A beatificação de Churchill como apóstolo da liberdade parece ainda mais absurda, dada a declaração de 1941 de que os princípios do seu livro Carta do Atlântico não se aplicariam à Índia e às colônias de cor. Ele se recusava a ver pessoas de cor terem os mesmo direitos que ele. “O gandhismo e tudo o que representa”, declarou ele, “precisa, cedo ou tarde, ser discutido e finalmente aniquilado”.
Em tais assuntos, Churchill foi o mais reacionário dos ingleses, com opiniões tão extremas que não podem ser desculpadas por serem reflexo da época em que ele vivia. Até mesmo seu próprio secretário de Estado da Índia, Leopold Amery, confessou que não via quase nenhuma diferença entre as atitudes de Churchill e Adolf Hitler.
Graças ao ex-primeiro ministro, cerca de 4 milhões de bengalis morreram de fome em 1943. Churchill ordenou o desvio de alimentos de indianos famintos para soldados britânicos e para armazenar estoques europeus na Grécia e em outros lugares. Quando perguntado sobre o sofrimento de suas vítimas indianas, sua reposta foi que a fome era culpa deles próprios, disse ele, por “procriarem como coelhos”.
O Oscar da semana passada gratifica mais uma hagiografia desse odioso homem. Para os iraquianos gaseados por causa dele, ou para os manifestantes gregos nas ruas de Atenas que foram massacrados às suas ordens em 1944, assim como para indianos como eu, será sempre um mistério por que alguns discursos bombásticos foram suficiente para lavar as manchas de sangue das mãos racistas de Churchill.
Muitos de nós vão se lembrar de Winston Churchill como um criminoso de guerra e um inimigo da decência e da humanidade, um imperialista intermitente conformado com a opressão dos povos não-brancos. Em última análise, seu grande fracasso – sua longa e mais escura hora – foi o esforço constante para nos negar a liberdade.