LULA PRESO POLÍTICO

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terça-feira, 30 de outubro de 2018

"Dias Toffoli, presidente do STF, diz que Bolsonaro é ‘pessoa alegre e bem humorada’ e espera encontro"


Via DCM
De Mariana Oliveira e Luiz Felipe Barbiéri da TV Globo e G1.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, afirmou nesta segunda-feira (29) que o presidente da República eleito, Jair Bolsonaro (PSL), é uma pessoa “alegre e bem humorada”. Segundo Toffoli, os dois devem se encontrar na próxima semana.
Ainda na noite deste domingo (28), após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar o resultado da eleição, Toffoli telefonou para Bolsonaro e o parabenizou pela vitória no segundo turno.
Conforme o TSE, Bolsonaro recebeu 57,7 milhões de votos (55,13%) e Fernando Haddad (PT), 47 milhões de votos (44,87%).
Capitão da reserva do Exército, Bolsonaro é deputado federal desde 1991 e disputou da Presidência da República pela primeira vez.
Logo após a confirmação do resultado, afirmou que fará o governo “defensor da Constituição, da democracia e da liberdade”.
(…)
Questionado nesta segunda-feira se o Poder Judiciário tem algum pedido a Bolsonaro, Dias Toffoli disse que a hora é de ouvir.
Relatou, em seguida, que ele e a presidente do TSE, Rosa Weber, telefonaram para Bolsonaro na noite de domingo (28).
(…)

A fleuma bolsonarista: DEPUTADO DO PSL AMEAÇA JORNALISTA: SENTIRÃO A MÃO PESADA DO ESTADO


Via Brasil247


O deputado federal eleito Márcio Labre (PSL-RJ) aproveitou a vitória do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) neste domingo (28) para disparar ameaças contra jornalistas e opositores. Pelas redes sociais, ao responder o jornalista João de Andrade Neto, do Diário de Pernambuco, Labre disse que quem tentar 'sabotar o país' sofrerá as consequências.

O jornalista havia dito que a democracia não se resumia ao processo eleitoral e foi, em seguida, respondido pelo deputado eleito.

"Só avisando, se transgredir a lei e a ordem, vai conhecer a mão pesada do estado. Vencemos a eleição de forma soberana, vamos governar para todos e respeitar a constituição. Não gostou? Enfia o dedo naquele lugar e rasga, mas se tentar sabotar o país, haverão (sic) consequências", disse Labre, sem explicar que tipo de consequências poderiam acontecer.

A fleuma bolsonarista: Paulo Guedes destrata jornalista que perguntou sobre o Mercosul

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Para conhecer o Bolsonaro racista, homofóbico, misógino e fascista



Tudo sobre Bolsonaro acessem:  

Um canalha à porta do Planalto


Equiparar Haddad a Bolsonaro constitui um acto moral e politicamente inqualificável. Quem o faz torna-se cúmplice de Bolsonaro.
1. Carlos Alberto Brilhante Ustra foi um dos maiores, senão mesmo o maior torcionário, no tempo da ditadura militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985.
Em 2008 foi o primeiro oficial condenado por sequestro e tortura. Comprovadamente, maltratou física e psicologicamente centenas de pessoas e chegou ao limite de obrigar crianças a presenciarem o dilacerante espectáculo do espancamento dos respectivos progenitores.
Nunca reconheceu os seus crimes nem manifestou o mais leve arrependimento pelos seus actos desumanos.
Era um canalha. Morreu em 2015, em Brasília, na cama de um hospital.
Foi precisamente este torcionário miserável que o então deputado federal Jair Bolsonaro homenageou no momento em que votou a favor do impeachment da Presidente Dilma Rousseff.
Nessa ocasião, Bolsonaro pronunciou uma declaração que o define integralmente: dedicou o seu voto à “memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”.
É impossível imaginar, naquele contexto, uma afirmação mais vil, um comportamento mais indigno, uma atitude mais asquerosa. Bolsonaro revelou-se ali o que ele verdadeiramente é: um canalha em estado puro.
O que é um canalha em estado puro?
É alguém que contraria qualquer tipo de critério moral e se coloca num plano comportamental pré ou anticivilizacional.
Quem elogia o torturador de uma jovem mulher absolutamente indefesa atribui-se a si próprio um estatuto praticamente sub-humano.


Bolsonaro é dessa estirpe, desse rol de gente que leva à interrogação sobre o que subsiste de humano no homem que literalmente se desumaniza.

Theodore Adorno levou essa questão até ao limite do pensável, quando formulou a sua célebre afirmação: “escrever um poema depois de Auschwitz é um acto bárbaro e isso corrói até mesmo o conhecimento de porque se tornou impossível escrever poemas”.

E, contudo, a poesia sobreviveu. O Homem resiste ao que de desumanizador ele inscreve na história. Isso não é razão para renunciar à denúncia da barbárie.
A barbárie tem muitos rostos: é estúpida, boçal, intolerante, sectária, fanática, simplista, racista, xenófoba, homofóbica, sexista, classista, irremediavelmente preconceituosa, inevitavelmente primária.

Jair Bolsonaro é um dos rostos perfeitos dessa barbárie em versão actual.

Tudo nele aponta para a pequenez: é um ser intelectualmente medíocre, eticamente execrável, politicamente vulgar.

Nele observa-se uma prodigiosa ausência de qualquer tipo de grandeza e uma assustadora presença de tudo quanto invalida um cidadão para o desempenho da mais humilde função pública.

Por isso mesmo ele é extraordinariamente perigoso: é a expressão quase exemplar do homem sem qualidades subitamente erigido a um papel de liderança.

Bolsonaro não é Hitler, não é Mussolini, não é sequer Franco.

Em bom rigor, se quisermos ater-nos a um debate intelectual de natureza escolástica, ele não é bem a representação do fascismo.

Há nele, contudo, na dimensão medíocre que a sua pobre personalidade proporciona, tudo aquilo de que a tradição fascista historicamente se alimentou.

O anti-iluminismo, a exaltação sumária da unicidade nacional, a apologia da violência, o culto irracional do chefe.

Bolsonaro é pouco mais do que um analfabeto ideológico com todos os perigos que isso mesmo encerra.

Ele e a sua prole de jovens tontos significam hoje o maior perigo com que se depara o mundo ocidental.

2. Alguns analistas políticos, uns por ignorância, outros por má-fé, tentam convencer-nos que os brasileiros terão de escolher nas eleições presidenciais entre a cólera e a peste.

Isso não corresponde minimamente à verdade. Equiparar Haddad a Bolsonaro constitui um acto moral e politicamente inqualificável.

Quem o faz torna-se cúmplice de Bolsonaro, da sua vertigem proto-fascista, da sua propensão para o culto da violência.

É por isso que não pode haver hesitações neste momento da história do Brasil e, de uma certa maneira, da própria história da Humanidade.

Haddad é um intelectual sofisticado, um democrata respeitador dos princípios fundamentais das sociedades abertas e pluralistas, um homem de reconhecida integridade cívica e moral.

O PT cometeu erros nos anos em que governou o Brasil? Cometeu decerto, como todos os demais partidos que desempenharam funções governativas durante muito tempo em qualquer parte do mundo.

Há, porém, uma coisa que é preciso afirmar enfaticamente nesta hora especialmente dramática: nem Lula, nem Dilma Rousseff alguma vez puseram em causa o Estado de Direito brasileiro.

Ambos pugnaram por um Brasil mais justo e contribuíram fortemente para o alargamento das condições de afirmação da liberdade individual de milhões de brasileiros a quem o destino aparentava não conceder outra vida que não fosse a miséria, o sofrimento e absoluta exclusão social.

Fizeram-no sempre no respeito pelas regras da democracia liberal, enfrentando a hostilidade de uma comunicação social globalmente desfavorável e os ferozes ataques dos grandes oligopólios económicos.

Muitas vezes é difícil percebermos o que isso significa a partir de uma perspectiva europeia.

Mas quem viajou dezenas de vezes para a América Latina, como eu fiz nos últimos anos, sabe bem o que isso traduz naquele sacrificado continente.

Ali, ser pobre corresponde a ser muito mais pobre do que no nosso velho continente europeu; ali, ser mulher, ser homossexual, ser indígena, ser desempregado, ser mãe solteira, comporta uma carga sem correspondência com o que se passa no mundo que nós próprios habitamos.

Uma vitória de Bolsonaro significaria um retrocesso civilizacional para o Brasil e para o mundo.

Não estamos, por isso, a falar de um confronto político e ideológico normal.

Estamos perante um verdadeiro confronto entre a civilização, por mais ténue que esta seja, e a barbárie. Haddad é hoje mais do que Haddad, é mais do que o PT, é mesmo mais do que o Brasil.

Haddad é o símbolo da luta da razão crítica contra o obscurantismo, da liberdade face ao despotismo, da aspiração igualitária diante do culto das hierarquias de base biológica ou social.

É por isso que este combate nos interpela a todos. Estamos perante um momento de divisão clara entre o que no Homem há de apelo à razão, ao culto da liberdade, ao sentido da fraternidade, e o que no mesmo Homem há de impulso básico para o autoritarismo, a servidão e a anulação da inteligência crítica.

Há horas na história em que tudo se reconduz a uma dicotomia simples que é ela própria o oposto de uma redução ao simplismo.

Sejamos claros, no Brasil, hoje, a opção é evidente: Haddad significa a civilização, Bolsonaro representa a barbárie.

3. Fernando Henrique Cardoso tem a absoluta obrigação de se pronunciar num momento decisivo da vida do seu país.

Este é o momento em que verdadeiramente se ajuizará do seu papel histórico.

Até aqui prevaleceu a figura do intelectual brilhante, do ministro das finanças eficaz, do Presidente da República naturalmente polémico, mas reconhecidamente superior.

O seu passado responsabiliza-o especialmente nas presentes circunstâncias históricas.

Fernando Henrique Cardoso tem a obrigação moral de apoiar Haddad.

Se o não fizer apoucar-se-á perante os seus contemporâneos e sobretudo diante dos futuros historiadores do Brasil.

*Eurodeputado do Partido Socialista de Portugal

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domingo, 14 de outubro de 2018

O que você precisa saber sobre o “kit gay”. Por Silvia Amélia

Bolsonaro e livro da Cia das Letras: Após polêmica envolvendo candidato, editora relançará o livro (Reprodução/GloboPlay)

Via DCM
Por Silvia Amélia
1) Nunca existiu algo chamado ”kit gay” em nenhum governo.
2) Em 2011 foi encomendado e produzido um material chamado ”Escola sem homofobia”. Mas setores conservadores do Congresso protestaram e esse material NUNCA chegou a ser entregue nas escolas. Repetindo, não foi entregue, então tudo o que se diz que chegou até uma escola como sendo um ‘’ kit gay’’ do governo federal é mentira.
3) Mas vamos entender melhor o que aconteceu, se tem alguma verdade nas Fake News sobre o assunto que todo mundo já recebeu. Fernando Haddad era Ministro da Educação no momento? Sim, ele era. Veio do MEC a ideia de produzir o material? Não. Foi a Comissão de Direitos Humanos da Câmara que fez a proposta e o Ministério Público que cobrou do MEC tomar a providencia. E então o MEC contratou uma ONG especializada no assunto para produzir o material.
4) Agora vamos entender como isso virou um escândalo. Enquanto o material ainda estava na mesa do Haddad para a aprovação políticos conservadores como Magno Malta e Garotinho começaram a espalhar mentiras. Destacando: eles inventaram coisas sobre algo que eles não conheciam e não sabiam do que se tratava já que o material ainda estava em fase de aprovação.
Uma das primeiras estratégias foi pegar um material produzido pelo Ministério da Saúde para caminhoneiros e prostitutas sobre prevenção da AIDS e outras DSTS e espalhar que aquilo era o material do MEC para as escolas. Claro que a linguagem desse material do Ministério da Saúde era inadequada para crianças já que servia a outro propósito.
5) Como essa história termina? No ano seguinte, quando Dilma assumiu a presidência, diante de toda a confusão, ela simplesmente vetou o material. Que nunca chegou a nenhuma escola.
6) Mas novas mentiras sobre o que seria esse kit gay surgem a todo momento. O que acontece é que existem inúmeros materiais sobre educação sexual para crianças e adolescentes que são produzidos por editoras comerciais e vendidos em livrarias do Brasil e do mundo para os pais e as mães que quiserem comprar.
Só que pessoas mal intencionadas compram algum desses livros que consideram ”inadequados” e fazem vídeos falando que aquele livro foi distribuído pelo governo num kit gay para crianças pequenas. Mas não foi. Repetindo, todos os materiais do projeto Escola sem Homofobia, devido à pressão conservadora, nunca foram levados até as escolas.
Importante destacar que o livro mostrado pelo Bolsonaro no Jornal Nacional NUNCA foi distribuído pelo MEC. O livro foi publicado no Brasil pela Companhia das Letras. Bolsonaro sabe que não se trata de material do MEC, ele já foi por diversas vezes alertado sobre isso. Ele mente porque sabe que funciona, sua popularidade aumenta a cada vez que ele se mostra indignado com algo que ele mesmo sabe que é mentira.
7) Mas afinal de contas o que tinha nesse material Escola Sem Homofobia? Que ótimo que você se perguntou isso. Neste link você pode ver os três vídeos, a cartilha voltada para os professores e os materiais deste projeto que, lembrando, nunca chegou até as escolas. Leia, assista e tire suas conclusões.

8.) Se você pegar o material para analisar vai ver que ele não contém nenhum tipo de pornografia. Uma das mentiras divulgadas sobre ele é um desenho de dois adolescentes tendo relações sexuais. Isso é uma invenção maldosa, aquela ilustração jamais fez parte deste projeto.
9) Esse material, que nunca chegou a se distribuído, era voltado para adolescentes e pré adolescentes, alunos de ensino médio e segunda etapa do fundamental, não para crianças pequenas, da educação infantil ou primeira etapa do fundamental (antigo primário). O objetivo era ensinar o respeito e combater a violência homofóbica muito comum nas escolas brasileiras.

10) Os materiais do Escola sem Homofobia não tinha nenhum tipo de objeto erótico, nada de ‘‘mamadeira com bico em formato de pênis para ser distribuído para crianças de 6 anos alunas de creches’’. Gente, pelo amor de Deus, como vocês acreditam nisso? Crianças de 6 anos não usam mamadeira, não estudam em creches e NINGUÉM viu esse objeto em nenhuma escola ou creche do Brasil. Isso é uma das mentiras mais toscas já inventadas e infelizmente milhões de pessoas acreditaram.

sábado, 13 de outubro de 2018

A lição de Lênin, por Marcos Dantas


Via GGN
Por Marcos Dantas
No início do século XX, os partidos social-democratas revolucionários europeus propunham-se a "nacionalizar a terra" quando chegassem ao poder. Coerentemente com o projeto de acabar com a propriedade privada dos meios de produção, tratava-se de tornar o solo agrícola um bem comum, a ser coletivamente aproveitado pelo conjunto dos trabalhadores rurais, ou camponeses.
O líder revolucionário russo Vladimir Lênin percebeu, no entanto, que essa palavra de ordem não era entendida e aceita pelo campesinato de seu país. Embora, na sua imensa maioria, não fossem proprietários, os camponeses sonhavam, algum dia, possuírem um pedaço de terra. Além do mais, eram quase todos analfabetos, incultos (no sentido iluminista da palavra), fervorosos religiosos, submissos à palavra dos padres de aldeia e à imagem quase divina do Czar. Não lhes era difícil acreditar que os "bolcheviques", por baixo daquela palavra de ordem, queriam, na verdade, tomar ou roubar suas terras...
Lênin entendeu que seria necessário chegar junto da consciência real do campesinato ainda que, para ele, "atrasada". E formulou uma nova palavra de ordem: "toda terra ao camponês". Diante desse lema, os ouvidos camponeses se abriram à pregação bolchevique. Eles passaram a prestar atenção ao discurso urbano revolucionário, assim se forjando a aliança operário-camponesa que levaria à Revolução Russa.
Décadas depois, o sociólogo francês Lucien Goldman, influente em meados do século passado, quase esquecido (infelizmente) hoje em dia, formularia a hipótese da "consciência possível": a compreensão da realidade por um grupo social, passa por um discurso que nasça das condições subjetivas determinadas por essa própria realidade. Assim, aos poucos, associando-se discursos e práticas políticas, eleva-se a consciência de si desse grupo até que compreenda a necessidade e possibilidade de modificar sua realidade, rompendo efetivamente com ela. Ou seja: se o discurso que se pretende "progressista" ou "avançado" não é aderente à realidade concreta de vida das pessoas, essas pessoas simplesmente não vão ouvi-lo, ou até mesmo reagirão negativamente a ele.
Lênin não era, por óbvio, um teórico de comunicação. No entanto, compreendeu intuitivamente uma lição básica que muitos teóricos, de Bakhtin a Paulo Freire, de Gregory Bateson a Umberto Eco, iriam desenvolver ao longo do restante do século: o significado de uma mensagem encontra-se na mediação dos interlocutores. A "verdade" não é aquela na cabeça do "falante" por melhores ou mais justos que sejam os seus argumentos, mas é aquela que pode ser manifestada se e quando "falante" e "ouvinte" conseguem se pôr de acordo sobre os termos da conversa. Sem esse acordo prévio, o "falante" vai ficar falando sozinho. Por isso, não raro, há que se "descer" à realidade do "ouvinte" para torná-lo, pelo menos, um "ouvinte" interessado. Aliás, é justo isto que costuma a fazer qualquer bom orador, ou qualquer professor competente.
As derrotas acachapantes das esquerdas nas últimas eleições municipais, em São Paulo e Rio de Janeiro, para ficarmos só nessas duas cidades, e, pior, derrotas por 7 a 1 para tipos medíocres como Dória ou Crivella, já deveriam ter acendido a luz amarela no PT, PSOL, PCdoB, demais partidos ou movimentos a eles ligados. Não é possível explicá-las, puerilmente, como tem feito, em entrevistas, Fernando Haddad, como resultado de uma "onda anti-petista". Resultam de muitos fatores conjugados, inclusive do desastre dos governos Dilma Rousseff, do golpe judiciário da Lava Jato, das mobilizações de certos segmentos sempre golpistas da classe média contra "a corrupção" (os mesmos segmentos, com os mesmos argumentos, que apoiaram o golpe de 64, elegeram Collor em 1989 etc.), da campanha da grande imprensa contra o PT, de ações obscuras motivadas pelos interesses estratégicos dos Estados Unidos, mas nada disso poderia ter alcançado a força discursiva e simbólica, logo política e eleitoral, que alcançou se não encontrasse ouvidos abertos para escutar e aceitar suas mensagens. Os votos da classe média golpista não elegeriam, por si só, Dória ou Crivella. Eles foram eleitos pelo que se chama "periferia": foram eleitos por esses que a Esquerda gosta de chamar "pobres e negros". No Rio, claramente, Crivella, no 2º turno, só não venceu em alguns bairros de classe média, ou, como diria a própria Esquerda, bairros de "elite": Laranjeiras, Botafogo, Copacabana, Tijuca, Jardim Botânico e avizinhados. Ganhou muito bem ganhado em todos os bairros onde vive a população de baixa renda, inclusive nas grandes favelas do Rio. Em São Paulo, com Dória, não foi diferente: até pior, pois Haddad foi derrotado, no 1º turno, em todas as zonas eleitorais, sem exceção.
Há algo aí que não parece racional, ao menos à primeira vista. Afinal, segundo se dizia e até se provava com números, a vida das pessoas pobres teria melhorado muito nos governos Lula, tanto no Nordeste (que segue "lulista") como no Sudeste e em todo o Brasil. Desnecessário relacionar aqui os muitos programas de largo alcance implementados por Lula e, também, Dilma que ampliaram a capacidade de consumo e a mobilidade social das camadas sociais de baixa renda. Esperava-se, pelo menos, gratidão dessa gente. Mas o que se viu foi o contrário. Mostraram-se ingratos nas eleições municipais de 2016 e confirmaram-se ingratos nesta eleição presidencial: os votos dos "pobres e negros" no Rio, São Paulo, outras grandes capitais, inclusive também Recife e a maioria das capitais do Nordeste e Norte, destinaram-se a Bolsonaro. Para piorar, alguns campeões da resistência ao golpe, como a própria Dilma Rousseff, Requião, Lindbergh, não conseguiram se eleger ou reeleger para o Senado. Em compensação, Janaína Paschoal obteve mais de 2 milhões de votos para deputada estadual em São Paulo. Tipos absolutamente rastaqueras (para dizer o mínimo), como Alexandre Frota e Kim Kataguiri, também se elegeram deputados. A "elite" tem tantos votos assim, em São Paulo?
Ora, é muito fácil constatar qual discurso foi ouvido por essa multidão que consagrou Bolsonaro e todos e todas que a ele se ligaram, nesta campanha eleitoral ("multidão", aqui, no seu sentido semântico usual, milhões de pessoas, não no conceito pseudosociológico ilusionista que lhe deu Antonio Negri): foi o discurso moralista e comportamental. A "corrupção", claro!, mas também o "gênero", o "aborto", o "gay" e temas similares. Bem o disse Ciro Gomes quando perguntado a respeito: "quero ser presidente da República, não fiscal de costumes". Outro tema, importantíssimo, foi a "violência" – mas não a violência "contra a mulher" ou "contra a juventude negra", não a violência que pretende identitariamente distinguir (num certo sentido bourdieuriano) as vítimas, mas a violência contra qualquer pessoa, a violência que atinge todos e todas indistintamente, a violência que é, sobretudo, sentida diretamente, cotidianamente, pelos mestiços moradores e moradoras das periferias de nossas grandes cidades, seja vinda da polícia, seja vinda do PCC, CV ou de alguma outra milícia.
Sobretudo, a violência do dia a dia, física e também subjetiva, aquela das horas perdidas num transporte público superlotado, do péssimo atendimento num hospital público, da escola que não ensina nem educa, sobretudo a violência do emprego precário em condições opressivas e sem perspectivas. Converse-se com o porteiro, com balconista da farmácia, loja de bairro ou de shopping center, com cabeleireiro(a), motorista de táxi, entregador de pizza, converse-se com toda essa arraia miúda, nas nossas grandes cidades, a imensa maioria não esconderá seu anti-petismo ou anti-lulismo. Falará da "corrupção". Mas falará também do "casamento gay", do "kit gay" – e decide seu voto para prefeito ou presidente por oposição a esses (supostos) valores. Não faltam, nas listas esquerdistas do WhatsApp, testemunhos perplexos ou atônitos dessa reação.
Não é um fenômeno brasileiro. Aliás, exatamente por não o ser e por já ter sido apontado por analistas no exterior, já teria sido possível neutralizá-lo por aqui. Em janeiro de 2017, a líder feminista estadunidense Nancy Fraser, num texto contundente, intitulado "O fim do neoliberalismo progressista" (https://www.dissentmagazine.org/online_articles/progressive-neoliberalis..., acesso em 11/10/2018), mostrava como as pautas identitárias ou comportamentais haviam muito contribuído para a derrota de Hillary Clinton diante de Trump. Do outro lado do espectro político e há mais tempo, Scott Maconnel, já detectara e até comemorava o mesmo fenômeno no artigo "Abandonados pela Esquerda" (https://www.theamericanconservative.com/articles/abandoned-by-the-left/, acesso em 11/10/2018). A classe operária, escreveu, em sua grande maioria constituída por homens brancos que vinham sendo pesadamente atingidos pela desindustrialização e empobrecimento dos Estados Unidos, sentia-se ainda ofendida por um discurso feminista que parecia fazer de todos os homens brancos, por definição, machistas misóginos desprezíveis. Ao substituir a luta por maior justiça social pelas causas identitárias, o partido Democrata parecia ter "perdido o seu caminho". A vitória eleitoral de Trump, dois anos depois desse artigo, parece ter confirmado a tese como, aliás, atestou Nancy Fraser.
Mais recentemente, em março último, outro analista estadunidense, Mark Lilla, em entrevista para a <em>Folha de S. Paulo</em>, reforçou a hipótese: "Esquerda deve tirar foco da pauta identitária para ser eleita", declarou (https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/03/esquerda-deve-tirar-f..., acesso em 11/10/2018). Ao apresentá-lo as seus leitores, a <em>Folha</em> informou que Lilla já se tornara "o mais odiado dos pensadores de centro-esquerda", ao criticar, em artigo no <em>New York Times</em>, logo após a vitória de Trump, o programa identitarista do Partido Democrata.
O que há de errado com essas políticas? Obviamente, em princípio, tratam de questões sérias e, de um ponto de vista progressista, justas. Mas não tratam dos problemas reais de milhões de pessoas, não importa o "gênero", não importa a "raça", pessoas massacradas pelas políticas neoliberais e pela globalização. Tratam de problemas que têm mais a ver com segmentos social e economicamente beneficiados pelas lógicas de produção e consumo do capitalismo "pós-fordista", do que dos vivenciados pelos estratos que se percebem esmagados na base da pirâmide social. São agendas perfeitas na Dinamarca mas se, mesmo nos Estados Unidos já causam tanto desagrado, opondo a esvoaçante Califórnia ao Meio-Norte enferrujado, imagine-se num país como este Brasil, com sua mestiça periferia excluída e violentada! Essa periferia está respondendo ao seu abandono pela Esquerda, caindo nos braços do fundamentalismo vigarista evangélico e da direita virulenta bolsonazi.
  Os perdedores da globalização, em todo o mundo capitalista ocidental, migraram para a direita. Não é um fenômeno novo. O mesmo aconteceu na Alemanha, nos anos 1930. A base social do nazismo, os soldados das SSAA, era o lumpemproletariado, os desempregados pela grande crise. E o líder máximo era, ele mesmo, um lúmpem. Aliás, intelectualmente, Hitler e Bolsonaro quase se equiparam embora aquele tivesse algum maior estofo intelectual. Chegou a escrever um livro e apreciava Wagner...
O problema dessa gente é de <em>classe social</em>, não é de "gênero", "raça" ou "comportamentos". Porém, como é sempre mais fácil, na cabeça ignorante, buscar algum "culpado" para as suas próprias frustrações – o inferno são os outros, dizia Sartre –, líderes populistas, explorando os seus complexos e preconceitos (a consciência real), conseguem mobilizá-los, apontando-lhes para a "causa": os judeus, os mexicanos, os imigrantes... o PT corrupto. Noutros tempos, travando luta de classes, a Esquerda conseguia também mobilizar ao menos a parte trabalhadora da população, para enfrentar esse obscurantismo lúmpem, nem que fosse (e só podia ser) pela luta armada: Guerra Civil espanhola, Segunda Guerra mundial. Nestes novos tristes tempos em que vivemos, ditos "pós-modernos", o populismo fascista passou a contar com a ajuda (involuntária?) da própria Esquerda, ou da parte hegemônica dela, que trocou a luta de classes por movimentos comportamentais e identitários.
O problema atual, porém, não reside apenas na superfície do "neoliberalismo" ou da "globalização". Há que ir mais fundo. O capitalismo promoveu nesses últimos 30 anos, movido por sua lógica de acumulação, uma ampla reestruturação nos circuitos de produção e consumo, tendo por vetor a introdução de sistemas automatizados de trabalho que estão substituindo uma grande massa de trabalho humano de baixa qualificação por trabalho mecânico automatizado, trabalho de máquina "inteligente". Uma grande parcela da população está, simplesmente, sendo excluída de qualquer possibilidade de conseguir algum emprego minimamente decente. Essa parcela deu origem, em todo o mundo capitalista avançado, incluindo o Brasil, a uma enorme camada social de subempregados urbanos que alguns já denominam "precariado", nome elegante para o nosso velho "lumpemproletariado"...
O sociólogo estadunidense Benjamin Barber publicou, na década 1980, um livro antológico que deveria ser leitura obrigatória de todo esquerdista, ao invés de Bauman ou Negri: <em>Jihad X McMundo</em>. Nele, ele mostra como os excluídos da "globalização", fossem muçulmanos, cristãos, hinduístas, não importa, vinham reagindo violentamente à opulência, cinismo e "liquidez" (a la Bauman) do capitalismo consumista ("McMundo"), pregando o retorno da humanidade a uma vida "encantada", ao obscurantismo medieval, a um passado utopicamente descrito como "imóvel" ou "estável". A penetração entre nós das seitas evangélicas, cuja capacidade de influência política anti-democrática já se tornou inquestionável, é apenas a expressão brasileira desse fenômeno mundial.
O tão badalado "projeto neoliberal" foi a proposta conservadora para a transição que o capital promovia. A Esquerda, por que também inserida no McMundo, preferiu responder aderindo à "luta por direitos": substituiu seus antigos compromissos revolucionários pela ideologia liberal, no sentido "esquerdista" que esta palavra tem na política estadunidense: o contrário de conservador. Esse "discurso dos direitos apareceu como oposto a – no lugar de ser uma etapa no progresso até – modos alternativos de reparar a sujeição social que se expressa como identidade politizada", acusou Wendy Brown em contundente "crítica dos direitos" ("O que se perde com os direitos", em <em>State of Injury</em>). Não mais a luta para transformar a sociedade mas apenas para se ajustar a ela na melhor posição possível, função da capacidade de mobilização <em>competitiva</em> desse ou daquele movimento social. É a consagração da ideologia liberal burguesa.
O PT, ao longo de sua história, tornou-se, no Brasil, o partido dessa Esquerda liberal (ou "neoliberalismo progressista", nos termos de Fraser). Ao substituir a luta de classes pela "pobretologia", como ironizou a historiadora Virginia Fontes (https://www.youtube.com/watch?v=iFBce9vgDUE), uma "pobretologia" consumista que sonhava inserir-se no McMundo (de resto impossível como os tempos não demoraram a mostrar), o "lulismo" acabou viabilizando uma aliança entre uma classe média por si tradicionalmente reacionária com esse novo "precariado" ignorante, obscurantista, ressentido, não raro violento em suas atitudes individuais ou coletivas porque violentas, no nível da mais hobesiana competição, objetiva e subjetivamente, são suas condições de sobrevivência cotidianas. Suas demandas não são atendidas por um programa partidário que ora se dirige ao que resta do proletariado "fordista" (carteira de trabalho, 13º salário etc.), ora fala aos liberais de Esquerda. Ao incluir, por exemplo, num programa de governo para Presidente da República, "promover o direito à vida, ao emprego e à cidadania LGBTI+" e o que se segue nas linhas seguintes (https://drive.google.com/file/d/1oJ9hqF3Q4TsBtrffIxGHKVh2OTXXZCz8/view), como se esses e essas cidadãos, boa parte dos quais são pessoas bem situadas de classe média, devessem ter um tratamento distinto do de qualquer outra pessoa, o PT, com toda certeza, perdeu ou deixou de ganhar milhões de votos entre os assim ditos "pobres" – e crentes. Pior, mandou a maior parte deles para o seu adversário. Como também cresceu ainda mais a intenção de votos em Bolsonaro justo após a inequivocamente poderosa manifestação feminista #EleNão. Expliquem...       
Gente situada à Esquerda, através dos Twitters e Facebooks da vida, começou a reclamar dos "pobres de direita", dos "negros de direita", dos "gays de direita", como se qualquer dessas condições, por si só, gerasse alguma substância esquerdista. Não se dá conta de que há algo errado no discurso ou, melhor dizendo, na agenda. Insiste nas mesmas mensagens que já haviam derrotado Hillary Clinton; no Reino Unido ajudaram na vitória do Brexit; vêm asfaltando o caminho da Direita por toda a Europa, sem falar no desastre político e cultural que já produziram no Oriente Médio e adjacências. A "globalização" capitalista, carente de uma resposta política radicalmente transformadora, produziu, como seu oposto, um "precariado" também global, porém agarrado aos seus mitos adâmicos identitários ou religiosos.
No Brasil, neste momento, esse neolumpensinato vai consagrar Bolsonaro. Viveremos uma nova longa noite, até porque a Esquerda liberal nos desarmou para os tempos duros e violentos que vêm pela frente. É claro que, a esta altura, é tarde para se gerar e difundir alguma forte mensagem que possa ser primeiro escutada, então entendida, pela consciência real dos novos "camponeses" desta nossa época, mensagem que poderia leva-los a acreditar na possibilidade de uma mudança para valer nas suas condições objetivas e subjetivas de vida. Para esses submetidos a um cotidiano de violências, a violência é da natureza do mundo. É possível que essa gente só possa vir a se sentir atraída para um novo projeto democrático de Esquerda, se chamada por um programa, discurso e prática jacobinos. Mas onde estão os jacobinos?

[1] Professor Titular da Escola de Comunicação da UFRJ

sábado, 6 de outubro de 2018

Tem dedo da CIA nas eleições do Brasil



Por Marcelo Zero
O crescimento do fascismo bolsonarista na reta final, turbinado por uma avalanche de fake news disseminadas pela internet, não chega a surpreender.
Trata-se de tática já antiga desenvolvida pelas agências americanas e britânicas de inteligência, com o intuito de manipular opinião pública e influir em processos políticos e eleições. Foi usada na Ucrânia, na "primavera árabe" e no Brasil de 2013.
Há ciência por trás dessa manipulação.
Alguns acham que as eleições são vencidas ou perdidas apenas em debates rigorosamente racionais, em torno de programas e propostas.
Não é bem assim.
Na realidade, como bem argumenta Drew Westen, professor de psicologia e psiquiatria da Universidade de Emory, no seu livro "O Cérebro Político: O Papel da Emoção na Decisão do Destino de uma Nação", os sentimentos frequentemente são mais decisivos na definição do voto.
Westen argumenta, com base nos recentes estudos da neurociência sobre o tema, que, ao contrário do que dá a entender essa concepção, o cérebro humano toma decisões fundamentado principalmente em emoções. O cérebro político em particular, afirma Westen, é um cérebro emocional. Os eleitores fazem escolhas fortemente baseados em suas percepções emocionais sobre partidos e candidatos. Análises racionais e dados empíricos jogam, em geral, papel secundário nesse processo.
Aí é que entra o grande poder de manipulação pela produção de informações de forte conteúdo emocional e as fake news.
Os documentos revelados por Edward Snowden comprovaram que os serviços de inteligência dos EUA e do Reino Unido possuem unidades especializadas e sofisticadas que se dedicam a manipular as informações que circulam na internet e mudar os rumos da opinião pública.
Por exemplo, a unidade do Joint Threat Research Intelligence Group do Quartel-General de Comunicações do Governo (GCHQ), a agência de inteligência britânica, tem como missão e escopo incluir o uso de "truques sujos" para "destruir, negar, degradar e atrapalhar" os inimigos.
As táticas básicas incluem injetar material falso na Internet para destruir a reputação de alvos e manipular o discurso e o ativismo on-line. Assim, os métodos incluem postar material na Internet e atribuí-lo falsamente a outra pessoa, fingindo-se ser vítima do indivíduo cuja reputação está destinada a ser destruída, e postar "informações negativas" em vários fóruns que podem ser usados.
Em suma:
(1) injetar todo tipo de material falso na internet para destruir a reputação de seus alvos; e (2) usar as ciências sociais e outras técnicas psicossociais para manipular o discurso on-line e o ativismo, com o intuito de gerar resultados que considerados desejáveis.
Mas não se trata de qualquer informação. Não. As informações são escolhidas para causar grande impacto emocional; não para promover debates ou rebater informações concretas.
Uma das técnicas mais usadas tange à "manipulação de fotos e vídeos", que tem efeito emocional forte e imediato e tendem a ser rapidamente "viralizadas". A vice Manuela, por exemplo, tem sido alvo constante dessas manipulações. Também Haddad tem sido vítima usual de declarações absolutamente falsas e de manipulações de imagens e discursos.
A abjeta manipulação de imagens de "mamadeiras eróticas", que estariam sendo distribuídas pelo PT, é uma amostra de quão baixa pode ser a campanha de "truques sujos" recomendada pelas agências de inteligência norte-americanas e britânicas.
Muito embora tais manipulações sejam muito baixas e, aos olhos de uma pessoal racional, inverossímeis, elas têm grande e forte penetração no cérebro político emocional de vastas camadas da população.
Nada é feito ao acaso. Antes de serem produzidas e disseminadas, tais manipulações grosseiras são estudadas de forma provocar o maior estrago possível. Elas são especificamente dirigidas a grupos da internet que, por terem baixo grau de discernimento e forte conservadorismo, tendem a se chocar e a acreditar nessas manipulações grotescas.
Na realidade, o que vem acontecendo hoje no Brasil revela um alto grau de sofisticação manipulativa, o que exige treinamento e vultosas somas de dinheiro. De onde vem tudo isso? Do capital nacional? Ou será que há recursos financeiros, técnicos e logísticos vindos também do exterior?
É óbvio que isso demandaria uma investigação séria, a qual, aparentemente, não acontecerá. Só haverá investigação se alguém da esquerda postar alguma informação duvidosa.
O capital financeiro internacional e nacional, bem como setores do empresariado produtivo, já fecharam com Bolsonaro, no segundo turno. Boa parte da mídia oligárquica também. O mal denominado "centro", na verdade uma direita raivosa e golpista, ante a ameaça de desaparecimento político, começa, da mesma maneira, a aderir, em parte, ao fascismo tupiniquim, tentando sobreviver das migalhas políticas que poderiam obter, caso o Coiso e Mourão, o Ariano, ganhem.
Trata-se, evidentemente, do suicídio definitivo da democracia brasileira e de uma aposta no conflito, no confronto, no autoritarismo e no fascismo, o que levaria a economia e a política brasileiras ao profundo agravamento de suas crises.
Contudo, esse agravamento da crise político-institucional e econômica, que inevitavelmente seria acarretado pela vitória do protofascista Bolsonaro, poderá ser útil aos interesses daqueles que querem se apossar de recursos estratégicos do país e de empresas brasileiras.
O caos e a insegurança podem ser úteis, principalmente para quem está de fora. Vimos isso muitas vezes no Oriente Médio. No limite, o golpe poderá ser aprofundado por uma "solução de força", bancada pelo Judiciário e pelos militares. Desse modo, seria aberta a porteira para retrocessos bem mais amplos que os conseguidos por Temer. Retrocessos principalmente do ponto de vista da soberania nacional.
Do ponto de vista geoestratégico, o prometido alinhamento automático de Bolsonaro a Trump, seria de grande interesse para os EUA na região. Como se sabe, a prioridade estratégica atual dos EUA é o "grande jogo de poder contra China e Rússia", entre outros. Bolsonaro, que já prometeu doar Alcântara ao americanos e privatizar tudo, poderia ser a ponta de lança dos interesses dos EUA na região, intervindo na Venezuela e se contrapondo aos objetivos russos e chineses na América do Sul.
Por isso, parece-nos óbvio que há um dedo, ou mãos inteiras, de agências de inteligência estrangeiras, principalmente norte-americanas, na disputa eleitoral do Brasil. O modus operandi exibido nessa reta final é idêntico ao utilizado em outros países e demanda recursos técnicos e financeiros e um grau de sofisticação manipulativa que a campanha de Bolsonaro não parece dispor.
A CIA e outras agência estão aqui, atuando de forma extensa.
Cabe às forças progressistas se contrapor, de forma coordenada, a esse processo manipulativo. E a resposta não pode ser apenas contrapor racionalidade ao ódio manipulativo. A resposta, para a disputa do cérebro político, tem de ser também emocional.
O ódio anti-PT, antiesquerda, antidemocracia, antidireitos, anti-igualdade etc., que anima Bolsonaro e que foi criado pelo golpismo e sua mídia fake, tem de ser combatido pela projeção de sentimentos antagônicos, como esperança, amor, solidariedade, alegria e felicidade.
Eles projetam um passado de exclusão, violência e sofrimentos. Nós temos de projetar um futuro de segurança e realizações.
Quanto à campanha sórdida de difamação e manipulação, orientada de fora, o nosso lema deve ser o mesmo de Adlai Stevenson, o grande político democrata dos EUA, que propôs ao republicanos: "Vocês parem de falar mentiras sobre os Democratas e eu pararei de falar a verdade sobre vocês".
O Coiso, Mourão, o Ariano, e a "famiglia" Bolsonaro só falam aberrações chocantes, devidamente comprovadas. Não são fake news. Assim, basta expô-los a sua própria verdade. Derreterão como vampiros na luz do sol.